Mostrando postagens com marcador 2ª edição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 2ª edição. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ana Sardinha

         É engraçado ver Ana Sardinha todas as manhãs, descendo a rua toda atrapalhada, com medo do atraso e olhando freneticamente o relógio, que funciona num tic-tac constante como que dizendo com toda a calma do mundo: “Ô Aninha, de novo na correria?!”.
            Enquanto isso Ana corre, tropeça, machuca o joelho, se recompõe e continua a correr. Sina diária da pobre Ana.
            Enfim, ao chegar ao final da rua, a coitada se prepara para a próxima fase na plataforma. Ela balança os braços, acena e grita. O ônibus azul chega soltando fumaça e recolhe Ana já toda agoniada. Assim lá vai Ana Sardinha pra sua aula de inglês.
           E ainda me perguntam o porquê de “Ana Sardinha”. Ora! Dentro de uma grande lata azul, toda apertada e quase cozida pelo calor da transpiração de tantos corpos, que outro apelido Ana poderia ter?

Por Mário Ribeiro

Transporte Público: Mudanças à vista?


        O aumento da tarifa do transporte coletivo , de R$ 1,90 para R$ 2,10, causou uma enorme agitação na comunidade de Vitória da Conquista, principalmente entre o Movimento Estudantil Secundarista. Depois de quase dois meses a população questiona o que mudou no funcionamento e principalmente na qualidade do sistema de transporte conquistense. As insatisfações são comuns dentre todos os usuários que abordamos. Dentre elas, as mais constantes são a quebra diária dos ônibus e a grande demanda de passageiros em horários de pico.
        Na quarta-feira, 17 de agosto de 2011, aconteceu uma reunião ordinária do Conselho Municipal de Transportes. O conselho é formado por representantes do poder público, do orçamento participativo, da associação unificada de moradores, das empresas privadas de transporte coletivo e do movimento secundarista, além do Secretário Municipal de Transporte, Trânsito e Infraestrutura Urbana, Luís Alberto Sellman. Foram discutidas uma série de mudanças que, de acordo com o secretário, irão garantir um importante salto na qualidade do transporte público da cidade.
        A principal pauta da reunião foi o edital do processo de licitação para a reorganização do sistema de transporte coletivo. O edital pontua o conhecimento prévio da área da cidade, parâmetros e índices técnicos (número de deficientes físicos, idosos, etc.) e um projeto de mobilidade urbana, qualificando o transporte de acordo com a necessidade da população. O edital também prevê a renovação e ampliação da frota de ônibus e a implantação do sistema de bilhete único. Esse modelo que se pretende implantar em Vitória da Conquista existe em apenas quatro cidades em todo Brasil. Ele permite ao passageiro pagar por apenas uma passagem, mesmo fazendo várias integrações de ônibus. Em todas essas cidades, porém, os governos locais concedem subsídios às empresas com o objetivo de conter a elevação do custo da tarifa.
        Em acordo proposto entre a Prefeitura e as atuais empresas de transporte coletivo, ainda antes da licitação, seriam adquiridos 15 ônibus para facilitar no transporte de passageiros em determinadas rotas. Até agora só foram colocados oito desses veículos em circulação, sendo que houve um pedido de prorrogação do prazo por parte de uma das empresas, a qual garantiu mais quatro ônibus semi-novos dentro de 30 dias. Outra proposta discutida pelo conselho seria a de colocar micro ônibus nas rotas mais curtas, para atender a demanda de passageiros.
        A “Revolta do Busú, como é intitulada a série de manifestações estudantis que ocorreram no mês de julho desse ano contra o aumento da passagem, foi de importância histórica para o Movimento, garante Saulo Moreno Rocha, representante do Movimento Estudantil Secundarista no Conselho. Dentre as conquistas da “revolta”, segundo o estudante, estão o direito à meia tarifa para estudantes durante as férias, garantia da licitação e a implantação de dois novos guichês de recarga. A última ainda está em processo de implantação e o prazo máximo é de um mês.

Por Ana Paula Marques e Lucas Dantas

Para sempre underground?

