sábado, 30 de junho de 2012

Que a comunicação se pinte de povo!

Rafael Flores

Foto: Rafael Flores
Dois dias de viagem em um micro-ônibus com 20 lugares, 15 ocupados por pessoas e cinco ocupados por bagagens. 48 horas para atravessar a Bahia, o Piauí, o Maranhão e pedaço do Pará. Comida ruim e teclados emanando a verdadeira música brega em cada bar de beira de estrada que parávamos. Quando enfim chegamos em Belém meu corpo já se sentia parte do ônibus, tal como Bootstrap Bill Turner e o navio de Davy Jones. Eram cinco da manhã e logo percebi o poder destrutivo do verão amazônico, pois já fazia muito calor naquele início de sexta-feira.

Estávamos ali para participar do 32º Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação Social, o Enecom Pará 2011. Era o segundo fórum nacional sobre comunicação que eu participava e o quarto fórum realizado pela Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social, a Enecos.  Historicamente a criação da Enecos, em 1991, representa a rearticulação nacional do movimento estudantil de Comunicação e se consolida nesses vinte anos enquanto entidade representativa. A identidade impressa em vermelho sobre sua bandeira amarela reafirma o objetivo.

O Rebucetê Indica: Do fantástico mundo de Os’asco para o mundo

Assessoria/Agencia Vocevê


Fernando Anitelli, vocalista d'O Teatro Mágico, concede entrevista à Assessoria de Imprensa e fala sobre carreira, influências musicais e expectativas para o show em Vitória da Conquista.

Foto: Divulgação
Bonecas bailam nos ares, enquanto músicos tocam caracterizados de palhaços. Assim é O Teatro Mágico, banda paulista, que nasceu em Osasco. Há oito anos na estrada, acumulando números expressivos de CDs e DVDs vendidos e obras baixadas via download gratuito, a trupe d’O Teatro Mágico se consolida no cenário musical brasileiro e suas turnês são cada vez mais requisitadas. Fãs apaixonados lotam as casas de shows e cantam, a um só coro, os sucessos da banda que misturam ritmos fundamentalmente brasileiros com pop moderno e sofisticado.

A vontade de fazer um sarau amplificado inspirou o músico e compositor Fernando Anitelli a criar a banda. Os grupos dominicais de uma igreja no interior paulista consolidou ainda mais seu gosto pela música e despertou o sentimento pela coletividade, já que o aprendizado de um era compartilhado entre todos. Dos primeiros acordes ao primeiro show, muitos tons de sons foram tocados até que todos os instrumentos estivessem afinados para, enfim, se consolidar em um projeto grandioso, que, além da música, unia “numa coisa só” a poesia, a literatura e as artes circenses.

Em uma entrevista, concedida à Assessoria de Imprensa, assinada pela agência vOceve Multicomunicação, Anitelli fala sobre a banda, as influências musicais, o movimento da cultura livre e a satisfação de tocar para os baianos. Prepare o picadeiro, abra as cortinas que o espetáculo vai começar!


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Por isso ninguem vê minha sacola


Mariana Kaoos

Foto: Divulgação.
Há exatamente um ano, aqui, em Vitória da Conquista, estudantes do curso de comunicação social da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia se aglutinavam aos fins de semana para discutir sobre os posicionamentos da atual mídia hegemônica, bem como de possíveis soluções e meios para transformar a comunicação do país. Para a grande maioria, foi o primeiro contato com essas ramificações da comunicação, como o debate sobre a democratização da mesma, a qualidade de formação do comunicador, um estudo mais ampliado sobre as opressões, dentre varias outras coisas. As tais reuniões demarcavam não só um fluxo de consciência maior acerca da realidade do país, mas uma apresentação a temas que seriam abordados mais adiante, no Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecom) que, naquele ano, 2011, aconteceria em Belém do Pará.

Memes e a cultura da Web

Por Lucas Maciel

Ragefaces (Fonte: Reprodução) 
Quando você se sente sozinho, como definir sua situação? Você está solitário, abandonado ou é um forever alone? Algo muito constrangedor acaba de acontecer: você fica sem graça, sem saber o que fazer ou com uma poker face? Você acaba de pregar uma peça em um amigo: isso faz de você um engraçadinho, espertalhão ou um troll?

