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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Final do Por isso é que eu canto


Foto: SecomPMVC/Emanuel Nem Moraes
Por Murillo Nonato

Na noite de ontem (04), aconteceu a última final do concurso musical Por isso é que eu canto. O projeto é promovido pela Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista através da secretária de cultura, turismo e lazer. Há oito anos o projeto vem revelando talentos conquistenses e aquecendo a cena musical local.

Esse ano o vencedor do concurso levou para casa R$ 4 mil, ficando o segundo lugar com o prêmio de R$ 2 mil e o terceiro de R$ 1 mil, além de tocarem no palco principal no Natal da Cidade, na praça Barão do Rio Branco.

A final do concurso foi dividida em dois dias, a primeira ocorreu no dia 3. O resultado do vencedor se deu através da somatória das pontuações acumuladas pelos candidatos nesses dois dias. Os 15 finalistas interpretaram músicas de compositores regionais, no primeiro dia, e no segundo, de artistas da MPB.

Foto: SecomPMVC/Emanuel Nem Moraes
Confira abaixo tabela com a ordem das apresentações, músicas e compositores escolhidos para o último dia de final , além dos vencedores em destaque:

Interprete:                                        Música:                                 Compositor:
Ramilo Andrade                                 Céu de Santo Amaro                Flávio Venturini
Joani Marques                                    O dia, um adeus                       Guilherme Arantes
Rafaela da Silva                                  Falando Sério                           Roberto Carlos
Lucas Sampaio                                   O Trem das 7                           Raul Seixas
Alexandrina                                        Fanatismo                                 Raimundo Fagner
Sussy Dias (2º lugar)                       O dia, um adeus                       Guilherme Arantes
Felipe Viana                                       Sangrando                                Gonzaga
Jadia Filadelfo (1º lugar)                 Muito Pouco                          Paulinho Moska
Cristiano Oliveira                                Rosas não falam                      Cartola
Jessica Magalhães                              Final Feliz                                Alexandre Pires
Igor Julião                                          Matriz ou filial                          Lucio Cardim
Marcele Cilane                                   Ando meio desligado               Mutantes
Vinicius Oliveira                                 Maior que                                Chico Buarque
Marlua (3º lugar)                             Rãzinha                                  Ceumar
George Maia                                     Codinome Beija-flor                 Cazuza

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

No Caminho do Som

O concurso Por Isso É Que eu Canto chega à 8ª edição e reuniu numeroso público em sua primeira noite, ontem (21)

Por Mariana Kaoos
Foto: Giselle Moreira

Definitivamente, as noites Conquistenses podem guardar grandes surpresas! Por mais um ano consecutivo, lá estava eu, na Praça Nove de Novembro, para acompanhar a primeira noite do concurso musical Por Isso É Que Eu Canto. As pessoas chegaram aos poucos e logo se aglomeraram em volta do palco montado. Umas em pé, tomando cerveja, outras sentadas com olhares atentos.

A ansiedade para ver a nova gama de artistas que iriam se apresentar naquela noite foi intensa tanto da parte do público, quanto dos jurados. Ganhador do concurso em 2010 e retornando esse ano como parte do júri, Ítalo Silva, acredita que o Por Isso É Que Eu Canto é uma grande vitrine, já que o público tem acesso a grandes nomes que surgem a partir do concurso.

Já em relação a ter sido convidado para compor a bancada de jurados desse ano, afirmou se sentir muito honrado. “Eu fiquei muito feliz com o convite e acho interessante que a comissão julgadora tenha pessoas que sabem como é estar em cima do palco. A seriedade que envolve isso, o nervosismo. Esse lado humanista da coisa é mais fácil para quem já participou de festivais como esse.”

Com uma hora de atraso, a noite começou meio morna. Os primeiros concorrentes que se apresentaram estavam apáticos, talvez pela escolha da canção, talvez pela interpretação que deixou a desejar.

Mas, ao longo da noite, três nomes surpreenderam os presentes, levando-os a aplaudirem calorosamente a cada nota alcançada com louvor. Eles foram Igor Julião, Jeh Oliveira e Rafael Silva. Para Rafael, “interpretar é passar um pouquinho da emoção daquilo que a música traz ao artista. Nós, enquanto interpretes temos que passar essa carga, esse sentimento para que as pessoas possam se conectar com o que estamos dizendo”.