        Quando vimos a grade de programação da tenda alternativa do Festival de Inverno Bahia desse ano, tomamos um susto. Só tinha DJ! Ou seja, o espaço que antes acolhia a música alternativa e a música eletrônica foi homogeneizado. O palco alternativo não existe mais. Para entender o porquê e no que implica isso, O Rebucetê procurou a produção do evento e alguns músicos da cena alternativa local.
         Segundo Luciana Sobreira, diretora artística do evento, o palco principal exigiu um maior investimento da organização este ano, surgindo assim a necessidade de se fazer algumas mudanças. A cena pop/rock conquistense foi a escolhida para ficar de fora da edição 2011 do evento. A diretora artística argumenta ainda que a música eletrônica continua sendo explorada pelo FIB por ser um segmento que está em ascensão nacional e internacional e que essa está sendo uma fase de experimentação do palco alternativo, podendo então voltar a ceder espaço para bandas de Vitória da Conquista e região no ano que vem, já que “o Festival procura valorizar a cultura local”.
          Por outro lado tem uma galera que não concorda com o que foi argumentado pela diretora artística do Festival. “Na verdade, o Festival está mostrando cada vez, cada ano mais, o seu caráter de evento "Gringo". Ou seja, excluindo a cultura local do seu espaço. Usa o nome da Cidade, o clima (frio), a economia, a beleza do povo, mas ignora a sua cultura”, questiona Marx Eduardo, vocalista da banda Os Barcos. O músico comenta ainda que o falecido palco alternativo do Festival foi um dos responsáveis pela divulgação de sua banda, pois naquele espaço era possível entrar em contato com um público que não está necessariamente em contato direto com a cena alternativa local.
      Loro, vocalista da já veterana e agitada Ladrões de Vinil, comenta que a cena independente de Conquista perdeu espaço porque a produção do evento não está interessada em fazer “assistencialismo” para as bandas. “Eles não encaram as bandas como atração, dando atenção apenas para o lucro que vão obter com as atrações que já estão na mídia”, completa o roqueiro.
        A alta quantidade e qualidade das bandas autorais independentes na cidade é um fato comentado aos quatro ventos. No entanto o Festival de Inverno Bahia, e todo o grande empresariado que está por trás dele, parece não conhecer nem se interessar pela autêntica cultural local nem regional, mesmo tendo apoio da BahiaTursa, órgão do governo do estado.
         Assim as propostas alternativas tendem sempre a permanecer nos pequenos bares e becos da cidade... 

Por Ana Paula Marques e Rafael Flores

Cem anos de Jorge Amado é comemorado em toda Bahia


        Vitória da Conquista será palco de mais uma das varias homenagens que vem ocorrendo ao centenário do escritor baiano Jorge Amado. Acontecerá entre os dias 30 de agosto a primeiro de setembro, o XX Encontro do Programa Nacional de Incentivo a Leitura, o Proler, realizado por meio de uma parceria entre a Fundação Biblioteca Nacional, Uesb e Prefeituras Municipais de Vitória da Conquista, Jequié e Itapetinga. Esse ano um dos assuntos abordados será As Artes da Terra: Momento cultural. Centenário de Jorge Amado entre saberes e sabores, onde as principais obras do autor serão abordadas em uma espécie de homenagem ao mesmo.
            Jorge foi um dos principais escritores da segunda fase do modernismo, período literário que compreende da década de 1930 a 1945. Com características únicas e peculiares que imprimi em seu trabalho como a descrição da realidade cacaueira baiana no início do século passado ou a analise da sociedade local através de personagens clássicos como a mulher de força e luta que vem do interior pra vencer na vida, Tieta do Agreste, a os marginalizados ou excluídos da sociedade como retrata em Capitães de Areia, Jorge foi precursor de um estilo próprio que veio a desencadear e influenciar, através da sua principal característica, a regionalização, outros autores como Adonias Filho e até mesmo Guimarães Rosa.
            O escritor Ilheense estaria completando seus 99 anos nesta ultima quarta feira, 17 de agosto. A ideia é que haja uma série de comemorações em diversos locais do estado até o ano que vem, quando ele chegaria ao seu centenário. Em Ilhéus, as celebrações ocorreram com uma alvorada de fogos seguida por um ato ecumênico na Catedral de São Sebastião, às sete horas da manhã. Já na capital baiana houve um grande evento no Teatro Castro Alves, que realizou uma conferência com o escritor moçambicano Mia Couto que teve como tema “Um Mar Vivo: Como Jorge é Amado em África”. Além disso, a Fundação Casa de Jorge Amado, localizada no Pelourinho, já abriu as portas anunciando o inicio do Ano Jorge Amado. De acordo com Aninha Franco, escritora soteropolitana e coordenadora do Theatro XVIII que fica no Centro Histórico, “Jorge era um baiano que compreendia a Bahia do século XX, esse é o grande carisma da obra dele. Seus personagens ainda podem ser encontrados na cidade, mas rareiam. Ele, Caymmi, Carybé e Voltaire Fraga, cavalheiros, cavaleiros, conseguiram registrar essa cidade tão especial em histórias, músicas, imagens e fotos. Uma Bahia bonita, delicada, gentil e humana. O Pelourinho se prepara para homenagea-lo com grande fervor”.
            Além da homenagem ao escritor que faleceu em 2001, o Encontro de Incentivo a Leitura irá oferecer gratuitamente dez oficinas de leitura e uma exposição fotográfica para cerca de 300 participantes. O evento acontecerá na Praça Matriz, no distrito de José Gonçalves, município de Vitória da Conquista. De acordo com Camillo Cavalcanti, professor de literatura da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, “é de suma importância relembrar Jorge Amado em eventos como esse, que agrega um público misto de todas as idades. Conheço        Jorge através do meu amigo -também baiano- Eduardo Portela, ex-presidente da UNESCO que este ano homenageou seu velho camarada publicando Jorge Amado: A sabedoria da fábula. A grandeza de nosso Amado Jorge foi ter entrado e saído da militância comunista, evidenciando coragem, circularidade e renovação permanentes. De uma motivação pluridimensional, sua obra abrange o baiano, o telúrico e o político, entre mágico e real, superando as limitações do documento, sempre linear, que ameaçam o regionalismo. Foi um romancista da solidariedade humana, não apenas de uma classe. Nele palpitam todos os símbolos sociais da região, em sua verdadeira caracterização verbal e estilística”.
Por Mariana Kaoos