Os memes dominaram a Internet. Hoje, é possível expressar uma grande variedade de emoções através de expressões simples como okay, fuck yea, challenge accpeted, me gusta, etc. Mas a moda dos memes não se resume a essas expressões: vídeos, imagens e até gestos podem ser "memeficados".

Memes. O que são? De onde vêm? Como se reproduzem? Sexta no Globo Repórter. (Ou agora mesmo, n'O Rebucetê).

terça-feira, 26 de junho de 2012

O Rebucetê Indica: "Dona Canô chamou, eu vou"*

da Redação

Foto: Revista Rolling Stones Brasil
"Caetano, venha ver aquele preto que você gosta", assim dizia dona Canô, mãe dos Veloso, chamando o filho para prestigiar no aparelho de TV certa aparição. 

“Tropicalista sou eu” dizia seu pai médico que cuidava das doenças tropicais. Gilberto Gil era simplesmente... Poeta, ou simplesmente fora de classificação. Ai não só dos baianos se o mulato encafifasse na ideia de largar a música depois que ouvira Jorge Ben.Uma figura sensível ainda naqueles tempos participou da passeata contra guitarra elétrica, mais para segurar a mão de Elis e comprovar a amizade fiel do que por achar de fato que o instrumento representasse algum risco. Afinal, não foi o próprio Gil que subiu no palco com aqueles jovens miúdos, o tal dos Mutantes para entoar o rock na atmosfera de Domingo no Parque?

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O Teatro Mágico em Conquista

Assessoria/ Agência Vocevê



Foto: Divulgação

Circo, teatro, poesia, música e literatura. A vontade de fazer um sarau amplificado fez nascer O Teatro Mágico, projeto idealizado pelo músico e ator Fernando Anitelli em 2003, em Osasco, São Paulo. Do best seller "O Lobo da Estepe", do autor alemão Hermann Hesse, surgiu a inspiração para o nome da companhia musical que celebra oito anos de trabalho, com mais de 400 mil CDs vendidos e 120 mil cópias de DVDs comercializados, números expressivos para um grupo que sempre foi comprometido com a defesa do livre compartilhamento de músicas via internet. E os números não param por aí: são mais de seis milhões de downloads de obras da trupe, milhões de views no YouTube e incontáveis seguidores nas redes sociais.

Secos & Molhados, Legião Urbana, Chico Science, Zeca Baleiro e Raul Seixas são algumas sonoridades que fazem eco nas composições pop do grupo que sempre buscou a mistura de timbres e estilos diferentes para fazer a mágica da música acontecer. Com um extenso currículo de participação nos principais festivais de música do país e nos mais importantes programas da mídia nacional, Vitória da Conquista recebe, pela terceira vez, O Teatro Mágico para mais um emocionante espetáculo de luz, cores, malabares e fantasias. A trupe fará uma apresentação única, dia 30 de junho, às 20h, no Centro de Convenções Divaldo Franco.
 

domingo, 24 de junho de 2012

Diário de Bordo: Plongé em Black Gold*

Por Luiza Audaz
Colaboração: Indira Curcino

A estrada que comecei a desbravar na última quarta-feira (20), de Vitória da Conquista rumo à 7º Mostra de Cinema de Ouro Preto nas Minas Gerais, já inspirava, em todo seu percurso, um sentimento que, até então, achava apenas ser uma questão relativa à proximidade geográfica que há entre Conquista e Minas. Sempre ouvi pessoas comentando sobre o sotaque diferenciado que temos em nossa cidade, em relação às outras regiões da Bahia, e sobre um “quê” mineiro nessas terras próximas à divisa, mas ao tempo que a paisagem surgia ao longo da viagem e o clima frio e nostálgico das cidades ia se revelando, sentia que havia algo muito mais vívido entre o povo do sudoeste da Bahia e esta terra mineira.

De fato, depois de 14 horas de viagem com a turma do curso de Cinema e Audiovisual da UESB, chegamos de manhã, quinta-feira (21), na República Manicômio em Ouro Preto e, depois de uma troca de palavras com nossos anfitriões, já percebemos a surpresa estampada na cara dos mineiros que suspeitavam sobre nossa baianidade.