Concorrente 2012: Jeh Oliveira
Foto: Giselle Moreira

Valorização e estímulo

Organizado pela Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista, o concurso chega esse ano à sua 8ª edição. Esse ano, o vencedor ganhará um prêmio de R$ 4.000,00. O segundo colocado fatura R$2.000 e o terceiro R$1.000. Todos os três se apresentarão individualmente no palco principal do Natal da Cidade. De acordo com o gerente de promoção cultural, Date Sena, “nosso Governo Participativo tem essa proposta e essa preocupação de valorizar os emergentes da música de Vitória da Conquista e região. Daqui saíram nomes como Achiles Neto, Jessy Brito, Iara Assessú que, hoje, já ganham festivais a nível nacional. Então, nosso principal objetivo é descobrir esses artistas e valorizar o trabalho deles, além de estimular a produção artística local. Esse ano temos 42 concorrentes, todos com muito talento. Ao que tudo indica, a disputa será acirrada”.

O Por Isso É Que Eu Canto ocorrerá também nos dias 22, 23, 29 e 30 de novembro e 03 e 04 de dezembro, sempre às 18 horas.


Jurados 2012

Jessy Brito                                                                      
Ítalo Silva
Beto Veronese
Gil Barros
Iara Assessú


Classificados da primeira noite (21/11)

Suzy Dias
Rafael Santos
Igor Julião
Nádila Batista
Jéssica Magalhães
Jeh Oliveira
Herbert
Vinícius Ribeiro

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O Rebucetê Entrevista: Marcelo Jeneci

"A chuva é a vontade do céu de tocar o mar/e a gente chove assim também quando perde alguém/ mas quando  começa a chorar começa a desentristecer/ assim  se purifica o ar depois de chover" - Trecho da música "sem nome", que Marcelo Jeneci não incluiu em seu álbum "Feito Pra Acabar"

Por Thaís Pimenta

Foto: Rafael Flores
Copo d'água, pingos, tempestade. As músicas de Marcelo Jeneci pedem chuva. Para criar o cenário e clímax perfeito a natureza deu uma forcinha.

Na noite do último sábado (17), enquanto acontecia o show do cantor, em Vitória da Conquista-BA, o tempo oscilava entre pingos serenos de chuva e pancadas mais fortes. Assim como oscila o amor.

Como não falar de amor ao relatar um show de Marcelo Jeneci. Todos desejam uma "história de amor pra contar",  procuram um "lugar onde o sol brilhe", "um lugar bem feliz pra poder agir naturalmente". E foi cantando  e embalando as histórias que as pessoas se identificam e as deixam à flor da pele, que Jeneci conseguiu arrancar lágrimas discretas e sinceras dos conquistenses.

O show de Jeneci fez parte do projeto Mais MPB, prévia do Festival SuíçaBahiana, que contou também com as apresentações de Benjamin e da banda O Círculo. Nos bastidores, murmurinhos diziam que Marcelo Jeneci não daria entrevista à imprensa. Mas "de tanto não parar, O Rebucetê chegou lá". Conversamos com o cantor que falou um pouco sobre a participação da Natura em sua carreira, sobre suas composições e ainda sobre o assunto delicado de sua recente separação. O resultado desse bate-papo compartilhamos com exclusividade para você, nosso leitor.

O Rebucetê: Talvez o boom da sua carreira tenha sido após a produção do seu álbum e seu show de lançamento, que a Natura produziu. A partir daí, as gravadoras começaram a te olhar com outros olhos. Para você, qual a importância participação da Natura em sua carreira e na dos novos nomes da MPB?

Marcelo Jeneci: Acho que a Natura é uma empresa que merece muito respeito. Ela vem conquistando um império muito grande de maneira muito limpa e clara,  nem um pouco obscura como a maioria das grandes empresas. E acho muito bacana o edital Natura Musical porque graças a ele pude gravar o "Feito Pra Acabar" do jeito que eu sempre sonhei. Nós tínhamos um plano de fazer um disco, um plano A, onde eu gastaria um puta grana pra realizar. Mas aí graças a Natura eu pude viver uma experiência no plano A. E assim será meu segundo disco, patrocinado pela Natura também.

OR: As histórias, as letras de suas músicas, são facilmente absolvidas pelas pessoas. Para você, o amor e a felicidade são tão belos e simples como suas composições?

MJ: Acho que são muito mais bonitos e muito mais simples que minhas músicas. As minha músicas tentam alcançar um “lelezito”, um frenesi do sentimento puro. Eu tento fazer canções que cheguem no alvo, no coração das pessoas. Mas o sentimento verdadeiro quando acontece dentro de alguém é muito mais forte do que qualquer canção.

OR: Em entrevista, você confessou uma vez que cresceu embalado pelas trilhas sonoras das novelas e hoje é você que as compõe. Como se sente embalando trilhas de novelas, casamentos e histórias?

