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sábado, 8 de dezembro de 2012

[#FSB2012] Respeita os loco de Conquista

A primeira noite do Festival Suíça Bahiana - #FSB2012 foi marcada por um ótimo desempenho das bandas locais e uma Cone Crew Diretoria que deixou a desejar.

Por Mariana Kaoos e Maria Eduarda Carvalho

Complexo Ragga/ Foto: Luiza Audaz

Tendo chegado à sua terceira edição, o Festival Suiça Bahiana, que esse ano ocorre na Arena Miraflores, apostou em um misto de atrações locais com grupos de fora. Quem compôs a noite de sexta feira foi o sambista Achiles Neto, seguido pelo grupo soteropolitano de pop rock Scambo, os regueiros do Diamba, Complexo Ragga e o grupo de rap carioca Cone Crew Diretoria.

De acordo com o produtor cultural do evento, Gilmar Dantas, “o critério de escolha das atrações foi de acordo com o que, de fato, está em evidência na cena cultural da cidade e do país. Um retrato do que é a cena nacional. O rock perdeu espaço e por isso não foi nosso foco esse ano. Resolvemos dar vazão para os estilos que têm potencial inovador como o hip hop e o ragga”.

Achiles Neto ainda passava o som quando os portões foram abertos para o público, por volta das 21h. As cervejas (a um preço de R$3,00 a lata) e as comidas (salgados, pizzas e espetinhos) já estavam no ponto, só não a produção do festival, que pareceu meio dispersa com essa questão de horários, mal informando ao público que o primeiro show ainda não havia começado.

Achiles Neto/ Foto: Henrique de Eça
Sanado esse problema, Achiles e sua banda abriram a noite com chave de ouro. Com músicas autorais e fazendo referência a grandes artistas como João Bosco, Gonzaguinha e Dorival Caymmi, o cantor emocionou as pessoas presentes, como também as fez tirar o pé do chão. A qualidade e concretude do seu trabalho é visível através de músicas como “Cocoa”, “João do BNH” e “Dafé”. Ele, sem dúvidas foi uma das melhores surpresas da noite.

Logo após sua apresentação, foi a vez de Scambo subir ao palco. Podia-se notar grande contingente de fãs, que ocuparam toda a frente do espaço dançando e pulando ao som de músicas autorais da banda, como “A Carne dos Deuses” e “Janela”, e conhecidos covers como “Muito Romântico”, de Caetano Veloso.

Pedro Pondé, vocalista da Scambo, com sua interpretação visceral, arrepiou a todos com “Carcará”, composição de João do Vale e Zé Keti. Em entrevista exclusiva para O Rebucetê, em agosto desse ano, Pedro explicou de onde vem a sua ótima performance no palco. “Minha formação é de teatro e até hoje eu encaro a música como teatro, até pra compor, pra cantar, e isso tá muito impregnado. Eu me sinto mais ator até do que cantor, eu acho que sou um ator cantando e não um cantor atuando”.

Diamba foi a terceira banda a tocar na noite. Muito energético, o vocalista Duda Sepúlveda balançava orgulhosamente seus dreads, cantando seu reggae com letras de conscientização e, como o próprio Duda define, “de mensagem que faz vibrar positivamente”. A banda fez um show em sua maior parte autoral, tocando canções do quarto álbum de estúdio, “Fraternidade Musical”, além de covers internacionais.

Entre meia noite e uma hora da manhã, os meninos do Complexo Ragga chegaram com tudo, incendiando a pista, colocando todo mundo para se remexer. Ao longo desse ano, o grupo vem ocupando todos os espaços da cidade, que vão desde a grandes festivais como o Festival da Juventude, às ditas “periferias”.

Supremo MC, JG Black e o Loroo Voodo, fizeram um show focando na essência dos mesmos, abordando em suas músicas fatos do cotidiano de cada um. “Sensimilla” e “Poder da Palavra” foram alguns dos hits que eles tocaram. Decididamente, o Complexo foi o melhor da noite, pela qualidade do som e pela humildade e boa energia com que eles levaram toda a apresentação.

Encerrando a noite, a atração mais esperada, Cone Crew Diretoria subiu ao palco e surpreendeu. Infelizmente a surpresa foi negativa, “os muleque” chamaram mais atenção pelas pérolas soltadas no palco do que pela música em si. O discurso que incluía ofensas a música sertaneja, atingiu até a própria presidenta da república num suposto ato de rebeldia que na verdade mostrou um discurso vazio com muita agressividade e pouco conteúdo.

Os problemas com a banda se estenderam ao backstage. A Cone Crew, que no palco canta a plenos pulmões “foda-se a tv”, restringiu o acesso e somente a emissora MTV, que acompanhava o grupo, pode fazer o seu trabalho. O show, como todo o resto, deu a sensação de que não passava de um grande circo midiático onde meia dúzia de meninos aprontava gracinhas para a câmera da tevê. Uma pena.

A primeira noite de Festival Suíça Bahiana foi sem dúvida brilhante por conta das atrações locais. Achiles Neto e a banda Complexo Ragga mostraram no palco um trabalho de qualidade igual ou superior as ditas atrações nacionais.

Scambo/ Foto: Luiza Audaz

O festival encerra os trabalhos do Coletivo durante o ano e na noite de sexta-feira mostrou bem um resumo do que viveu a cena alternativa de Vitória da Conquista. Ano de mais espaço para as culturas do rap, hip hop, sem dúvida memorável para o ragga e com uma forte presença das bandas soteropolitanas, como Scambo e Diamba.

Se em 2011 a aposta era os novíssimos baianos entitulados pelas bandas Maglore e Os Barcos, 2012 foi o ano do dancehall. Mas não acabou ainda, hoje tem muito mais na Arena Miraflores com Pouca Vogal, Vivendo do Ócio, Shadowside e Na Terra de Oz.

[#FSB2012] O Rebucetê Entrevista: Complexo Ragga

Só os sábios fazem a meditação. O Rebucetê está na Arena Miraflores acompanhando tudo do Festival Suíça Bahiana 2012. Já já o Complexo Ragga sobe no palco da Arena Miraflores, mas já conversamos com eles. Confira!