#4 Ronda d'O Rebucetê - Vila do Forró Pé-de-Serra do Peri Peri

Fomos à Praça Tancredo Neves conferir a Vila do Forró Pé de Serra do Peri-Peri, que começou no dia 20/06 e se encerra hoje, 24/06. A Vila é montada em frente ao Memorial Régis Pacheco, que neste ano homenageia o centenário do rei do baião, Luiz Gonzaga. Saiba mais na quarta Ronda d'O Rebucetê:

sexta-feira, 22 de junho de 2012

#3 Ronda d'O Rebucetê - Baile Tropidélico + Eva Nave

Gilvano Lima mais conhecido como DJ Macô, animou um seleto grupo de pessoas no Viela Sebo-Café no feriado de Corpus Christi, 7 de junho. No set, influências do mangue beat, pop tradicional, salsa e samba-rock. Na vibe de festa de camisa, o show de Magary Lord foi adorável, apesar das falhas técnicas ocorridas que interromperam o artista e sua banda por mais de cinco minutos; o palco se apagou e o público, sem problemas, caminhou para os bares, fazendo o que realmente importava: encher a cara. Passado o hiato técnico e após o retorno de Magary Lord para finalizar seu show, O Rebucetê partiu para o backstage a fim de entrevistá-lo. Sem contratempos, fizemos uma adorável entrevista com o artista que, como de costume, adorou e fez piadinha com o nome d’O Rebucetê. Uma das perguntas foi enviada pelo leitor Geraldo Antonio, estudante de Comunicação Social da UESB, através da promoção d'O Rebucetê no Eva Nave. Confiram!

O Rebucetê Indica: O lado quente do ser!

Coletivo Tietas do Agreste
Com o intuito de discutir e lutar pela pauta de todas as mulheres da classe operária do mundo, que sofrem diariamente com violências físicas e psicológicas de parceiros, familiares e desconhecidos, algumas mulheres da luta feminista de Vitória da Conquista, através de diálogos em comum resolveram por se organizar em um coletivo, ao qual deram o nome de “Tietas do Agreste”.
Compreendemos que a luta feminista é global e que deve respeitar a cultura e identidade local, nordestina, e por isso nos inspiramos na personagem de Jorge Amado.Tieta, inconformada com o lugar que lhe foi designado na sociedade, admitiu uma atitude de contestação e rebeldia, rompendo com os costumes e os valores da época, aspirando a liberdade de decidir seus próprios rumos!!!

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Diário de Bordo: Corre, que a luta é grande e a Terra não pode esperar!


Por Fran Ribeiro

Chego, desde o início da Cúpula dos Povos na Rio+20, às 9h da manhã na área da imprensa que fica ao lado do Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro do Flamengo. Com a Enseada da Glória ao fundo, começa a correria para montar a estrutura da TV Memória Latina, mais um projeto do Coletivo Tatuzaroio e que teve sua estréia com a cobertura especial da Cúpula. Início das atividades autogestionadas (livres), troca de experiências nos Territórios de Futuro, debates sobre o fim do uso da usinas nucleares, usinas hidroelétricas, siderúrgicas, desmistificações das ditas “energias limpas”, a revelação da farsa da energia verde, política que está sendo proposta pelos Chefes de Estado na Rio+20, pelo fim da mercantilização dos bens comuns, de corpos, mentes, da vida...calma, respira. Continua.

O ritmo das discussões e dos espaços acontece pela urgência da transformação, dos povos tomarem a frente de um processo que está vendido às grandes corporações, em razão do lucro. Tudo é privatizável. A lógica da economia verde é essa. E os debates e articulações feitas na Cúpula querem novos paradigmas de sociedade que sejam de bem comum do coletivo global, e não em favor do sistema. Todos os dias, mais de 15 mil participantes transitam entre as 36 tendas, cinco plenárias e exposições espalhadas nos 7 km do Aterro do Flamengo, além dos moradores do Rio, que também se fazem presentes na Conferência que reúne uma pluralidade de movimentos.

