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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O Rebucetê Entrevista: Marcelo Jeneci

"A chuva é a vontade do céu de tocar o mar/e a gente chove assim também quando perde alguém/ mas quando  começa a chorar começa a desentristecer/ assim  se purifica o ar depois de chover" - Trecho da música "sem nome", que Marcelo Jeneci não incluiu em seu álbum "Feito Pra Acabar"

Por Thaís Pimenta

Foto: Rafael Flores
Copo d'água, pingos, tempestade. As músicas de Marcelo Jeneci pedem chuva. Para criar o cenário e clímax perfeito a natureza deu uma forcinha.

Na noite do último sábado (17), enquanto acontecia o show do cantor, em Vitória da Conquista-BA, o tempo oscilava entre pingos serenos de chuva e pancadas mais fortes. Assim como oscila o amor.

Como não falar de amor ao relatar um show de Marcelo Jeneci. Todos desejam uma "história de amor pra contar",  procuram um "lugar onde o sol brilhe", "um lugar bem feliz pra poder agir naturalmente". E foi cantando  e embalando as histórias que as pessoas se identificam e as deixam à flor da pele, que Jeneci conseguiu arrancar lágrimas discretas e sinceras dos conquistenses.

O show de Jeneci fez parte do projeto Mais MPB, prévia do Festival SuíçaBahiana, que contou também com as apresentações de Benjamin e da banda O Círculo. Nos bastidores, murmurinhos diziam que Marcelo Jeneci não daria entrevista à imprensa. Mas "de tanto não parar, O Rebucetê chegou lá". Conversamos com o cantor que falou um pouco sobre a participação da Natura em sua carreira, sobre suas composições e ainda sobre o assunto delicado de sua recente separação. O resultado desse bate-papo compartilhamos com exclusividade para você, nosso leitor.

O Rebucetê: Talvez o boom da sua carreira tenha sido após a produção do seu álbum e seu show de lançamento, que a Natura produziu. A partir daí, as gravadoras começaram a te olhar com outros olhos. Para você, qual a importância participação da Natura em sua carreira e na dos novos nomes da MPB?

Marcelo Jeneci: Acho que a Natura é uma empresa que merece muito respeito. Ela vem conquistando um império muito grande de maneira muito limpa e clara,  nem um pouco obscura como a maioria das grandes empresas. E acho muito bacana o edital Natura Musical porque graças a ele pude gravar o "Feito Pra Acabar" do jeito que eu sempre sonhei. Nós tínhamos um plano de fazer um disco, um plano A, onde eu gastaria um puta grana pra realizar. Mas aí graças a Natura eu pude viver uma experiência no plano A. E assim será meu segundo disco, patrocinado pela Natura também.

OR: As histórias, as letras de suas músicas, são facilmente absolvidas pelas pessoas. Para você, o amor e a felicidade são tão belos e simples como suas composições?

MJ: Acho que são muito mais bonitos e muito mais simples que minhas músicas. As minha músicas tentam alcançar um “lelezito”, um frenesi do sentimento puro. Eu tento fazer canções que cheguem no alvo, no coração das pessoas. Mas o sentimento verdadeiro quando acontece dentro de alguém é muito mais forte do que qualquer canção.

OR: Em entrevista, você confessou uma vez que cresceu embalado pelas trilhas sonoras das novelas e hoje é você que as compõe. Como se sente embalando trilhas de novelas, casamentos e histórias?

MJ: Acho que a gente é para o que nasce. Então aos poucos a gente vai percebendo o que melhor tem a oferecer. Nem todo mundo tem a chance de viver do que sabe fazer. Então, eu acho que o fato de as minhas músicas serem encaminhadas para telenovelas, hoje em dia, é uma consequência de uma história cheia de fatos. Não é apenas uma conquista minha, vem aí a família que me criou, o fato de eu ter crescido na periferia de São Paulo ouvindo rádio, vendo TV, consumindo cultura popular, depois ter virado músico e ter a chance de viver de música. E hoje, o fato de minhas músicas serem encaminhadas para novelas tem a ver com o percurso que me foi dado, que eu percorri. Então, eu acho que é isso que eu vou tentar percorrer pelo resto da vida, os versos e melodias quem deem conta de sintetizar as coisas que você vive, que eu vivo.

OR: Você compôs a música "Pra sonhar" para sua ex-esposa e empresária. E agora como fica a "história pra sonhar"?

Foto: Rafael Flores
MJ: Acho que tudo nessa vida tem começo, meio e fim. O casamento por mais maravilhos que seja ele é uma ideia que impõe que não vai ter fim. Isso é uma ideia humana natural, é uma aposta, é uma fé. Eu tive um casamento maravilhoso, compus essa música "Pra Sonhar" e me separei. Vou guardar com todo carinho e amor do mundo essa relação que eu vivi e foi a coisa mais maravilhosa que aconteceu na minha vida. Mas seria injusto que isso acontecesse uma única vez na vida. Então eu tô aí como várias pessoas acreditando que de repente o céu possa se abrir.