Por Mariana Kaoos


Foto: Divulgação

Para quem já está no clima do verão, é só chegar junto! A primeira noite do Festival Suíça Bahiana 2012 (FSB2012) está bombando e ainda tem mais.

Quem chega com tudo agora é o Complexo Ragga, grupo conquistense que vem agitando a cidade, ocupando espaços que vão desde a periferia aos grandes festivais - como o Festival da Juventude, ocorrido em maio desse ano.

No backstage da Arena Miraflores nós conversamos com eles sobre 2012 e o fim do mundo.

#boomboomclap

***

O Rebucetê: Esse ano o Complexo Ragga saiu da “música de gueto” para ocupar outros espaços da cidade, como o Festival da Juventude e aniversário da cidade. Como vocês estão se sentindo?

Complexo Ragga: A essência do gueto nunca se perde. Seja onde for, nós levamos nossa cultura do gueto. Então é muito bom a gente tá tendo esse contato com outros tipos de público, podendo levar a nossa essência mais pura.

OR: O que faz a música de gueto ser tão atraente e estar dominando toda a cidade?

CR:  A originalidade. A verdade exposta em cada verso, em cada beat que selecionamos para tocar. Na verdade, a música vai além da ideia de tocar pra boy ou pra favela, ela não tem esse limite. Nós cantamos a nossa realidade e muitas pessoas, independente de classe social acabam se identificando. Nosso propósito é a diversão sempre.

OR: 2012 foi ano de decisões políticas. Os candidatos exibiram suas propostas, inclusive no âmbito cultural. Como vocês, produtores e consumidores de cultura avaliam os investimentos culturais até agora? O que está faltando e o que pode melhorar?

CR: Acreditamos que em nível nacional e de Bahia a coisa pode melhorar muito. Vitória da Conquista vem dando vários passos à frente de outros lugares, inclusive pelas bandas que a prefeitura se propõe a trazer. Não são apenas bandas de divulgação massiva em rádio, mas com qualidade, com algo a mais.

OR: Hoje vocês tocam no Festival Suíça Bahiana e no sábado tocam à tarde, em um espaço perto da Dilly Calçados. Por que é qual a importância de descentralizar os eventos dentro de Vitória da Conquista?

CR: Tudo que a gente fala são coisas da nossa vivência, nosso cotidiano. Acreditamos que a galera se identifica com as mesmas idéias e por isso deu certo. A gente faz som onde é necessário. Levamos a nossa música independente de ser em clube, em praça ou em periferia.

OR: Em 2011, vocês estiveram aqui n Festival apenas enquanto público. Agora em vocês sobem aos palcos para mostrar um pouco do som de vocês. O que mudou para o grupo de um ano pra cá? 

CR: O trabalho da gente dando resultado. Qualidade e humildade são a base de tudo.

OR: E esse fim do mundo, vai rolar? O que o Complexo Ragga está planejando?

CR: Tacar fogo!!!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Confira a grade de atrações do Natal da Cidade 2012

Grade completa foi anunciada nesta terça-feira (20), em um coletiva de imprensa que reuniu representantes políticos e culturais de Vitória da Conquista

Por Ana Paula Marques e Rafael Flores





O Natal da Cidade é considerado um dos maiores eventos do interior da Bahia e do Brasil no mês de dezembro. 
Com 16 anos de existência, ele tem a proposta de mesclar a valorização da cultura e da tradição folclórica da nossa região com a boa música, crescendo e se consolidando a cada ano que passa.

Em 2012, a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, mantém a tradição de promover uma bela festa, com direito a grandes atrações nacionais.

O Natal da Cidade 2012 acontecerá entre os dias 15 a 25 de dezembro.

Uma coletiva de imprensa foi realizada nesta terça-feira (20), contando com a presença de jornalistas e de representantes políticos e culturais da cidade.

Para dar as boas vindas, um grupo de terno de reis do Alto Maron recebeu os convidados na porta do Memorial Régis Pacheco, localizado na Praça Tancredo Neves. A decoração assinada por Victória Vieira deu ares natalinos dentro do espaço. Houve também apresentações de músicos da terra.


Atrações anunciadas

15/12: Artur Moreira Lima/Lenine
16/12: Gal Costa
17/12: Marina Elali
18/12: Jerry Adriani
19/12: Quinteto Violado
20/12: 14 BIS
21/12: O Teatro Mágico
22/12: Guinga/Ivan Lins
23/12: Zélia Duncan
24/12: Homenagem a Dércio Marques com Dani Lasalvia e João Omar
25/12: Edson Cordeiro


O Secretário de Cultura, Esporte e Lazer, Gildelson Felício, destacou a variedade de atrações presentes nesta edição.


Para ele, a grade apresentada contempla diferentes opiniões, por transitar entre a música erudita e a popular. "Ainda temos artistas novos, como a Marina Elali e O Teatro Mágico, e artistas com uma história mais longa, como a Gal e o Jerry Adriani", completa. 

Outras Linguagens

Além de oferecer apresentações musicais, o festival costuma mesclar diferentes linguagens, como teatro, artesanato e literatura.

Segundo o prefeito Guilherme Menezes, três centenários serão homenageados este ano, contextualizando e trazendo um pouco da história da cultura brasileira para os espectadores. Formam o trio o poeta local Camilo de Jesus Lima, o rei do baião Luiz Gonzaga e o escritor Jorge Amado.

Críticas à Praça

O evento acontece na Praça Barão do Rio Branco, no centro da cidade. O local já é alvo de críticas e sugestões por partes da comunidade conquistense.

O produtor cultural Pedro Massinha chama atenção para a necessidade de um espaço maior para a proposta do Natal da Cidade. "A Praça está pequena para um evento que é um dos maiores do Nordeste na época de Natal."

Comunga da ideia o ativista André Ará, o qual ainda propôs a criação da hashtag #ABarãoVaiFicarPequena.

A partir do dia 15 de dezembro, fiquem ligados na cobertura especial do O Rebucetê no Natal da Cidade 2012.