Rótulos são para geleias

Por Ana dos Anjos

Foto: Luiza Audaz
Um dia em 2010, no meio de uma festa bem “do babado” – cheia de gente e de meninos beijando meninos e meninas beijando meninas – já meio bêbada, comecei a trocar uma ideia com uma amiga minha que, na época, era amiga recente e eu não conhecia direito. Ela era super engajada, do movimento estudantil da universidade, e começou a pregar todo um discurso baseado em "adoro os homossexuais, só não curto o Gueto".

O que é gueto? Nesse caso, é aquele grupo de "viados", ou de "sapatões" que vivem andando juntos em todos os lugares, acabam indo sempre para o mesmo tipo de festa e, por consequência, convivendo mais com gente que tem a sexualidade igual à sua do que com heterossexuais.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Sempre o menino, xangô, da fogueira de São João...


 Por Ana Paula Marques, Mariana Kaoos e Rafael Flores

Foto: Ana Paula Marques
Nas rádios conquistenses o forró já é o ritmo predominante. Na Banca Central e lugares específicos de vendas de festas de camisa, o conglomerado de pessoas reunidas para comprar os ingressos de eventos como o Tico Mia em Ibicuí, o Forró do Bosque em Cruz das Almas e o Forró da Margarida em Jequié aumenta a cada dia. As bandas em ascensão que compoem a grade desses eventos vão desde Aviões do Forró a duplas sertanejas como João Bosco e Vinícius.

Com uma população que gira em torno de 350 mil habitantes e porte de cidade média em crescimento, Vitória da Conquista vem trilhando nos últimos anos um caminho diferente nas homenagens ao São João. Com um intuito de popularizar as tradições do festejo, a cidade agrega desde eventos promovidos pela Prefeitura Municipal como o concurso de quadrilhas juninas a festas pagas, mas que oferecem uma proposta diferente. Exemplo disso foi o Arraiá do espaço MiraFlores, ocorrido neste ultimo domingo, 17, e que teve como diferencial o público alvo, dessa vez composto pelas famílias.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Ronda d'O Rebucetê: Circulô Circulando – Balanços pessoais das noites conquistenses

Por Lucas Oliveira Dantas

Para quem ainda não sacou: a Ronda Rebucetê basicamente consiste numa cobertura em primeira pessoa de seja lá o que acontecer com O Rebucetê durante o final de semana. Neste formato em desenvolvimento constante, nós vamos aos lugares para sermos e fazermos aquilo que normalmente faríamos, com ou sem câmeras e gravadores nas mãos. Para os entendidos, é nossa tentativa de imersão particular no jornalismo gonzoNas coberturas da Ronda, apesar de haver direcionamentos prévios pelos quais partimos nas pautas, tudo pode mudar conforme o clima do lugar, das pessoas que o frequentam e, porque não admitir logo de cara, o nível de entorpecimento alcoólico jornalista.

domingo, 17 de junho de 2012

A Moda Brasileira Quer Falar Com a Presidenta e Eu Continuo Sem Saber O que É Moda

Por Lucas Oliveira Dantas

O maior indicativo cultural brasileiro é a televisão, especialmente sua novela: apareceu na novela, está na boca do povo. Por exemplo, os maiores hits internacionais que figuram nas programações radiofônicas são trilhas-sonoras de alguma novela do momento – vide Adele que, em menos de um ano, teve três músicas de seu álbum mais recente, "21", presentes em três telenovelas diferentes, tornando canções como “Rolling In The Deep” (Morde & Assopra, 2011) e “Someone Like You” (Fina Estampa, 2011) onipresentes em todos os playlists de busão Brasil afora.

Da mesma forma, a indústria de moda brasileira se populariza midiaticamente, quando o glamour, os bastidores de seu cotidiano, grandes nomes do design e, naturalmente, seus maiores faróis – as supermodelos –, são retratados nas novelas, seja de maneira direta (a caricata “Ti-Ti-Ti” ou Helena e Luciana de “Viver a Vida”) ou indireta (cada vez mais roupas saem frescas da passarela para as araras de figurino das telenovelas da Rede Globo).

