terça-feira, 13 de novembro de 2012

Cine Rebu


O Rebucetê está estreando um novo quadro! O Cine Rebu surge com a proposta de resgatar os curtas metragens realizados de forma independente ou em laboratórios universitários com o intuito de dar a esses produtos, que geralmente tem pouca circulação, uma maior visibilidade. O quadro será publicado todas as terças e será alimentado através da demanda espontânea dos diretores/autores dos curtas que estiverem interessados em enviar seu produto.

E as novidades não param por aqui. Dentre os curta metragens publicados no quadro até o final de fevereiro, serão escolhido pelos leitores do blog os cinco melhores e estes serão exibidos na Mostra Gaguinho de Cinema, a ser realizada no mês de março. A mostra será realizada como intervenções urbanas, principalmente em bairros periféricos de Vitória da Conquista, ocupando esses espaços e levando até esse público o acesso ao cinema.

Como Participar?
Para participar basta mandar seu curta para o e-mail: orebucete@gmail.com 

Programação de Hoje 

No Cine Rebu de hoje apreciaremos as animações da cearense Tatiana Lourenço Moreira, da Universidade Federal do Ceará (UFC). Confiram abaixo: 


NINA E NINO



Gênero: Animação
Diretor: Tatiana Lourenço Moreira
Duração: 2:41 min Ano: 2012
País: Brasil    Local de Produção: Ceará
Cor: Colorido

Sinopse: Nina é uma garota vaidosa que adora dançar em frente ao espelho do seu quarto. Nino é o seu irmão e acha sua coreografia bizarra. Isso faz com que ela se desanime. Porém, Nino não tem a intenção de magoá-la e procura uma forma de se desculpar e de fazê-la dançar alegremente como antes.


VIDA EM BICOS




Gênero: Animação
Diretor: Tatiana Lourenço Moreira
Duração: 2:21 min Ano: 2012 
País: Brasil   Local de Produção: Ceará
Cor: Colorido


Sinopse: Vida em Bicos é a retratação do humano em pássaro. Alguns monumentos e locais históricos da capital do Ceará, Fortaleza, fazem parte do cenário. O curta metragem mostra o decorrer da vida social comum dos indivíduos da sociedade, seus fracassos e sucessos, sortes e azares. Acima de tudo, apresenta o amor e a família como base da felicidade desejada por muitos de nós. Em becos com e sem saídas, o pássaro nos leva a reflexão dos rumos presentes durante a vida.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O Rebucetê Entrevista: Magary Lord

Por Thaís Pimenta


Imagem: Divulgação


Quem não se lembra da explosão, no verão passado, das mãozinhas para cima fazendo o movimento de círculo ou do passo que joga o joelho pra dentro e pra fora? Essas são as marcas registradas das coreografias das músicas 'Circulô' e 'Inventando Moda', do soteropolitano Magary Lord. O cantor e compositor inovou trazendo de Angola um ritmo chamando Semba e fundindo-o com o Black Music; daí surgiu o Black Semba, que vem deixando "todo mundo se sentindo massa". Em suas músicas dançantes há uma forte relação com a africanidade. 



Nesse último sábado (10), Magary Lord foi atração principal da comemoração dos 172 anos de Vitória da Conquista. A festa, que também contou com shows do grupo Complexo Ragga e da banda Abadada, foi realizada na praça Barão do Rio Branco, no centro da cidade. Conquista foi presenteada com lançamento de 'Tum Ba Tá', música nova do cantor baiano e uma das apostas para virar hit do próximo verão. 

Minutos antes de sua apresentação, Magary conversou com O Rebucetê. Na conversa falou um pouco sobre o Black Semba, a lei anti-baixaria, a relação Brasil-África-Bahia e sobre o clipe da música "Tum Ba Tá". O resultado desse bate-papo cheio de suingue, você confere agora:

O Rebucetê: Nos conte como foi o processo de fusão do Black Music com o Semba.