Outros Eventos

A praça Barão do Rio Barão do Rio Branco começa a ficar pequena ainda no dia 15, com a terceira edição do Festival Avuador. Entre os nomes confirmados pela produção está o paulistano Curumin.
Antes disso, acontece o Festival Suíça Bahiana, também em sua terceira realização. Este, realizado pelo coletivo local do circuito Fora do Eixo, acontece nos dias 07 e 08 de dezembro na Arena MiraFlores. Dentre as atrações estão Pouca Vogal, Cachorro Grande, Complexo Ragga e Tono.


O Putetê II - Eu Não Presto, Mas Eu Te Amo


Abrindo a excelente programação do mês, O rebucetê realiza a segunda edição da sua ousada e badalada festa, O Putetê. Com discotecagem e shows com a temática Brega, o evento acontece no dia 1º de dezembro no Viela Sebo-Café. Os ingresso custam R$7,00 e começarão a ser vendidos ainda esta semana. 

Confirme sua participação aqui

domingo, 18 de novembro de 2012

Quem te viu, quem te vê

A noite do Mais MPB foi marcada por estréias, Benjamin, novas músicas do Círculo e um novo Marcelo Jeneci.

Por Maria Eduarda Carvalho


Aconteceu ontem na arena Miraflores a primeira edição do projeto Mais MPB. Com as apresentações de Benjamin, oCirculo e Marcelo Jeneci, o evento foi também uma prévia do Festival Suíça Bahiana (06 a 08 de dezembro).

Muito prejudicado pela chuva torrencial em termos de público e estrutura, a noite demorou a "engatar" e foi se construindo aos poucos, mas no final das contas conseguiu se sair bem sucedida.

As luzes fortes do palco que coordenavam também o resto da arena inundavam de azul o ambiente, quando subiu ao palco a primeira atração, Benjamin.

Um palco grande para um cara com um violão, mas quem precisa de banda quando assim mesmo consegue preencher o espaço com toda aquela sonoridade? O folk é tímido, mas quando mostra a que veio retem, com facilidade, a atenção do ouvinte.

A repercussão da apresentação era uma incógnita, já que era a primeira vez que o artista apresentava o projeto para o "grande público". Pouco tempo depois, Diego desabafou, "o meu show ainda não passou muito, ainda não o realizei. Mas eu fiquei muito feliz quando vi as pessoas cantando uma música minha, de verdade, me emocionou", e assim foi sua estréia.

Quem veio depois apesar de não ser artista local já era um grande conhecido. A banda soteropolitana oCírculo já tocou por aqui algumas vezes, sempre com máxima receptividade e carregando uma legião de fãs, dando à noite, mais ou menos nesse ponto, uma "cara de show". A chuva deu uma trégua e mais gente começou a chegar para curtir o repertório preparado pela banda.

O público da noite pôde curtir uma mistura no repertório, canções mais conhecidas como "Meu Bem", "Muito Romântico" e "Janela", intercaladas com uma pitada ou outra de novidade, denunciando o trabalho que está por vir. Muita energia, gente cantando junto. O grupo estava mesmo em casa e funcionou bem como um prenúncio do que estava por vir.

Dentre os shows, o Mais MPB já tinha crescido em público e melhorado em expectativas. Um número maior de pessoas reunidas em torno do palco já estava ali para aguardar a grande atração da noite, Marcelo Jeneci.

Enquanto também aguardava, eu pensava no seu último show durante o Festival Suíça Bahiana, tranquilo, articulado, bem ensaiado.

Sinceramente não é dos meus estilos favoritos, prezo o empenho dos artistas na construção do show, mas me encanta muito mais as emoções a flor da pele, a dança mal conduzida, o calor do momento.

E qual não foi minha surpresa encontrar tudo isso e ainda mais no show que se seguiria?

Jeneci

Depois de impasses e atrasos, Jeneci subiu ao palco. Visivelmente mais magro e com uma barba enorme, o cantor não aparentava nem de longe o bom moço do Festival passado. Houve quem julgasse seu estado como alterado - e com certa razão -, mas ninguém pode negar que sua entrega no palco foi absurda.

Fiquei ali parada, uns bons minutos tentando entender o que acontecia e rindo da minha própria cara com os pensamentos antes aqui relatados, mas não consegui mais desgrudar os olhos do palco.

De uma hora para a outra o Miraflores tinha se transformado. Outra energia pairando, pessoas se espremendo contra a grade, o contato entre artista e público construindo juntos uma performance.

Os casais e seus abraços melosos (como era previsto) até que estavam por lá, mas não era maioria ou nem tinham tanta importância, as atenções estavam todas voltadas mesmo para o palco.

Laura, companheira de palco e de voz de Jeneci, continuava uma bonequinha e, muitas vezes, segurou com maestria os vocais, um pouco prejudicada pelo volume dos instrumentos, mas sempre muito cativante.

Sem dúvidas, Marcelo Jeneci deu à cidade um dos melhores shows do ano. E olha que falamos de um 2012 de Criolo, Mundo Livre, Felipe Cordeiro.

Talvez esse nível de entrega um pouco à margem da completa lucidez seja "destrutivo", mas, como disse o Wander Wildner, "o público quer que você se mate no palco" e, pelo menos de longe, pareceu que ele também estava se divertindo.

Agora só há uma coisa a dizer, espero um novo Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos e não vem do Otto.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Mais um ano, mais um olhar para o novo cinema

Saiba como foi a abertura da Mostra Cinema Conquista com a animação Ritos de Passagem.
 
por Maria Eduarda Carvalho
 

O clima pesado pela chuva torrencial que tem caído nos últimos dias talvez tenha prejudicado em números o público de ontem. Mas para quem se arriscou a sair de casa, São Pedro foi caridoso e a chuva só caiu durante as exibições, não atrapalhando a chegada e saída de quem foi prestigiar a grande noite de estreia. E a noite foi bonita. Deve existir uma mágica que envolve o cinema e faz de toda exibição por menor que seja um momento especial.

Foi assim, envolto nessa mágica e na grande expectativa dos presentes que começou ontem a oitava edição da Mostra Cinema Conquista, sem dúvidas, o maior evento de audiovisual do sudoeste do estado.