O Rio de Janeiro continua Quente – uma premissa da Cúpula de TODOS os Povos

Por Maria Eduarda Carvalho


Dentro de um período de vivência em São Paulo eis que surgiu a oportunidade. Alguma correria e pouquíssimos dias depois cheguei ao Rio de Janeiro para fazer a cobertura da Cúpula dos Povos na Rio +20. O espaço de atividades auto-gestionadas vai discutir durante os próximos dias questões ambientais sob diferentes óticas.

Desconsiderando temporariamente os relatos de deslocamentos e espaços físicos, é importante chamar atenção para a importância do evento que não passa necessariamente pelo seu conceito básico. Mais interessante que os debates, as mesas, palestras, painéis e outras atividades de formação, é o fluxo de informação que corre com as pessoas. Não precisa dizer muito, ás vezes não precisa dizer nada, cada presente traz uma bagagem cultural imensa a ser decupada.

Os movimentos que compõem a Cúpula são o retrato do Brasil. Política, cultura, religião, informação, sociedade, dando a César o que é de Marco Antônio. Troca de emails, experiências e sugestões de pauta ao pedir uma referência geográfica. Aliás, e quem já não se perdeu por aqui? Talvez a má sinalização e a confusão de mais de 30 atividades simultâneas seja muito boa para estimular o convívio.

Nesse espaço de trocas naturais, atividades simultâneas e grandes expectativas é difícil, quase impossível, se comprometer com uma cobertura onipresente, mas os fragmentos que serão captados ao longo da programação vão aos poucos construindo a imagem do todo. O breve e - sem pé nem cabeça - relato era necessário para contextualizar e alinhar as mentes do que qualquer outra coisa.

E vou, vamos todos, com a cabeça fria, o pé quente e o coração bombando.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Diário de bordo paulistano: Comendo o ato

Mariana Kaoos
  
Foto: Divulgação
Uma das coisas que mais me chamou a atenção em São Paulo é que quando você vai ao cinema, ao museu ou ao teatro, você tem lugar marcado para sentar e isso é respeitado por todas as pessoas. Pois bem, no dia 13 de junho o Teatro Sergio Cardoso, localizado no bairro italiano Bixiga, deu início ao Cena Brasil Internacional, festival de teatro que, após uma temporada no Rio de Janeiro, trouxe a sua programação para a capital paulista e para Lorena, cidade do interior do estado.

Chego na portaria esperando a rebuceteira Maria Eduarda e logo me deparo com Ana Clara Rizério, que trabalha na produção do festival. Linda, com sapatilha de oncinha, cabelos vermelhos desbotados e um crachá no pescoço com sua foto, Clarinha sorri e vem me abraçar. Entre tragos de cigarro marlboro light, deixa-se confessar o quanto está feliz e realizada com essa correria do festival. "No Rio nós realizamos o Cena Brasil em quatro espaços na cidade. Foi muito trabalho, mas o público nos recepcionou de uma ótima maneira. O grande lance desse festival é que trabalhamos com quinze companhias teatrais do mundo todo e todas elas oferecem workshops umas às outras. Então para mim que estou na produção, é um aprendizado muito grande participar dos processos de composição do espetáculo e dos próprios atores".

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Amando Amado, amém

Por Mariana Kaoos

Foto: Mariana Kaoos
Era hora do recreio. Depois de tanto tempo fica difícil imaginar a estação do ano, mas fazia sol e os pássaros cantavam por entre as inúmeras árvores daquele colégio de freiras. A biblioteca era uma das melhores da cidade. A menina dera início à sua vida literária por lá, lendo a bibliografia de Paulo Coelho e mais alguns livros avulsos que lhes chamavam a atenção. Mas naquele recreio de sol ela decidiu fazer diferente. A menina morava em Ilhéus e quando pequena ia muito à roça de cacau da família, onde se deparava com os personagens e o mundo místico grapiúna. Naquela fatídica manhã, ela chegou para a "tia" loira da biblioteca de unhas vermelhas e que cheirava a cigarro e disse:

- Tia, hoje eu vou de Jorge Amado. Você tem Gabriela Cravo e Canela?

