Por Mariana Kaoos
“A benção a Caetano,
meu irmão, mestre do meu barco. Você que confiou à minha voz sua primeira
canção...”
![]() |
| Caetano Veloso/ Foto: Divulgação |
Essa é uma das tantas
falas emocionadas da cantora Maria Bethânia no seu DVD chamado “Tempo Tempo
Tempo Tempo”, em que ela faz uma homenagem aos seus 40 anos de carreira. A
música em questão se refere à “De Manhã”, primeira composição do artista
Caetano Veloso e lançada logo no início da década de 1960 na voz da irmã. Nessa
gravação específica, a melodia toma espaço como plano de fundo. A voz rasgada
de Bethânia ecoa por toda a canção rememorando o real significado de suas
palavras. É realmente possível imaginar o cenário da música, bem como sentir
parte de todos aqueles sentimentos que, supostamente, estiverem presentes na
sua criação.
Meio que como num
encaixe de coincidências, no último domingo, cinco de agosto, Caetano Veloso
cita, em sua coluna semanal para o jornal O Globo, justamente a música “De
manhã”. Ao analisar o novo disco de Tom Zé, o “Tropicália Lixo Lógico”, ele
traça para si mesmo um paralelo entre a tropicália e seus desejos, condutas e
escolhas perante o movimento. Nessa coluna ele afirmou que “Quando compus ‘De
Manhã’, embora me tivesse deixado levar pelo modalismo nordestino (tão em moda
sobretudo por causa de Edu Lobo), eu mais resignei-me a aceitar essa tendência
do que a achei dentro de mim. Ao contrário, eu queria poder ter feito algo que
mantivesse a natureza do samba de roda, nunca modal, sempre pensado em termos
de tônica/dominante/subdominante”. No fim, deixa-se confessar, “o modalismo de
‘De Manhã’ me aparece mais entranhado do que eu supunha. E eu o encontro mais
próximo da Tropicália do que sempre cri”.