Para 2012 a Mostra reservou homenagens à própria cidade, comemorando os vinte anos do Janela Indiscreta com a exposição sobre o projeto no hall do Centro de Cultura e celebrando também 100 anos da presença do cinema em Vitória da Conquista.

A noite de abertura começou com as honras do cerimonial e representantes das duas entidades responsáveis pela realização da Mostra, Paula Flores e Ricardo Marques, respectivamente Uesb e prefeitura. Ricardo, prefeito em exercício, salientou a importância dessa parceria e em semana de comemoração de aniversário da cidade lembrou de outras atividades que vão acontecer nos próximos dias (você confere essa lista no nosso guia de feriadão).

Dando seguimento à programação da noite, o curador João Sampaio entregou a Esmon Primo e Milene Gusmão o prêmio em homenagem ao Janela Indiscreta. Milene, muito emocionada relembrou a trajetória do projeto que, assim como a maioria dos projetos culturais no nosso país, passou e passa por dificuldades para se manter ativo.

Milene também ressaltou a importância de Esmon nesse processo. O organizador da Mostra é também um dos principais nomes do fazer cultural na cidade hoje, e se destaca pelos esforços na construção de oportunidades de contato com o cinema na cidade, como acontece com a Mostra, Semana Glauber, o próprio Janela Indiscreta entre outros projetos.

O terceiro homenageado da noite foi o cineasta Chico Liberato, representado por seu filho João Liberato que também se destaca por ter composto, ao lado do conquistense João Omar, a trilha sonora do longa de animação "Ritos de Passagem".

Formalidades terminadas, a sessão de abertura ficou por conta de produções de animação e, nesse caso, especialmente voltadas a temáticas sertanejas como o curta Dia Estrelado de Nara Normande.

Na história a luta de uma família em busca de água em meio a seca nordestina. Apesar da ligeira pane no meio da exibição o filme conseguiu transmitir o seu recado e chamou atenção para os efeitos bem trabalhados e as cores fortes, produzidas "em massa de modelar".
 
Ritos de Passagem, segunda animação da noite, cruza as histórias dos dois grandes mitos sertanejos, Antônio Conselheiro, o Santo, e Lampião, o guerreiro. O filme promete levar o público "às questões das mais fundamentais ao ser humano, quando na passagem da vida para a morte: o que fiz da minha/nossa vida? Quais foram as consequências dos meus atos?" e, para isso, o enredo se pauta nas principais indagações que envolvem a história desses mártires: injustiça social, fé, luta pela sobrevivência e abandono (e muitas vezes maus tratos) por quem deveria proteger, o próprio governo.

A noite acabou e céu de novo suspendeu a chuva para que as pessoas pudessem pudessem ir embora.
“Sem dúvida essa semana é uma das mais especiais do ano, é sempre bom vir à Mostra e, de preferência, assistir quase tudo o que ela tem a oferecer, bom ou ruim. Os filmes têm sempre algo a acrescentar”, argumenta a estudante de arquitetura Daiane Freitas que, pelo terceiro ano consecutivo, acompanha a programação da Mostra.

E se você quer saber mais sobre animação não perca hoje a o primeiro Papo de Cinema com o tema “A animação e sua construção pela artesania” a partir das 15h no Centro de Cultura.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Henshin Call

Da vingança dos Nerds à transformação da cultura Otaku: o Henshin 2012 em Vitória da Conquista foi um sucesso.

Por Lucas Oliveira Dantas

Foto: Purki

Naruto, Dragon Ball.

Pokémon!

Cavaleiros do Zodíaco!

Death Note, One Piece, Mortal Kombat.

Foto: Purki
Quando a garota vestida de Mário Zumbi fez a simulação do Super Mario Bros., um dos jogos de vídeo game mais amados da história, a plateia que lotava o teatro do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima veio abaixo. Tosco? Muito! Mas, acima de tudo, extremamente divertido e excitante!

A grande maioria dos personagens, mangás, animes e games citados naquele desfile de cosplays e “cospobres”, encerrando o 4º Henshin de Vitória da Conquista, me era completamente estranha. Mas, a empolgação da galera a cada chamada era suficiente para adorar aquilo, mais do que minha obrigação jornalística de acompanhar o evento até o fim.

Nunca fui muito afeito à cultura japonesa e só fui descobrir o significado da palavra otaku este ano; minha infância e adolescência foram muito mais “Caça Talentos” e “Malhação”. Mas e daí? Um dos principais preconceitos contra quem curte a cultura de games, mangás/animes e quadrinhos é de que são pessoas que não tiveram infância, ou estão nelas para sempre. Pode ser que sim, mas, de uma certa forma, todos nós temos uns recalques da infância, cristalizados, que levamos até o fim da vida.

E foi isso: a julgar pela empolgação e alegria dos otakus, recalques pareciam distantes desse povo. Talvez porque agora a cultura oriental, em especial a japonesa, esteja não só em voga como em puro auge no mainstream. Ou talvez porque eventos otakus oferecem a zona de conforto de ter seus pares como maioria.

A verdade é que nos dois dias de Henshin, o repórter aqui não só se viu deslumbrado com a despreocupação dessa galera em parecer ridícula aos olhos do mundo, como, em muitos momentos, desejou ser tão “ridículo” quanto.

Foto: Purki

Henshin Call

Foto: Purki
A palavra “henshin” significa transformação em japonês. No universo dos mangás, é quando o personagem se transforma em super-herói. Ao descobrir a história do evento conquistense, entendi porque ele naturalmente se chama Henshin.

Como toda boa iniciativa, ela surgiu do encontro de amigos com o gosto em comum pela cultura otaku. Segundo Ricardo Aleph, um desses amigos originais, o primeiro Henshin foi algo residencial, sem divulgação ampla, apenas a vontade de unir tribos de RPGistas (jogadores de Role Playing Game – o famigerado RPG) e otakus e trocar experiências, há cerca de 5 anos.

Os heróis japoneses que se transformam, geralmente, têm uma frase-chamado, o henshin call, que marca a transformação (traduzindo para “ocidentalês”: quem não se lembra do “é hora de morfar” dos Power Rangers?). Os garotos “reclusos”, como Erick Gomes definiu a si e seus colegas otakus, resolveram proclamar sua henshin call e expandir a ideia do encontro. O Henshin atual já tem 4 anos e a expectativa de Gomes, um dos organizadores, é crescer ainda mais.