OR: Para finalizar, onde o sol brilha pra você?

MJ: Em vocês, as pessoas que eu vejo enquanto eu canto.

domingo, 18 de novembro de 2012

Quem te viu, quem te vê

A noite do Mais MPB foi marcada por estréias, Benjamin, novas músicas do Círculo e um novo Marcelo Jeneci.

Por Maria Eduarda Carvalho


Aconteceu ontem na arena Miraflores a primeira edição do projeto Mais MPB. Com as apresentações de Benjamin, oCirculo e Marcelo Jeneci, o evento foi também uma prévia do Festival Suíça Bahiana (06 a 08 de dezembro).

Muito prejudicado pela chuva torrencial em termos de público e estrutura, a noite demorou a "engatar" e foi se construindo aos poucos, mas no final das contas conseguiu se sair bem sucedida.

As luzes fortes do palco que coordenavam também o resto da arena inundavam de azul o ambiente, quando subiu ao palco a primeira atração, Benjamin.

Um palco grande para um cara com um violão, mas quem precisa de banda quando assim mesmo consegue preencher o espaço com toda aquela sonoridade? O folk é tímido, mas quando mostra a que veio retem, com facilidade, a atenção do ouvinte.

A repercussão da apresentação era uma incógnita, já que era a primeira vez que o artista apresentava o projeto para o "grande público". Pouco tempo depois, Diego desabafou, "o meu show ainda não passou muito, ainda não o realizei. Mas eu fiquei muito feliz quando vi as pessoas cantando uma música minha, de verdade, me emocionou", e assim foi sua estréia.

Quem veio depois apesar de não ser artista local já era um grande conhecido. A banda soteropolitana oCírculo já tocou por aqui algumas vezes, sempre com máxima receptividade e carregando uma legião de fãs, dando à noite, mais ou menos nesse ponto, uma "cara de show". A chuva deu uma trégua e mais gente começou a chegar para curtir o repertório preparado pela banda.

O público da noite pôde curtir uma mistura no repertório, canções mais conhecidas como "Meu Bem", "Muito Romântico" e "Janela", intercaladas com uma pitada ou outra de novidade, denunciando o trabalho que está por vir. Muita energia, gente cantando junto. O grupo estava mesmo em casa e funcionou bem como um prenúncio do que estava por vir.

Dentre os shows, o Mais MPB já tinha crescido em público e melhorado em expectativas. Um número maior de pessoas reunidas em torno do palco já estava ali para aguardar a grande atração da noite, Marcelo Jeneci.

Enquanto também aguardava, eu pensava no seu último show durante o Festival Suíça Bahiana, tranquilo, articulado, bem ensaiado.

Sinceramente não é dos meus estilos favoritos, prezo o empenho dos artistas na construção do show, mas me encanta muito mais as emoções a flor da pele, a dança mal conduzida, o calor do momento.

E qual não foi minha surpresa encontrar tudo isso e ainda mais no show que se seguiria?

Jeneci

Depois de impasses e atrasos, Jeneci subiu ao palco. Visivelmente mais magro e com uma barba enorme, o cantor não aparentava nem de longe o bom moço do Festival passado. Houve quem julgasse seu estado como alterado - e com certa razão -, mas ninguém pode negar que sua entrega no palco foi absurda.

Fiquei ali parada, uns bons minutos tentando entender o que acontecia e rindo da minha própria cara com os pensamentos antes aqui relatados, mas não consegui mais desgrudar os olhos do palco.

De uma hora para a outra o Miraflores tinha se transformado. Outra energia pairando, pessoas se espremendo contra a grade, o contato entre artista e público construindo juntos uma performance.

Os casais e seus abraços melosos (como era previsto) até que estavam por lá, mas não era maioria ou nem tinham tanta importância, as atenções estavam todas voltadas mesmo para o palco.

Laura, companheira de palco e de voz de Jeneci, continuava uma bonequinha e, muitas vezes, segurou com maestria os vocais, um pouco prejudicada pelo volume dos instrumentos, mas sempre muito cativante.

Sem dúvidas, Marcelo Jeneci deu à cidade um dos melhores shows do ano. E olha que falamos de um 2012 de Criolo, Mundo Livre, Felipe Cordeiro.

Talvez esse nível de entrega um pouco à margem da completa lucidez seja "destrutivo", mas, como disse o Wander Wildner, "o público quer que você se mate no palco" e, pelo menos de longe, pareceu que ele também estava se divertindo.

Agora só há uma coisa a dizer, espero um novo Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos e não vem do Otto.