- Você esta maluca, menina? É claro que eu tenho Jorge Amado, todos os livros dele, por sinal. Mas eu não vou deixar você pegar nenhum não!

- E por que não?

- Porque você só tem dez anos de idade. Jorge Amado aborda temas muito sexuais e violentos e além disso, ele não é para você. Você não pode ler Jorge e pronto.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Diário de bordo: "Atenção às instruções de segurança, mesmo que você seja um passageiro frequente"

Por Fran Ribeiro


12 de junho, 04h45 da manhã e a chefe de tripulação, Gisele, me alerta para uma das principais alçadas da minha vida profissional (e da minha própria vida). "Pedimos a sua atenção para as demonstrações de segurança, mesmo que você seja um passageiro frequente."  

Devidamente acomodada na poltrona 27F, embarcava para encontrar a galera do Coletivo Tatuzaroio de Comunicação e Cultura para fazer parte da cobertura da Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, que acontece dos dias 15 a 23 de junho no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. 

Às 08h37 desembarquei no aeroporto do Galeão e sigo para o bairro do Lins para encontrar André Vieira, um dos fundadores do Tatuzaroio. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), junto com o chileno Sebastian Coll e mais uma equipe formada por comunicadores populares, fazem coberturas midiáticas das mobilizações sociais que não são televisionadas.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Sobre um romance que tive

Por Murillo Nonato

O coração vinha a boca, a mão suava, garganta seca. Me sentia ridículo, estúpido. O amor deixa a gente ridículo e estúpido. Alguém quer contestar? A cada encontro "ocasional" nosso por mim premeditado, todas essas sensações invariavelmente se repetiam. 

E foi num desses encontros premeditadamente ocasionais que o convidei para ir a minha casa. Coração na porta da boca, mãos suadas, garganta seca... O tempo parecia andar em slown motion. "Merda, ele vai dizer não, vai inventar alguma desculpa", pensei. Foi um "tudo bem" que ele me respondeu. Um "tudo bem" despreocupado e calmo.Garganta seca, mãos suadas, coração na boca... e agora? "Merda, ele aceitou". A resposta positiva só fizeram com que os sintomas da "paixonite aguda" se agravassem. Sentia os músculos se flexionarem, as pernas bambearem... Novos sintomas. O amor é uma doença crônica. Resolvi relaxar e me entregar as sensações. Pronto, eu era somente sensações, estava a flor da pele, entregue aquele romance que eu não sabia onde podia me levar - Mentira, eu sabia. Só não me importava com aquilo no exato momento - Eu era apenas sensações, irracional.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Diário de Bordo: O pote de ouro atrás do arco-íris

Por Mariana Kaoos e Maria Eduarda Carvalho (que não se encontraram na Parada Gay)

Foto: Mariana Kaoos
11:00 horas. Minha parada começou bem antes: pós-tv, discussão de pauta, o caminho pelas ruas até o metrô e dele até o MASP foi um nada se comparado a essa trajetória. Poucas pessoas em vista da multidão que ainda iria chegar.

13:00 horas presumíveis. Credenciais e todo o aparato tecnológico na mão. A baiana aqui nunca tinha subido em trio elétrico. E que sensação louca foi a de subir e ver aquele mar de pessoas literalmente coloridas, estando ou não cobertas pela bandeira com os tons do arco-íris. Um tanto de  gente tão intenso que não foi loucura pensar em me jogar, mas uma jornalista tem uma pauta a cobrir.

domingo, 10 de junho de 2012

"Quem canta sua aldeia, universaliza-se"

Por Ana Paula Marques e Rafael Flores

Xangai e Bule Bule/ Foto: Rafael Flores
A cidade já se enfeita e o cheiro de quentão já preenche todo o comércio, as mãos descascam amendoim e os ouvidos já percebem as homenagens a Gonzagão ecoando por aí. Junho já corre e Vitória da Conquista, como bom interior da Bahia, já arrasta o pé devagarinho. Na última sexta-feira, 08, na porta do Centro de Cultura, a presença do velho e doce Zé Baleiro, figura sempre presente nas portas de cinemas e teatros da cidade, anunciava que por ali acontecia algo bom. Lá dentro, Xangai, Bule-Bule e Juraildes da Cruz traziam a cultura popular do sertão pra sala de estar dos conquistenses.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