A Vingança dos Nerds

Foto: Purki
No clássico da comédia, “Os Nerds Também Amam” de 1984, um grupo de amigos segregados e “bullyin-ados” resolvem assumir o controle e restaurarem sua paz e auto respeito.

O que parecia relegado ao esquecimento das Sessões da Tarde dos anos 1990, foi se indicando a partir da virada e é, hoje na segunda década do século XXI, uma realidade irônica e adorável: diversos artigos jornalísticos analisam a ascensão da cultura geek (termo atualizado para “nerds”) ao mainstream da cultura pop.

Na televisão, o The Big Bang Theory, de maneira divertida e leve, centraliza sua trama e personagens neste universo do cara tão estudioso, tão focado em seus gostos, mundo e, principalmente, em suas linguagens tão específicas (muitas vezes altamente sarcásticas) que - óbvio - eles são reclusos.

Foto: Purki
O interessante desta onda geek do novo milênio, é que – ao contrário das baboseiras dos anos 1980/90 em que o estereótipo nerd era do cara de óculos fundo-de-garrafa, eternamente apaixonado pela líder de torcida e babão melequento – os geeks sentem orgulho de serem o que são e, na verdade, olham com desdém para com os “normais” (no sentido literal de “sob a norma social”).

No cinema, os filmes baseados em histórias em quadrinhos são campeões certos de bilheteria, principalmente porque as produções pararam de tentar traduzir o universo geek para o público mainstream e, finalmente, resolveu tratar o verdadeiro leitor de quadrinhos como adulto e consumidor rentável. A última década trouxe clássicos como Batman, O Homem-Aranha e os X-Men repaginados para o cinema de maneira mais fiel possível ao material original. Tal público consumidor tem se mostrado tão forte que, se antes era descaradamente ignorado pelas grandes produtoras cinematográficas, hoje, em feiras como a Comic Com (a maior do mundo no gênero – em San Diego, Califórnia) o sucesso de um filme é essencial para a garantia de seu lançamento. É o suprassumo da vingança dos nerds.

Mentira! O auge foi quando certo CDF de Harvard levou o pé na bunda da namorada e criou uma rede social que passaria a ser a maior do mundo. Só que essa história é um tanto azeda e nem merece ser destrinchada.

Foto: Purki

A estudante de Engenharia Florestal e uma das organizadoras da Geek Party (festa que acontecerá no próximo mês, mas teve sua prévia no Henshin 2012) Gabriela Sande me dá uma dica sobre este atual sucesso da cultura geek: a explosão tecnológica. “Os geeks ou nerds são pessoas fanáticas por tecnologia, pelo o que é novo,” diz. A atenção que a temática geek recebe, se firmando, inclusive, como uma moda cultural, está organicamente interligada à atual lógica de consumo, na qual o lançamento de um novo modelo de iPhone causa alvoroço e excitação coletiva – algo como um fetiche pela novidade tecnológica.

Sande continua, “isso liga o Oriente ao Ocidente pelo fato de que o Oriente é um dos grandes pólos de tecnologia e é de lá que surgiram muitos dos principais jogos como Super Mario, Mortal Kombat, Street Fighter – então, essa tecnologia acaba ligando um mundo ao outro.”

Contudo, se há algo que não precisa ir muito além do senso comum para saber é que modas são passageiras. Então, estariam os geeks fadados ao mesmo destino descartável das tecnologias que mudam – com permissão da hipérbole – à velocidade da luz? Eu diria que não. Desde os anos 1980, quando esse fetiche tecnológico começou a se desenvolver com os primeiros computadores domésticos e videogames, a cultura geek/nerd sempre esteve presente na vivência da cultura pop: à medida que placas-mães, bites e bytes passaram a fazer parte de nosso dia a dia, cresceu a curiosidade e interesse pelas mentes produtoras dessas coisas que nos proporcionam novas ideias, sonhos, interfaces, realidades - antes era com escárnio e preconceito, agora com admiração e variadas pontadas de inveja.

Portanto, se hoje somos todos viciados, neuróticos e paranoicos pelas novidades tecnológicas – e a tendência é piorar – o nerd recluso e tímido tem um bom tempo à frente no topo da cadeia alimentar das regras, interesses e redes sociais (trocadilho intencional).

E, finalmente, a verdade é que essa galera está se esbaldando! Eles agora são o centro das atenções, mesmo com toda nossa discriminação. Isso era nítido nos olhos e comportamentos da população do Henshin 2012. Para Gabriela Sande, isso é ótimo por abrir espaços de troca e aumentar as possibilidades de acesso a materiais que, há alguns anos, eram difíceis, quiçá impossíveis, de adquirir.

Ao fazer o balanço do evento deste ano, Erick Gomes se demonstra feliz com a transformação dos geeks em direção à luz: “a gente tem que estar sempre aberto para atender e receber vários tipos de modificações que ocorrem no mundo”.

E a cultura otaku é uma delas: ela se expande, evolui  e atende ao seu henshin call.

Foto: Purki

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O Henshin 2012 aconteceu na Instituto Educacional Euclides Dantas, em Vitória da Conquista, nos dias 01 e 02 de setembro.

domingo, 19 de agosto de 2012

Depois da Gritaria, da Noite, da Casa Cheia - O Rebucetê Entrevista: Pedro Pondé

Por Luiza Audaz

Pedro Pondé/ Foto: Luiza Audaz
As coberturas das Noites Fora do Eixo em Vitória da Conquista tem sido um verdadeiro espetáculo. Foram diversas entrevistas e vídeos com bandas de diferentes lugares do país que têm presenteado a casa com uma efusão de diversidade musical e reunido um público de diferentes cenas, em convite a dar uma saída pela noite, rever os amigos, interagir com gente nova e curtir o melhor do som.