Magary Lord: A minha sonoridade é raiz, é a raiz black, a raiz semba, é a raiz que traz a linguagem nova, que remete à África, as funções rítmicas. Eu, como músico percusionista, comecei a pesquisar. Então, a percusão abriu as portas de outros rítmos, me levou a essa fusão que é o Black Semba. Um ritmo novo criado por mim. O Black Semba é a música da alegria, para todas as idades, para criança, pra jovem, adulto, todo mundo dança, todo mundo pode ouvir. E a ideia também é fazer uma música pra colaborar com a Bahia, sua cultura, a cultura do Brasil.


OR: Magary Lord tem um ritmo dançante, e apesar disso suas letras não são ofensivas, se enquadrando na Lei Anti-Baixaria. No processo de composição, há uma preocupação nesse sentindo?



ML: Nós nos preocupamos em fazer uma letra mais modesta, que fale de alegria, para todas as idades. A dança também é uma dança antiga. Uma dança de raiz que é o Semba, e que não é vulgar, agressiva. Imagine cada um conseguir se expressar do que jeito que você quer dançar, uma coisa mais linda. Então, sem preconceito, "você dança assim, dança assado"! Cada um pode dançar como o corpo fala e de maneira não ofensiva.

OR: Os seus maiores sucessos, 'Circulô' e 'Inventando Moda', ambos vêm acompanhados por coereografia, "um passinho". Optar por lançar música-coerografia é uma estratégia para virar hit?



ML: Quando a música vem com uma coreografia ela vem mais forte, né? A música de balanço tem que ter coreografia. Ainda mais na Bahia, quando ela tem uma coreografia ela fica mais forte no carnaval e pega mais rápido, até porquê carnaval é movimento. Então quando começou com o 'Circulô', que era o movimento de mãozinha em cima circulando, com a energia que fala de amor, da química que bateu. Depois veio a 'Inventando Moda' também, que é o passo para o joelhinho pra mexer com seu corpo. É isso, a galera deixa de ir pra academia pra vir pro Black Semba. (Risos)

OR: Recentemente, você fez uma participação especial no documentário “África visita África”, do diretor João Guerra. Qual sua opinião sobre essa relação Brasil-Africa- Bahia?



ML: Acho que é a relação mais perfeita que existe. E isso porque o Brasil é Africa, né? Símbolo da miscigenação total. E eu acho que pode-se introduzir mais ainda essa experiência, esse intercâmbio cultural e poder trazer mais a África pra Bahia, e a Bahia pra África.

OR: Falando sobre as apostas do próximo verão, você lançou essa semana o clip da música 'Tum Ba Tá', gravado no bairro Engenho Velho, em Salvador, onde você cresceu. Nos conte um pouco sobre a experiência e os elementos africanos do clipe.



ML: No clipe vou tá trazendo a África em peso. É África, é a dança, é o movimento, é a manisfestação de rua, nos bairros, nos guetos. Pra que fazer um clipe no iate ou em um carrão, se não é a realidade, de onde eu vim? Então eu venho trazer a minha verdade, a minha música, a minha dança, o meu corpo. Foi no Engenho Velho onde eu passei parte do meu crescimento, já com filhos também. E agora eu quis lá voltar para captar as imagens e a realidade da minha vida. Captar as imagens do gueto, da comunidade, que é a laje, as favelas, as vielas. 

Conquista participa de circuito de exibições do Dia Internacional da Animação


Da Redação*

Imagem: Animação "Mentiras são contadas em Julho"

Integrando as ações do Dia Internacional da Animação, Vitória da Conquista participa pela primeira vez do circuito que comemora a data em mais 30 países. No Brasil, o evento foi lançado pela Associação Internacional do Filme de Animação (ASIFA) e conta com o apoio de diferentes grupos internacionais filiados e da Petrobras, levando as exibições para mais de 200 cidades brasileiras. O DIA é considerado o maior evento do gênero no país e tem como principal objetivo difundir o cinema de animação, atraindo novos públicos e proporcionando o acesso ao cinema. Em 2012 foram escritos cerca de 80 curtas, de vários estados diferentes e destes foram selecionados 12 para compor a grade de programação oficial.