MJ: Acho que a gente é para o que nasce. Então aos poucos a gente vai percebendo o que melhor tem a oferecer. Nem todo mundo tem a chance de viver do que sabe fazer. Então, eu acho que o fato de as minhas músicas serem encaminhadas para telenovelas, hoje em dia, é uma consequência de uma história cheia de fatos. Não é apenas uma conquista minha, vem aí a família que me criou, o fato de eu ter crescido na periferia de São Paulo ouvindo rádio, vendo TV, consumindo cultura popular, depois ter virado músico e ter a chance de viver de música. E hoje, o fato de minhas músicas serem encaminhadas para novelas tem a ver com o percurso que me foi dado, que eu percorri. Então, eu acho que é isso que eu vou tentar percorrer pelo resto da vida, os versos e melodias quem deem conta de sintetizar as coisas que você vive, que eu vivo.

OR: Você compôs a música "Pra sonhar" para sua ex-esposa e empresária. E agora como fica a "história pra sonhar"?

Foto: Rafael Flores
MJ: Acho que tudo nessa vida tem começo, meio e fim. O casamento por mais maravilhos que seja ele é uma ideia que impõe que não vai ter fim. Isso é uma ideia humana natural, é uma aposta, é uma fé. Eu tive um casamento maravilhoso, compus essa música "Pra Sonhar" e me separei. Vou guardar com todo carinho e amor do mundo essa relação que eu vivi e foi a coisa mais maravilhosa que aconteceu na minha vida. Mas seria injusto que isso acontecesse uma única vez na vida. Então eu tô aí como várias pessoas acreditando que de repente o céu possa se abrir.

OR: Para finalizar, onde o sol brilha pra você?

MJ: Em vocês, as pessoas que eu vejo enquanto eu canto.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Diamante Fake: "Unapologetic" - Rihanna

Rihanna é uma das cantoras pop mais produtivas desta geração. O que nem sempre significa qualidade. Em seu novo trabalho, "Unapologetic", Rihanna supera a farofa do álbum anterior, mas ainda precisa tirar férias.

Unapologetic (Def Jam, 2012)
Rihanna

Por Lucas Oliveira Dantas


Está na Bíblia: “a cada doze meses a terra será assolada por mais um lançamento de Rihanna.”

Juro que adoraria passar um ano acompanhando Rihanna para todos os lados. A profusão de álbuns a sair da cachola dela é impressionante; apesar de não ser do meu gosto enquanto fã de música, fico ao menos curioso em saber desse processo criativo.

Pois, se há algo que me incita nessa linha de produção, é o quanto Rihanna muda a cada álbum, mas mantém-se perfeitamente reconhecível.

Claro que nem sempre ela é bem sucedida: ano passado, por exemplo, ao lançar “We Found Love” (Talk That Talk, Def Jam, 2011) sua colaboração com o (agora) badaladíssimo DJ e produtor britânico, Calvin Harris, parecia que ela manteria o ritmo grandioso e excitante do álbum anterior. Mas, quando o conjunto da obra [o álbum] se revelou uma grande bagunça enjoada, a pergunta era inevitável: será que Rihanna não deveria tirar umas férias?

Unapologetic

Mas não! Óbvio que em 2012 Rihanna lançaria outro álbum e Unapologetic (Def Jam, 2012) não exclui a pergunta acima, mas é bem melhor que seu esforço do ano passado.

“Unapologetic” soa emocionalmente mais honesto, se aproximando de seu maravilhoso Rated R (Def Jam, 2009). Mas, em termos musicais, é como se Rihanna ainda não conseguisse encontrar a unidade e equilíbrio em seu modus operandi de produção. Enquanto há momentos interessantes - em que ela se permite a uma experimentação (mesmo que fake, por se tratar de imitações apropriações) -, há outros bem decepcionantes.

A grande característica de toda Diva Pop é sua capacidade de copiar e se moldar aos estilos propostos a cada trabalho.

Se formos analisar o quesito “apropriação”, Rihanna é a MELHOR Diva Pop desta geração. Ao contrário de outras tantas mainstream afora (*COF* Lady Gaga *COF*), ela assume estilos musicais e os torna dela. Talvez porque, sabiamente, escolhe estilos mais alheios ao conhecimento geral.

Quando ela usa, neste álbum, a atmosfera sexual, tensa e sombria do rapper indie canadense The Weeknd, ela dá os melhores momentos do álbum, como em “Loveeeeeee Song” e “Jump”.