#25 Rebucetv - O Rebucetê Entrevista: Wado

O cantor alagoano Wado esteve em Vitória da Conquista no dia 12 de maio participando do projeto Noite Fora do Eixo, realizado pelo Coletivo Suíça Bahiana. Entre desabafos e a possibilidade de largar a música em busca de uma maior estabilidade, o ex integrante do grupo Fino Coletivo, que recentemente lançou o seu sexto cd solo, "Samba 808", conversou com O Rebucetê. Confira!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O Rebucetê Entrevista: Albino Rubim

Por Mariana Kaoos e Rafael Flores

Foto: Rafael Flores
Antônio Albino Rubim é Secretário de Cultura do Estado da Bahia, Professor Doutor em Sociologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA)  e especialista em política cultural. Tem mais de dez livros publicados com pesquisas e reflexões sobre as políticas culturais brasileiras e da Bahia, além de dezenas de artigos. Foi um dos criadores do curso de graduação em Produção Cultural da UFBA, um dos pioneiros da área no país. Albino também é um dos responsáveis por promover o Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult), o qual chega a sua oitava edição em 2012.  Em entrevista para “O Rebucetê”, o secretário nos tirou algumas dúvidas sobre o funcionamento da produção cultural no estado e comentou, dentre outros assuntos, sobre as novas formas de se fazer política e sobre o atual modelo do carnaval baiano.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Festival Rádio Rock: "De volta aos clássicos da Concha"

Por Thaís Pimenta

Foto: Letícia Portela
A organização havia prometido: “O evento começará às 16:00 horas, e seremos pontualíssimos”. No entanto, às 16:40 h o público ainda aguardava na praça Guadalajara, vulgo, praça da Normal. Grupos de amigos esperavam ansiosos pela abertura dos portões da Concha Acústica do Centro de Cultura de Vitória da Conquista, enquanto, ao poucos, a praça da Normal começava a ficar mais escura. O termo “escuro” refere-se ao tom das camisas daqueles que ali se reuniam, onde as estampas de bandas e all stars nos pés acabavam por compor o look rock'n'roll. O Festival Rádio Rock aconteceu no último domingo (03/06) e veio quebrar o jejum de mais de um ano sem um grande festival de rock no Centro de Cultura. O céu ganhou um tom alaranjado, indicando o findar da tarde e o começo do evento. Por volta das 17 h a primeira banda subiu ao palco. Enquanto o público entrava na concha, os rapazes da In Mundos já faziam um som pesado e as primeiras rodinhas punks, ainda tímidas, começavam a se formar. A banda que já tem cinco anos de história, trouxe ao palco algumas músicas autorais como “Índio  Pataxó” e “Saúde Zero”,  além de alguns covers de Dead Kennedys, Ramones, entre outras bandas.

#2 Ronda d'O Rebucetê - Noite Fora do Eixo

Quinta-feira, dia 31/05, foi dia de Noite Fora do Eixo e O Rebucetê, como de costume, esteve por lá para fazer a ronda. Achiles Neto com sua belíssima voz e com sua banda muito bem conectada brilharam no palco do Viela-Sebo Café com muito tempero do sertão baiano. Pirigulino Babilake foi a atração "de fora" da noite, os soteropolitanos juntaram as referências sertanejas, já jogadas no palco por Achiles, com os ventos suingados do litoral. As duas atrações tiraram todo fôlego, suor e voz do público desenhando uma bonita noite.

Campanha Rebuceteira: Pergunte pra eles!



E aí galera rebuceteira!

Naturalmente, O Rebucetê estará este sábado no Eva Nave cobrindo o evento ao vivo via instagram/twitter, além da nossa cobertura audiovisual pelo blog. Então, queremos saber de vocês, admiradores e fãs da Banda Eva e de Magary Lord, o que vocês gostariam de perguntar para eles.

Vocês podem participar via Twitter, Facebook ou pelo nosso canal no Youtube.