As sessões são gratuitas e serão exibidas no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, até o dia 14 de novembro. 

Confiram os horários:

10:00- Filmes com audiodescrição para pessoas com deficiência visual
11:00 - Filmes com legendas para deficientes auditivos
15:00 - Filmes com classificação livre
19:30 - Filmes destinados para maiores de 14 anos

Especial Dia Mundial do Hip Hop

Da Redação*

Dia 12 de novembro é dedicado ao Hip Hop e nós d' O Rebucetê relembraremos agora alguma das nossas matérias que trazem um pouco da bagagem da cultura das ruas no Brasil e em Vitória da Conquista.

A música que ainda mete o dedo na ferida

Emicida no Festival Suíça Bahiana 2011/ Foto: Rafael Flores
No 13 de maio, aniversário da Abolição da Escravatura, o jovem negro Emicida mostrou que o Hip Hop, criado nos guetos jamaicanos em Nova York, funciona muito bem como um megafone para a situação social em que o nosso país se encontra.  Já dizia Chico Science, também influenciado pelo Hip Hop   pernambucano: "eu me organizando posso desorganizar". O movimento tem se organizado cada vez mais e os seus militantes têm toda razão quando caracterizam o movimento como uma arma. Entretanto, políticas públicas para a cultura são escassas, ainda mais se tratando de políticas que abracem a cultura da periferia da margem; e essa mobilização dos jovens de periferia em torno da arte talvez não tenha tanto alcance enquanto os moldes educacionais, políticos e culturais continuarem estáticos e presos ao atual modelo de Estado. 


As mina, pá!

Dina Di/ Imagem: Google
O rap com um toque de feminilidade no som das rimas, passou a não apenas destacar as lutas cotidianas da mulher da atualidade, como também iniciaram um movimento contra a infelicidade, tornando as letras mais acessíveis e plurais. As MC’s, cada uma com sua história de vida,  estão fazendo um trabalho no qual merecem “máximo respeito”. Entre tantas, podemos destacar as paulistas Negra Li e Lurdez da Luz, a brasiliense Flora Matos, as curitibanas Karol Conká e Nathy MC e a carioca Nega Gizza.


Ao som do raggamuffin a noitada nunca perde a graça

Cultura Sound System em Vitória da Conquista/ Foto: Rafael Flores
A cultura sound system, que engloba outros ritmos como o hip hop, dub stereo, rap e reggae nasceu na Jamaica entre o início da década de 1950. O raggamuffin (termo usado pela juventude de Kingston-Jamaica para se referir ao ritmo da música) veio aparecer somente a partir de 1980 através de Wayne Smith.. Aqui no Brasil existem pontos específicos de produção e consumo do ragga dancehall (é muito comum associar os termos raggamuffin e dancehall como se fossem a mesma coisa, porém, enquanto o primeiro faz referência a forma de se cantar, o dancehall significa o ritmo, as batida e a musicalidade do som). Curitiba, São Paulo, Brasilia, Salvador e Vitória da Conquista são algumas cidade que possuem nomes já consolidados como Bemba Trio, Miss Ivy, Sacal, Ministereo Público e Daganja. A maioria desses nomes já incendiaram noites em Conquista junto com o Complexo.