A noite da última sexta (17) não seria diferente, o Viela Sebo Café contava com um público ansioso pra curtir o reggae da Ramanaia e rever a banda Scambo, agora de volta, que chegava direto do show de lançamento do novo álbum FLARE, acontecido na noite anterior no Teatro Vila Velha em Salvador. Cheios de gás e energia, os garotos chegaram prontos a compartilhar e celebrar com o público conquistense.

A banda possui em sua formação atual Tosto (guitarra), Graco (guitarra e voz), Ricardo (bateria), conta com a participação do baixista Tiago Ribeiro e com o impulso e energia do produtor Fernando Maia que reuniu os músicos e também engatou o processo de retomada. Assim, a Scambo, depois de quase 10 anos sem se apresentar nos palcos da cidade, subiu ao palco do Viela iniciando o show com músicas conhecidas do público, com um repertório que contemplava grande parte dos CDs da trajetória, surpreendendo  e agradando o público e a quem se enganou ao pensar que o FLARE seria o maior contemplado.

Dessa vez minha missão estava para traduzir as coberturas em audiovisual para um treino com as palavras, trabalhar com imagens, recortando as expressões, sons e cores de muitas dessas noites se converteu numa troca de palavras com o vocalista da banda Scambo, Pedro Pondé, que rendeu a seguinte entrevista. Falamos, dentre outras coisas, sobre o lançamento do novo álbum que vem com uma pegada acústica e sobre a influência do teatro na carreira do cantor, refletida no trabalho com a música e vista em suas interpretações efusivas. 

domingo, 12 de agosto de 2012

Festival Rock Cordel se despede de Vitória da Conquista

Por Murillo Nonato e Rafael Flores

Público da terceira noite de Rock Cordel/ Foto: Rafael Flores
Ontem (12/08), a Praça Barão do Rio Branco de Vitória da Conquista acolheu a terceira e última noite do Festival Rock Cordel, projeto realizado pelo Banco do Nordeste em parceria com o Circuito Fora do Eixo. Nas noites anteriores, subiram ao palco novas e velhas bandas da cena local como Na Terra do Oz, Ladrões de Vinil, Cama de Jornal e Os Barcos. Além dessas atrações, recebemos também alguns visitantes, Warcursed (PB), Maldita (RJ), Pietros (RJ), entre outras.

A abertura da noite de despedida do Festival ficou por conta da banda jequieense Neubera Kundera. No momento de sua apresentação o público reunido na praça ainda era escasso e tímido, seus maiores entusiastas eram um senhor idoso, aparentemente bêbado, hippie, que dançava ao mesmo tempo em que tentava vender a sua arte e uma criança sapeca de aproximadamente cinco anos que pulava de um lado ao outro. Apesar disso os rapazes não deixaram de mostrar sua bagagem com muita energia e trouxeram no seu repertório músicas autorais, a exemplo de “Draga” e “Gnomo”, que segundo os próprios, evidencia algumas de suas referências musicais, como Gilberto Gil e o ritmo afro reggae. Mostrando a pluralidade do grupo, eles finalizaram o show com um medley da canção de trabalho “Iceberg” e “Alcapone” do Raul Seixas, dizendo: “Muita gente diz que ‘Iceberg’ se parece com Raul. É melhor parecer com o Raul que com o Restart. Foda-se”.

sábado, 11 de agosto de 2012

Segundo dia de Rock Cordel apresenta novidades da cena independente

Por Rafael Flores

Maldita/ Foto: Rafael Flores
Vitória da Conquista recebeu ontem cerca de 4 mil pessoas na Praça Barão do Rio Branco, durante o segundo dia do Festival Rock Cordel.
Sete bandas se apresentaram, dentre elas a local Os Barcos e as cariocas Pietros e Maldita.

A banda de Itabuna Mendigo Blues abriu cedo a noite de sexta. Influenciados também por Charles Bukowski, Paulo Leminski e John Fante, o som da banda mistura o rock setentista e o blues norte-americano com a música regional.  Com a praça já preenchida por um público diverso, a segunda a entrar no palco foi a conquistense Impiza Roots, que esquentou a galera com seu reggae, incorporando um tom social nas canções.

Feito um Deus, feito um Diabo, veio dizendo que sim

por Mariana Kaoos

Foto: Anabel Mascarenhas
Em 2001, mais precisamente no dia 7 de agosto, Caetano Veloso se encontrava na concha acústica do Teatro Castro Alves, se apresentando para um vasto público e gravando o DVD “Noites do Norte - Ao Vivo”. Era seu aniversário. Dona Canô (sua mãe), seus filhos e sua então mulher, Paula Lavigne, fizeram-lhe uma surpresa, levando um bolo ao palco e cantando parabéns junto com a platéia. No fim do show, entre um copo d’água e a volta para o “bis” ele recebeu a notícia de que o escritor baiano e amigo íntimo, Jorge Amado, tinha acabado de falecer. Muito emocionado Caetano voltou, deu o aviso para as pessoas e afirmou para todos a sua tristeza, como também a importância de Jorge para ele e para o mundo. “Hoje a gente tem que celebrar é a vida de Jorge Amado”. Afirmou. Em seguida, entoou os versos de Milagres do Povo, recebendo muitos aplausos e fazendo todos cantarem juntos.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Bandas locais marcam território no primeiro dia de Rock Cordel

Por Rafael Flores

Público durante o show da Ladrões de Vinil/ Foto: Rafael Flores
Começou ontem na praça Barão do Rio Branco em Vitória da Conquista, o Festival Rock Cordel, realizado pelo Banco do Nordeste em parceria com o Suíça Bahiana Coletivo/Circuito Fora do Eixo. Conquista é uma das poucas cidades do interior do Nordeste, e única cidade baiana, a receber o festival, cuja primeira edição ocorreu em Fortaleza em 2007. Agora no segundo semestre, ele ainda ocorre em Teresina (PI), Recife (PE) e Maceió (AL), fazendo parte das ações de comemoração dos 60 anos do Banco do Nordeste. 

Segundo Gilmar Dantas, produtor cultural do Coletivo Suíça Bahiana, Vitória da Conquista foi escolhida para sediar o festival, por conta de sua localização estratégica e de sua história musical recente de produções autorais que já possui um público formado pra esse tipo de evento. Ainda segundo a produção a curadoria do evento priorizou a escolha das bandas locais, mas sem esquecer que as trocas feitas com os artistas de outras regiões do país também são importantes para o avanço da cena.