Aliás, The Weeknd deve ter sido o santo pelo qual Rihanna rezou todos os dias enquanto produzia esse álbum.

Depois, ela vai lá e caga tudo com porqueiras genéricas como “Right Now” (alguém POR FAVOR mate a carreira de David Guetta!), “What Now” e “Fresh Off The Runway”. Esta última, por exemplo, começa com um BANG e se arrasta com um FUEN! Muito parecido com o álbum no geral.

“Nobody’s Business”, o famigerado dueto com Chris Brown – o namorado que lhe desceu o cacete (trocadilho intencional)  – é a MELHOR música de todo o álbum. A pegada house dos anos 1990 é maravilhosa, lembrando de longe o trabalho de Madonna em 1992 (Erotica, o álbum) e outros de Michael Jackson, como “Remember The Time” e a icônica “Keep It In The Closet”; e a performance de Brown é tão maravilhosa (e infinitamente superior à de Rihanna) que você se sente meio culpado por estar gostando. (Sim, é difícil perdoar, mas “it ain’t nobody’s business”).

Mas, se você sabe um pouco da cena Pop de 2011 para cá (além dos grandes palcos dos quais Rihanna faz parte), conhece o trabalho de Azealia Banks e como ela tem ressuscitado e soprado divinamente vida neste gênero musical. Então, PALMAS para Rihanna por canalizar tão bom trabalho, mas Azealia e todos aqueles que já conhecem o seu e outros trabalhos estão dando risocas irônicas por dentro.


Linearidade vocal

Pop bitches têm a necessidade de lançar baladas que, muitas vezes, são apenas para demonstrar seu potencial vocal. O que pode ser uma armadilha, pois geralmente a potência vem com uma performance tão genérica em termos musicais e bem meia-boca em termos vocais. Você ouve as notas serem alcançadas, mas com entrega emocional pífia.

Só que Rihanna sempre foi uma artista inteligente, escolhendo e produzindo canções que se melhor encaixavam em suas limitações, estilo e, principalmente, no trabalho que lançava. Suas baladas não saíam dessa lógica, sendo sempre fantásticas em atmosfera – basta escutar canções como “Skin” (Loud, 2010) e a icônica “Russian Roulette” (Rated R, 2009).



Assim como como em seu álbum de 2009, o primeiro single de “Unapologetic” foi uma balada, “Diamonds”. Composta pela nova queridinha das divas pop americanas, a australiana Sia, a canção é mais uma perfeita imitação de Rihanna. Ela imita Sia com maestria e perfeição e se, a princípio, o resultado é decepcionante (ainda mais se você já conhece o trabalho da australiana), com o tempo a coisa fica até agradável.

A principal balada do álbum é “Stay” e é nela que Rihanna escorrega. Enquanto a letra carrega bela força emocional sobre um relacionamento conturbado e destrutivo, a força emocional fica por conta de Mikky Ekko - co-autor e vocalista convidado da faixa -, pois Rihanna mantém uma linearidade vocal insípida. Ou seja, a balada se faz completamente desnecessária no conjunto da obra.

Como mencionei acima, o grande trunfo de Rihanna é que, de todas as suas contemporâneas, ela é que soa mais verdadeira a cada álbum, mesmo que suas experimentações soem deslocadas e forçadas. Porém, em “Unapologetic”, ela entrega um bom produto, no qual ao invés de descartar pela pressa em produzir e lançar (Talk That Talk), você genuinamente deseja que ela tivesse se permitido mais tempo para o cozinhar e burilar melhor.

Nota: 3,5/5
Destaques: Loveeeeeee Song, Jump, Diamonds, Love Without Tragedy-Mother Mary, No Love Allowed.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

O ritmo da palavra de Benjamin

O Rebucetê entrevista Diego Oliveira do projeto de música folk Benjamin, que se apresenta neste sábado no Mais MPB

Por Maria Eduarda Carvalho, colaborou Thaís Pimenta.


Foto: Diego Oliveira/ Divulgação
Benjamin é um nome de pessoa, ou de projeto. É o título de batismo dado pelo artista Diego Oliveira ao seu projeto de música folk idealizado lá nos idos de 2008, mas que só veio a público recentemente quando gravado e lançado junto ao seu primeiro EP: Live From a Dead Room - A One Take Session.

As sete músicas gravadas “durante uma madrugada e uma manhã com um gravador portátil” repercutiram na internet e mesmo antes de uma grande apresentação ao vivo já conquistou um grande número de fãs e curtidas no Facebook.