Vamos cada vez mais semear a cultura das ruas, a cultura que salva, preservando a diversidade e lutando pela justiça! #PeriferiaTambémFazCultura

domingo, 11 de novembro de 2012

Última noite de Festival Lado BA em Salvador | Com Orquestra Contemporânea de Olinda e Cidadão Instigado

Por Ana Paula Marques e Rafael Flores

Foto: Rafael Flores
A segunda e última noite do Festival Lado BA em Salvador recebeu ontem, 10, uma miscelânea de sons e tribos. O ponto de cultura Cine Solar Boa Vista, localizado no Engenho velho de Brotas, foi palco para o Coletivo Di Tambor (BA), a sanfoneira Lívia Mattos (BA), a Orquestra Contemporânea de Olinda (PE) e a Cidadão Instigado (CE).

Nascido no nordeste de Amaralina em Salvador, o Coletivo di Tambor é comandado pelo percussionista Mamá Soarez e acompanhado por Tiago da Lua, Barraca Black e Capacete. O grupo tem a percussão como base e mistura ritmos como o drum'and'bass e beat black com o samba, o axé e o ijexá, além de carimbó, merengue e música africana. A abertura da noite foi um convite para o público dançar.

Logo após a saída dos tambores, Lívia Mattos subiu ao palco com sua sanfona e sua voz doce, mostrando influências nordestinas e circenses. A baiana, cantora e compositora, apresentou um charmoso show, enquanto o público ia preenchendo os poucos espaços vazios do anfiteatro. Nos intervalos entre um show e outro, o foyer do Cine Solar recebia discotecagem dos dj`s do projeto Noz Moscada.

Foto: Rafael Flores
Já com a casa lotada, subiu ao palco uma das mais esperadas atrações da noite e do Festival Lado BA. A Orquestra Contemporânea de Olinda, formada por Ivan (sax e flauta), Maciel Salú (rabeca e voz), Hugo Gila (baixo e microkorn), Juliano Holanda (guitarra), Tiné (voz e percussão), Rapha B (bateria), Roque Netto (trompete e flugelhorn), Babá do Trombone (trombone), Alex Santana (tuba) e Gilú (voz),  trouxe o show do mais novo disco, "Pra Ficar", produzido pelo maestro Arto Lindsay. O novo trabalho é um resumo da moderna música pop pernambucana, com influências afro cubanas e está disponível para download na internet. "A gente botou o disco na internet, pois além das rádios não tocarem nossas músicas acho que esse é o melhor caminho, a internet hoje é um grande meio de comunicação para as pessoas que não tem acesso aos produtos da chamada mídia de massa", afirmou Maciel Salú. A produção do grupo olindense ainda nos apontou para a possibilidade de uma apresentação em Vitória da Conquista ainda no final deste ano.

Para fazer o download do álbum "Pra Ficar" da Orquestra Contemporânea de Olinda acesse: http://www.orquestraolinda.com.br/

Foto: Rafael Flores
A última banda a passar pelo festival foi a cearense Cidadão Instigado, com seu rock n`roll cheio de entrelinhas e letras cabeçudas. Liderada por Fernando Catatau, um dos mais aclamados guitarristas do país, a banda ainda é formada por Régis Damasceno (guitarra), Clayton Martin (bateria), Rian Batista (baixo e voz) e Dustan Gall (teclado). Cidadão Instigado está em processo de gravação de um novo álbum, que, segundo Catatau, será lançado no primeiro semestre do próximo ano. Ao ser indagado da importância de festivais como o Lado BA para a criação de redes e circulação de artistas, Catatau ainda diz: "Já tivemos problemas com festivais, mas hoje onde o povo chama a gente vai!". Então, produtores de Vitória da Conquista, fica a deixa.

Um banho de Bahia


Por Thaís Pimenta

Vitória da Conquista, em sua comemoração de 172 anos, abriu alas para malemolência, passinhos de rap, jogo de cintura e a "dobradinha de joelhos". No comando da festa, o grupo Complexo Raggal, banda Abadada e o soteropolitano, Magary Lord. Nessa noite de 10 de novembro, a praça Barão do Rio Branco literalmente "tomou um banho de Bahia".

O íncio das apresentações era previsto para às 20:00 hrs, mas começou com cerca de uma hora de atraso. Tudo bem, o público releva, até porquê estava por vir uma das noites mais dançantes que a cidade já teve.

