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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Um Tributo ao Homem


Por Maria Eduarda Carvalho

Capa do tributo
Os jovenzinhos que provocaram alvoroço por volta do final da década de 60 são agora distintos senhores. Sir Mick Jagger, o irresistível Chico Buarque, Jimi Hendrix se estivesse vivo... Caetano Veloso, um dos símbolos dessa geração forever young e personificação do Tropicalismo, obviamente não fugiu a regra e acabou de completar 70 anos. Dono de um repertório invejável pela sagacidade das letras e a riqueza de sons, o leonino não deixou um segundo sequer de encaracolar as mentes de nós, pobres mortais.
Aquela juventude... Foto: Divulgação.
Quase meio século de relação intensa com a música rendeu a Caetano um presente de aniversário mais que especial, para ele e, é claro, os fãs. “A Tribute to Caetano Veloso”, álbum lançado no dia 6 de Agosto, reuniu artistas da nova geração da MPB e também nomes internacionais numa homenagem que elevou o poeta ao nível de Tom Jobim, quando observada sua imagem para fora do país. As canções em diferentes línguas interpretadas por artistas do mundo todo são como um rio percorrendo as veias abertas desse latino. Em sua maioria, as composições figuram os álbuns da década de 70 e 80, com um pouco de Qualquer Coisa, Uns, Circuladô e o também aniversariante Transa que completa, em 2012, 40 anos de sua existência intrigante e magnífica.

O time escolhido para a homenagem foi impecável, nomes como “Da Maior Importância” com Tulipa Ruiz, que interpreta a canção com a graça de sempre, e Marcelo Camelo, um dos compositores mais importantes da recente história da nova MPB, que cantou “De Manhã” (primeira música composta por Caetano) com toda a fragilidade que, nesse caso, é concedida às primogênitas. Avançando um pouco nos anos e na geração dos intérpretes, Sérgio Dias, eterno Mutante, tomou para si “London London”, que algum tempo atrás já teve uma versão figurada no trabalho da cantora Cibelle.
O músico Devendra Banhart. Foto: Arquivo pessoal do cantor.
Na época, Cibelle convidou Devendra Banhart para a missão e, agora, o artista na companhia do brasileiro Rodrigo Amarante dá o ar da sua graça cantando “Quem me dera”, numa versão intimista capaz de arrepiar até o último fio repetindo ao final da canção trechos de outras músicas do Pena de Pavão de Krishna. Mas essas não foram as únicas relações do músico folk com o mestre Caetano; além da versão de “Nu com a minha música”, feita ainda ao lado de Amarante somado à presença de Marisa Monte - para outra coletânea internacional -, Devendra também cantou com o próprio Caetano em Nova York no final de 2010, na ocasião os músicos foram acompanhados do cantor Beck que, na presente coletânea, canta “Michelangelo Antonioni”.

Jorge Drexler e Quinho cantando, respectivamente, “Fora da Ordem” e “Qualquer coisa”, se apropriaram muito mais do que somente das canções. Alguma coisa nas versões interpretadas denunciaram tamanha absorção da verdade dessas músicas que marcou uma espécie de assinatura de escritura de posse, como se lhes fosse passado, com registro em cartório, a propriedade das canções. A fidelidade harmônica à original, da versão da cantora Céu para “Eclipse Oculto”, já havia se mostrado nas canções anteriores. Mas dessa vez, infelizmente, a empreitada não foi tão bem sucedida. Logo a cantora que sempre se destaca em participações especiais, se revelando uma ótima intérprete, não obteve êxito cantando uma versão com arranjos quase idênticos ao original, despertando pouco interesse diante de tantas novidades.

As canções seguem e a emoção vai alternando conforme o player viaja pelas 16 faixas; todas muito delicadas e bem produzidas, algumas mais à vontade quase se passando por autorais. Outras ainda mantendo a distância simbólica que sugere o termo "tributo" - e é claro que é o caso das mornas, as que não vão grudar na cabeça nem disputar com a original o título de versão definitiva. Mas por sorte são também a minoria dos casos.

Se você ainda não ouviu o álbum, não se preocupe. O Rebucetê, esse grandioso blog com amor no coração te dá um link esperto pra baixar e conferir as delícias do resultado de abdução feita por uma certa Caetanave.

Clique e baixe agora mesmo: A Tribute to Caetano Veloso.zip

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Coração de eterno flerte

Por Mariana Kaoos


“A benção a Caetano, meu irmão, mestre do meu barco. Você que confiou à minha voz sua primeira canção...”

Caetano Veloso/ Foto: Divulgação
Essa é uma das tantas falas emocionadas da cantora Maria Bethânia no seu DVD chamado “Tempo Tempo Tempo Tempo”, em que ela faz uma homenagem aos seus 40 anos de carreira. A música em questão se refere à “De Manhã”, primeira composição do artista Caetano Veloso e lançada logo no início da década de 1960 na voz da irmã. Nessa gravação específica, a melodia toma espaço como plano de fundo. A voz rasgada de Bethânia ecoa por toda a canção rememorando o real significado de suas palavras. É realmente possível imaginar o cenário da música, bem como sentir parte de todos aqueles sentimentos que, supostamente, estiverem presentes na sua criação.

Meio que como num encaixe de coincidências, no último domingo, cinco de agosto, Caetano Veloso cita, em sua coluna semanal para o jornal O Globo, justamente a música “De manhã”. Ao analisar o novo disco de Tom Zé, o “Tropicália Lixo Lógico”, ele traça para si mesmo um paralelo entre a tropicália e seus desejos, condutas e escolhas perante o movimento. Nessa coluna ele afirmou que “Quando compus ‘De Manhã’, embora me tivesse deixado levar pelo modalismo nordestino (tão em moda sobretudo por causa de Edu Lobo), eu mais resignei-me a aceitar essa tendência do que a achei dentro de mim. Ao contrário, eu queria poder ter feito algo que mantivesse a natureza do samba de roda, nunca modal, sempre pensado em termos de tônica/dominante/subdominante”. No fim, deixa-se confessar, “o modalismo de ‘De Manhã’ me aparece mais entranhado do que eu supunha. E eu o encontro mais próximo da Tropicália do que sempre cri”.