Youtube:
1. Inscreva-se no nosso canal, rebucetv.
2. Envie sua pergunta na seção de comentários do canal com a hashtag #entrevistaevanave
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1. Sigam nosso twitter @orebucete
2. Enviem sua pergunta com a hashtag #entrevistaevanave
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Selecionaremos as melhores perguntas para entrevistas com as bandas que serão gravadas e posteriormente lançadas no “rebucetv”. Então, participem e fiquem ligados para ver se sua pergunta foi escolhida.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Forro pé-de-serra é que é bom

Por Murillo Nonato

Foto: Lucas Dantas
Violão, zabumba, sanfona, triângulo e rédeas (rédeas? sim, rédeas) nas mãos. A banda Fulô Caatingueira, montada em uma carroça, saiu do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, localizado na Av. Olívia Flores em direção ao Viela Sebo-Café, no centro , para o seu primeiro show, no último sábado (02/06). Enfeitada com bandeirolas, o veículo passaria despercebido pelas ruas da cidade se não houvesse em cima uma banda tocando e cantando forró pé-de-serra. Os forrozeiros chamaram a atenção por onde passaram. Os carros buzinavam, dos prédios pessoas acenavam e do comércio vinham risadas. Todos olhando curiosos para a novidade.

domingo, 3 de junho de 2012

Estamos vendo alguma coisa acontecer

Por Mariana Kaoos

Foto: Luiza Audaz

Auditório cheio, luzes acesas. O primeiro sinal apita. O “pãaa” se faz ouvido por todos, causando certo ar de ansiedade no ambiente. As cortinas vermelhas ainda estão fechadas, mas algumas luzes começam a apagar. Olhando para o lado é possível avistar crianças de todos os tipos, com pipocas e chicletes nas mãos. A maioria com casacos, pois no teatro sempre faz um pouco de frio. “Pãa pãa”.  O segundo sinal ecoa pelo espaço, as luzes apagam um pouco mais, só que ainda se consegue observar olhos alheios cheios de brilho.  A gritaria aos poucos vai diminuindo. Como um chiclete nunca basta, colocam-se logo três de uma só vez na boca, de preferência daqueles que deixam a língua azul e dormente, impossibilitando de falarmos direito. E, como um estampido, o “pãa pãa pãa” finalmente apareceu. Todas as luzes se apagam, o silêncio é absoluto, as cortinas vermelhas aos poucos vão se abrindo. Nervosa, suando, com os olhos esbugalhados pego na mão de meu pai e aperto bem forte, feliz e impaciente para ver o que vai acontecer diante dos meus olhos.

sábado, 2 de junho de 2012

Pirigulino Babilake era o cara do farol?

Por Ana Paula Marques e Rafael Flores



Foto: Rafael Flores
Estava tudo muito baiano na última noite de quinta-feira, mais um vez preenchida por uma Noite Fora do Eixo. Achiles Neto com sua belíssima voz e com sua banda muito bem conectada brilharam no palco do Viela-Sebo Café com muito tempero do sertão baiano. Pirigulino Babilake foi a atração "de fora" da noite, os soteropolitanos juntaram as referências sertanejas, já jogadas no palco por Achiles, com os ventos suingados do litoral. As duas atrações tiraram todo fôlego, suor e voz do público desenhando uma bonita noite.


Esperamos até o fim da noite, para conversar com Pietro Leal, vocalista da banda Pirigulino Babilake, a  qual tem aproximadamente sete anos de carreira. Com um álbum autoral, intitulado “Rosa Fubá”, gravado há um pouco mais de dois anos, a banda cativa o público conquistense cada vez que toca na cidade. “A gente desenterra todas as blusas de frio do guarda-roupa pra vim pra Conquista”, brincou Pietro de cima do palco, mostrando o quanto eles se sentem à vontade com o público, o qual sempre lota o Viela Sebo-Café quando a banda passa por aqui.


Pietro, que já não estava de blusa de frio devido ao calor que o público provocou, falou sobre o novo álbum da banda, "Quarto Crescente", o qual está em processo de gravação e contou também curiosidades sobre a relação da banda com o eterno poeta e novo baiano Luiz Galvão e com as outras bandas do cenário  independente de Salvador.