Complexo Raggal e Aíla, Queen do dancehall. Foto: SecomPMVC/Emanuel Nem Moraes.
O primeiro grupo a se apresentar foi o Complexo Raggal, vencedor do prêmio Suiça Bahiana como artista do ano da cidade. Joãozinho, Mc Supremo e Tereza Raquel no vocal, e na mixagem Dj Loro Vodoo, fazendo todo mundo dançar com seu som. Ragga é uma mistura de rap, reggae, hip-hop, e assim uma de suas letras diz é "(...)som é de protesto mas é pra dançar também". E se o assunto é dança, não poderia faltar a participação especial da "musa” ou “queen”, Aila Maçal, aquela que nos deixa integrados questionando se sua performance é ensaiada ou apenas improviso. Seja qual for a resposta, viajo em seu requebrado.

O vacalista da banda Abadaba que levou o público ao delírio. Foto: SecomPMVC/Emanuel Nem Moraes.
E o gingado no corpo não pára por aí, aliás, estava apenas começando. Abadaba, também da cidade, entrou no palco logo em seguida, e não deixou a vibe positiva cair. Com um axé dançante, a banda relembrou grandes hits baianos e  não deixou ninguém parado. Já no palco o vocalista confessou: "eu sempre tenho que rebolar nos shows", e seguiu com remexido que levou o  público ao delirio. 

Magary Lord e a dança do joelho que arrasta multidões. Foto: SecomPMVC/Emanuel Nem Moraes.

O "Yeba, Yeba", já anúnciava, era hora de inventar moda e jogar o joelho pra dentro e pra fora. Magary Lord, entrou no palco convidando Conquista à dançar: "Vem cá, pode chegar, deixa de besteira, sou todo seu, todo seu!". Em sua segunda apresentação na cidade, Magary  com sua mistura de semba (ritmo de angola) e a black music, deixou "todo mundo se sentindo massa". No repertório os hits do verão passado, 'Circulou', "Joelho", e é claro o "Inventando Moda". Mas também rolou novidade, nossa cidade foi presenteada com o lançamento de “Tumbatá”, música nova do cantor baiano e uma das apostas para virar hit do próximo verão. O clipe da música foi disponibilizado a menos de uma semana nas redes socias, e o novo passinho promete pegar. Vitória da Conquista já aprendeu. 

Ao final da noite, pessoas de terno, gravata, blusa de prata, bermuda abaixo do joelho, do jeito que quiser, homem e mulher, todos se renderam ao suingue baiano. E Vitória da Conquista, cidade do frio e pop rock, foi tomada por uma clima de verão e axé. "Estanho, hein?" ;)

Fiquem ligados! Em Breve, entrevista exclusiva com Magary Lord aqui no blog.

sábado, 10 de novembro de 2012

Bemba Trio e Curumin são destaques na primeira noite de Festival Lado BA

Por Rafael Flores e Ana Paula Marques


Rádio Mundi/ Foto: Rafael Flores
O Cine Teatro Solar Boa Vista, em Brotas, Salvador, recebeu ontem a primeira noite do Festival Lado BA - Musica e Processos Colaborativos. Passaram pelo palco as atracoes Radio Mundi (BA), Duo Finlândia (ARG/BR), Bemba Trio (BA) e Curumin (SP). O evento é realizado pela Maquinário Produções, responsável pelo eixo de circulação da Rede Motiva – rede que integra o programa Conexão Vivo.

Com o publico recém chegado, a abertura do evento ficou por conta da Radio Mundi. A banda conta com os vocais de Vince de Mira, ex-Lampironicos e um dos gestores do eixo de criação e produção da Rede Motiva. Apresentando as músicas dos seus dois trabalhos e demonstrando referências que passam pelo dub, afrobeat, samba e um pouco da cultura popular brasileira, a performance da Radio Mundi impressiona.