Nessa terra a dor é grande, a ambição pequena

Por Mariana Kaoos

Foto: Mayana Morbeck
Em Ilhéus as coisas parecem não funcionar. De fato, a impressão que o Festival Amar Amado vem causando é de que o descaso da própria cidade, bem como da produção do evento, superam qualquer tentativa de fomentar a cultura popular local e de exaltar o centenário do escritor grapiúna.

A programação do Festival se divide entre dois locais principais: o centro histórico, que compreende a Casa Jorge Amado, a Casa dos Artistas e o Teatro Municipal e o outro ponto, Centro de Convenções, que fica mais afastado, localizado precisamente no fim da Avenida Soares Lopes (orla e principal avenida da cidade). Sim, há espaços interessantes que começam no período matutino e se estendem até as 22h, quando ocorre o encerramento com shows de bandas da terra e uma atração principal a nível nacional, mas, pela distância dos locais escolhidos para sediar o evento, torna-se difícil poder acompanhar os atrativos que acontecem um seguido do outro. O Cabaré Literário (parte da programação de cunho voltado para a literatura), tampouco foi divulgado nas escolas e ambientes acadêmicos. Ele ficou inserido no Centro de Convenções, o que acabou atraindo pouquíssimo público para a grandiosidade das mesas, debates e rodas de conversa propostos. Por que não tê-lo colocado no Bataclan, localizado na 2 de julho e mais próximo ao centro histórico?

Poesia depois da lida, poesia além da Lida, poesia depois do trampo


Por Jéssica Lemos

11º Sarau Pós Lida em Salvador.
Foto: Débora Melo
O Pós Lida (um recital de Poesia e alguma prosa) teve sua 11ª edição nessa quinta-feira (9) de forma comemorativa no Sebo Praia dos Livros, Porto da Barra em Salvador. Um dos pratos principais da festa, o escritor Saulo Dourado, era o aniversariante do dia.
O condutor da noite, James Martins, iniciou o sarau recitando trechos da obra “Tendas dos Milagres”, saudando Jorge Amado, que completaria os seus 100 anos na sexta- feira (10). “O objetivo do Pós Lida é realizar um evento regular, em torno da poesia. Em torno da palavra em si, poesia, prosa, ensaio” afirmou James, que é também produtor e idealizador do evento. 
Em uma época em que as pessoas estão cada vez mais ligadas à internet, o “Pós Lida” contempla esse mundo virtual, trazendo sempre uma participação online de algum artista. E essa foi a vez do cantor e compositor Lucas Santtana, que via Skype, discutiu um pouco sobre as letras de suas canções, e apresentou ainda ao publico o clip da música “Samba Cubano”.

sábado, 4 de agosto de 2012

O Rebucetê Entrevista: Fábio Cascadura

Por Ana Paula Marques e Rafael Flores

Banda Cascadura/ Foto: Rafael Flores
Vitória da Conquista foi a primeira cidade fora de Salvador a receber a turnê “Aleluia”, fruto do homônimo novo álbum da banda Cascadura e que marca os vinte anos do grupo. Além de Fábio Cascadura (voz e guitarra) e Thiago Trad (bateria), dupla fixada na banda há dez anos, a formação conta ainda com Du Txai nas guitarras e Cadinho no baixo.

Abraços e fortes apertos de mão precederam a entrada no palco quente do Viela-Sebo Café, os integrantes da banda fizeram questão de emanar boas vibrações entre si para o início da nova empreitada. Feira de Santana, Camaçari e Brasília já são alguns dos destinos programados para a continuidade da turnê.

Após a agitação dos fãs, maravilhados com a apresentação, ter diminuido um pouco, conversamos com Fábio Cascadura. O papo teve como principal tema o processo de composição do recém-nascido “Aleluia”. O disco, que tem como principal fonte de inspiração a cidade e os personagens de Salvador, foi indicado como melhor álbum em um dos mais badalados prêmios de música brasileira, o Video Music Brasil – VMB, antes mesmo de ter um formato físico (foi disponibilizado para escuta em stream e download no blog da banda). Confiram:

terça-feira, 31 de julho de 2012

Saravá aos grandes, saravá também aos pequenos

Por Mariana Kaoos

    Foto: Google Images
Apesar de ser a maior cidade do sudoeste baiano e abarcar uma população em torno de 350 mil habitantes, Vitória da Conquista ainda pode ser considerada uma cidade retrógrada no que diz respeito a “moral e bons costumes” sociais. Isso é expresso através do conservadorismo, principalmente religioso, que paira na cidade. Para cada bairro, há uma paróquia representando a igreja católica e, no mínimo, três igrejas evangélicas que realizam seus cultos diariamente. Abarcando diversos segmentos místicos, é possível traçar um perfil do público que frequenta cada doutrina. Para os alternativos, acadêmicos e eruditos intelectuais da cidade a escolha gira sempre em torno do mesmo princípio, o candomblé.

Objeto de trabalhos acadêmicos e matérias jornalísticas, como a feita para a TV Uesb, os terreiros de candomblé, se encontram em bairros mais afastados da cidade. Conquista abriga em torno de 200 casas de cultos de matrizes africanas, o que engloba o candomblé, a umbanda e uma série de casas sem culto definido. Todos eles, na verdade, por muitas vezes cultuarem as mesmas entidades, acabam sendo confundidos. No entanto, a diferença é muito profunda. Enquanto o candomblé tem como foco o culto aos orixás, a umbanda se apega mais aos ancestrais, caboclos, e eguns (pessoas que já morreram). É claro que também é possível observar cultos a essas entidades em casas de candomblé, mas quando acontece, é devido a alguma herança do pai de santo. Isso ocorre com muita frequência nos terreiros baianos em decorrência dos negros bantos que aqui residiram. Lá na África, havia o culto aos seus ancestrais que aqui, viriam a serem os índios.

domingo, 29 de julho de 2012

Parada do Orgulho de ser Hetero Por Quê?