Novas eleições do Colegiado de Comunicação movimentam o curso


        O curso de Comunicação Social da UESB passou na última semana por um complicado processo eleitoral. A eleição para coordenador de colegiado se instalou num ambiente de dúvidas. A categoria discente questionou as intenções, posturas e propostas da única chapa inscrita.
        A votação ocorreu na ultima quinta-feira, 18 de agosto, causando uma confusa movimentação nos corredores da universidade. Dos 78 votos retirados da urna, 37 votaram a favor, 33 se opuseram à chapa, duas pessoas votaram em branco e seis anularam o voto. O grande problema dessa história é que das 78 cédulas retiradas da urna, apenas 77 foram respaldados com assinaturas dos eleitores. Ou seja, existe um voto a mais que não se sabe de onde veio. A decisão primeira da comissão eleitoral, composta pela professora Ana Claudia Pacheco, pela estudante Elisa Batista, e pelo secretário do colegiado Daniel Almeida foi de impugnar as eleições. No entanto, devido ao edital e a uma consulta a outras instâncias da universidade, validou-se a vitória da chapa. Segundo a presidente da comissão eleitoral, Ana Claudia, “Não houve fraude alguma. Dentro dos votos contabilizados retirados da urna, um não foi respaldado com assinatura, mas isso não inviabiliza o processo eleitoral. Houve sim, uma desatenção da mesa em relação a esse voto, mas não haverá impugnação da votação”.
        A chapa eleita é composta pelos docentes Dannilo Duarte, ministrante da disciplina Comunicação e Tecnologia e Adriana Camargo, professora de Fotojornalismo. Ambos prometem lutar para sanar as deficiências do curso, como por exemplo, a falta do laboratório de suas respectivas disciplinas. Segundo Dannilo, que concorreu pela primeira vez ao cargo de coordenador do curso, “Não houve confusão alguma no processo eleitoral. O que ocorreu foi que um estudante possivelmente votou e esqueceu-se de assinar. A comissão eleitoral tem autonomia para tomar decisões. Foi uma decisão madura por avaliar e registrar isso em ata, mantendo o resultado das eleições. Acredito que isso tenha sido apenas um pequeno incidente. A minha posição agora, é aguardar a plenária do colegiado para que haja a homologação da chapa”.
        Alguns estudantes enxergam que esse processo eleitoral foi atropelado e falho no que tange a divulgação e o estimulo para com a categoria discente. De acordo com Halanna Andrade, estudantes do 6° semestre do curso, “Não temos comunicação dentro do curso de comunicação! Os estudantes foram saber em cima da hora sobre as eleições, mas isso já é uma prática antiga, não temos a cultura desse processo de campanha e muito menos de entender a necessidade de um colegiado e de coordenadores. Cabe agora a nós, alunos do curso, nos mobilizarmos para cobrar dos novos coordenadores as promessas que fizeram e principalmente uma postura que dialogue com os estudantes e construam juntos essa nova coordenação”.
Por Mariana Kaoos