Finlândia/ Foto: Rafael Flores
Apesar de ser composto apenas por um brasileiro e um argentino, Raphael Evangelista e Mauricio Candussi, o duo Finlândia, segundo a se apresentar no festival, encheu a sala do teatro de energias panamericanas. O público começou tímido e silencioso, prestando atenção nos sons que a dupla fazia, mas quando um gringo caiu na dança, ninguém mais se segurou. A dupla sustenta um ritmo de circulação muito intenso, só a título de exemplo no início da manhã deste mesmo dia, eles estavam em Caxias do Sul (RS). Para Raphael Evangelista isto é essencial: “A gente entrou nessa de circulação não só pelo contato com as redes e produtores, mas também porque isso é necessário pra fazer o carro andar né?”, afirma. A partir disso que surge o quarto disco do Duo, o “Dale!!”, com participações e parcerias com artistas de diferentes partes do mundo.


Bemba Trio/ Foto: Rafael Flores
A cultura soundystem é mesmo forte na Bahia, é o que provam os soteropolitanos do Bemba Trio. Com o show mais lotado e quente da noite, Russo Passapusso, Fael 1º e Dj Raiz fizeram o anfiteatro passar mal de tanta “ziguizira”. Passapusso constantemente pedia para o técnico de luz escurecer o ambiente, passando a ser iluminado apenas pelos isqueiros e celulares. O trio valoriza a cultura nacional, principalmente a de origem na periferia, pois além de utilizar timbres e efeitos típicos do soundsystem,  homenageam ritmos como o samba-reggae e o funk carioca.

O encerramento da noite ficou nas mãos de Curumin, paulista que já tem o seu nome cravado na nova música brasileira, sendo referência no exterior. Náo tão apertado quanto no show do Bemba, o teatro se tornou uma confortável pista de dança. Todos estavam muito a vontade, tanto o público, quanto o artista. que apresentou as músicas do seu mais recente trabalho, “Arrocha” (2012), mesclado com seus outros dois álbuns, “Achados e Perdidos” (2002) e “Japan Pop Show” (2008). Russo Passapusso foi convidado ao palco para cantar “Afoxoque” e “Passarinho”, músicas que compuseram em parceria. Para Curumin, a Bahia representa uma boa porcentagem da sua influência musical. “Acho que é por essa coisa de fazer a música tanto para o ouvido quanto para o corpo”, explica.  

Outras Conexões

“A música sozinha não gera o mesmo impacto do que quando integrada com outras linguagens e com açoes voltadas para a sustentabilidade de um espaco”, é o que diz Vince de Mira sobre “Música e Processos Colaborativos”, subtítulo do evento. A música, nesse caso, serve como catalisadora de transformações sociais. Em 2012, a Rede Motiva organiza uma rota de sustentabilidade para os artistas de outros estados, calendarizando festivais como o Umbuzada Sonora, em Juazeiro e o Stereo Sul, em Itacaré. No final do ano, Vitória da Conquista também recebe a terceira edição do Festival Avuador. “A gente já está conversando com o Curumin sobre essa extensão da rota, pra ele fazer em Itacaré e Vitória da Conquista, que acontecem no mesmo final de semana. A gente ainda está ajustando algumas parcerias com o Avuador, pra ver se a gente consegue fazer esse ano na Praça Barão do Rio Branco e conseguir um público maior”, reforça Vince.

Curumin/ Foto: Rafael Flores


Confira a programaçao deste sábado, 10 de novembro, última noite do Festival Lado BA em Salvador:

Atrações - Livia Mattos (BA), Coletivo di Tambor (BA), Cidadão Instigado (CE/SP), Orquestra Contemporânea de Olinda (PE)
Onde - Cine Teatro Solar Boa Vista, Engenho Velho de Brotas, Salvador
Preço - R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

Confira as fotos de Rafael Flores: http://tinyurl.com/ateqhyc