Por Murillo Nonato

Dentre as opções dos Núcleos de Vivência (NV) sugeridos dentro do terceiro dia de atividades do Enecom (Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação), que ocorreu entre os dias 13 e 20 desse mês, escolhi participar, devido à proximidade com o tema, do núcleo guiado pela Cia Revolucionária Triângulo Rosa. O grupo luta contra a opressão relacionada à orientação sexual e contra a representação social da feminilidade e/ou masculinidade do indivíduo.

O espaço, facilitado por Luth Laporta, estudante da UnB e integrante da Cia., foi realizado dentro da própria universidade, sob a sombra vespertina de uma árvore, em frente ao Memorial Darcy Ribeiro, batizado de "Beijódromo". Com 6 horas de atraso, obviamente a programação da atividade ficou prejudicada. O NV acabou se tornando, no final das contas, um simples Grupo de Discussão (GD). Os Núcleos têm como proposta levar os encontristas a uma experiência que os permita aprofundar a teoria colocando-a em prática, defrontando-os com a realidade dos movimentos sociais ou levando-os a se deparar com problemas sociais pessoalmente. Para o aprofundamente dessa rica experiência, os estudantes passam um dia inteiro em seus NVs.  Como ficamos na própria universidade onde estávamos alojados e pela hora avançada, os planos pretensiosos da atividade foram minimizados e a vivência se tornou uma roda de conversa,  consequência do problema estrutural que ocorreu em todo o Enecom DF, gerando atrasos, confusões e críticas.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Retrospectiva #FIG2012 - É como o vento que nos abraça

Por Ana Paula Marques e Rafael Flores

Milton Nascimento no Palco Guadalajara/ Foto:
Rafael Flores
Depois de duas semanas completas de viagem, para participar do 22º Festival de Inverno de Garanhuns, voltamos pra casa  sem pesares pela possibilidade de ter sujado nosso histórico universitário, tendo perdido aulas e avaliações. Não foram poucas as dificuldades por lá, mas a câmera quebrada, o carro batido, a chuva na cara e os pequenos furtos não nos fizeram desanimar nem parar de produzir. Vimos tanta coisa interessante que saíram mais produtos do que imaginávamos, queríamos detalhar tudo.

O modelo de festival gratuito que conhecemos pode ser muito bem aproveitado em Vitória da Conquista. Nosso festival de inverno não permite muito essa absorção, no entanto outros eventos como o Festival da Juventude, o Festival Avuador e o Festival Suíça Bahiana, os quais se preocupam com a formação cultural do seu público, deveriam ter uma ideia do que rola por Garanhuns em termos de temática, valorização da cultura popular, dos pontos turísticos, da gastronomia, da grade musical e principalmente da inserção do evento em todos os bairros da cidade.

domingo, 22 de julho de 2012

Vaca Amarela


Por Lucas Oliveira Dantas

2º Painel do Enecom-DF: "Disputa Institucional e Papel do Estado".
Fonte: Instagr.am
Se houvesse um Grupo de Estudo e Trabalho (GET) no Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação (Enecom), chamado “Vaca Amarela – Quem Falar Primeiro…”, certamente todo mundo comeria a bosta da vaquinha. Mas como esperar menos de estudantes de comunicação de todo o país, reunidos num lugar só, por oito dias? Silêncio, a gente não vê por aqui. E como, quem muito fala pouco ouve, não é surpreendente que no Enecom, ruído fosse um dos aspectos comunicativos principais.

Dentro de qualquer militância, o discurso é algo de prima importância. Sendo assim, a realidade pode ser contraditória. Algumas das pautas de reivindicação da Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação (Enecos) discutem a respeito da democratização da comunicação e a descriminalização dos movimentos sociais. Em linhas gerais, este último é a realização de que a mídia tradicional do país tende a tratar os movimentos sociais como criminosos/terroristas contra a ordem social; a primeira, que era o tema do encontro deste ano, dá conta da noção de que a comunicação é um direito humano e a lógica atual de concessões e habilitações, especialmente para rádio e televisão, dificultam o direito de a sociedade, especialmente as parcelas marginalizadas, se comunicar e dar sua própria versão dos fatos, com suas próprias vozes.

Eis que contraditoriamente, no Enecom 2012 uma série de ruídos colocaram em cheque as intenções e discussões da executiva.

sábado, 21 de julho de 2012

"Então essa é a peleja pela comunicação"

Por Rafael Flores
Inamara Melo/ Foto: Rafael Flores
Realmente o dia 19 de julho não foi um dia qualquer para os militantes da área de comunicação, como escreveu Mariana Kaoos. Enquanto estudantes de todas as regiões do país, participavam do Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação e se aglomeravam para levantar a voz em prol de um modelo de comunicação mais democrática, ocorria em Garanhuns um debate sobre Comunicação Pública. O espaço foi promovido pela TV Pernambuco, em parceria com o Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom) e a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).

Um público de vinte pessoas compareceu ao auditório Manoel Elpídio Melo na Autarquia de Ensino Superior de Garanhuns (Aesga) para se atualizar sobre as discussões sobre a produção pública de comunicação no Brasil e formatar proposições para ela. Segundo Inamara Melo, o espaço funcionou como uma prévia da Audiência Pública sobre Comunicação Pública que acontecerá na cidade do Recife, na próxima quarta-feira (25), promovida pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Agora é que são elas

Por Ana Paula Marques

Anelis Assumpção/ Foto: Rafael Flores
Faltando menos de 42 horas para o término da vigésima segunda edição do Festival de Inverno de Garanhuns, já perdemos a conta da quantidade de atrações que o festival conseguiu reunir em sua programação.  Os artistas que passaram pelos diversos palcos espalhados pelos polos do FIG contemplaram os mais variados gostos e estilos musicais.

O Palco Pop, localizado no Parque Euclides Dourado, foi responsável por congregar os principais artistas da nova e atual música brasileira. Dentre eles, as que mais chamaram atenção sem dúvidas foram as meninas. Anelis Assumpção, Tiê, Alessandra Leão, Márcia Castro e Catarina Dee Jah se garantiram no palco e provaram por que estão entre os destaques dos últimos anos.