O responsável por tudo isso, o multi-instrumentista Diego também é produtor musical e figurinha carimbada no cenário da música local. Agora também contribui para que Vitória da Conquista se incorpore ao circuito folk da música nacional.

Amanhã, no projeto Mais MPB, Benjamin faz pela primeira vez sua primeira grande aparição em público e as expectativas são das maiores. Para conhecer melhor e esquentar as turbinas para a noite de sábado que promete, O Rebucetê entrevistou Diego Oliveira que apresentou um pouco mais do seu novo trabalho e sobre música.

O Rebucetê: Todas as suas composições são em inglês e o folk também tem essa tradição de ter canções nesse idioma, mesmo quando de outros países. Quais os elementos do inglês que fazem dele uma ferramenta no folk?

Diego: A palavra tem ritmo. Por si só, isoladas, elas trazem informações muito além do seu sentido; têm o poder de conduzir de forma quase física. Imagine palavras como trust, love, faith, elas passam com sua dinâmica exatamente o que o sentido traz, são fortes, diretas. Agora imagine palavras como flowing, floating, percebe o ritmo? Imagine todas essas palavras combinadas e trazendo uma ideia, acho que isso ajuda a entender a grandiosidade do inglês no processo de composição e escrita. É por aí que eu me sigo e, dentro do folk especificamente, é conseguir um pulsar diferente, uma contraponto ao violão, que seja pertinente mas que seja honesto e natural. Não tenho tanta habilidade com o português pra conseguir os mesmos resultados, o que é uma pena, já que não sei se existe língua mais bonita que o português.

OR: Ainda falando do estilo folk, ele não é muito desbravado e conhecido no Brasil, mas existe uma cena ao seu redor. Qual o atual panorama do folk brasileiro? Que bandas você pode citar como referência no quadro nacional?

D: É, o folk vai "muito bem, obrigado"! É um cenário emergente que cativa de formas e intensidades diferentes em cada ponto no Brasil, mas que tem crescido e, o melhor, com extrema qualidade. O cenário paulistano é sem dúvidas algo a destacar, artistas como Phillip Long, The Outside Dog, Phillip Nutt, Gilmore Lucassen, Eric Taylor e ainda mais, bem mais, enfim... realmente tem muita gente de expressão que vem, cada um de sua forma, contribuindo como pode pra que a coisa aconteça. Isso sem falar nos festivais de folk que são maravilhosos. Acústico Folk Music Brazil, All Folks Fest, estão todos aí pra mostrar que a coisa tem seu público e apelo. Na Bahia eu não saberia dizer de verdade; não consigo imaginar como a coisa funciona porque, de todos os estados que me conectei através desse estilo, a Bahia foi o que menos se abriu.

OR: Apesar de não ter se apresentado em público muitas vezes, seu trabalho tem tido uma ótima repercussão nas redes sociais. A quais elementos você atribui essa receptividade?

D: Olha, eu diria que a simplicidade e informalidade que vem sendo feito, desde o processo de gravação das músicas do EP, quanto à forma que cuido das pessoas que estão por perto no Facebook e outros; estou sempre por lá, faço o que posso pra deixar claro que é muito honesta a minha entrega à minha arte e me parece que o recado tem sido entendido. Além disso, vem a gentileza das pessoas que estão acompanhando e compartilhando.

Foto: Diego Oliveira/ Divulgação

OR: Segundo o site Folk Music Brazil sua música tem “uma sinceridade que se pode sentir em cada sílaba e cada nota” e é, de fato, um trabalho para ser muito mais sentido que qualificado. Quais elementos você julga essenciais para dar essa atmosfera lúdica aos sons?

D: Não há muito o que dizer sobre isso, tudo está no verso. Meu verso vem falar do encontro, a alma se toca de alguma forma, com outra, com algo; o encontro se dá, nasce o verso e ele tem vida própria, pede uma cama, um descanso, uma estrada. Essa estrada é o som, o arranjo, a harmonia que aparece, eu só vou trabalhando as curvas.

OR: Apesar de o projeto Benjamin ser novo, sua atuação na cultura local já vem de tempos, trabalhando por exemplo com produção musical em estúdio de gravação. Por acompanhar de perto a rotina das bandas conquistenses, como vê o cenário musical da cidade hoje? Como as bandas têm evoluído dentro dessa nova lógica de produção colaborativa?

D: Grande cenário, só na teimosia é possível pensar o contrário. Temos qualidades em bandas, músicos, produtores, estúdios, quer mais o quê? A arte é um campo de guerra, parte do que você tem de enfrentar consigo mesmo pra fazer de forma honesta. Imagine trazer isso pra o mundo, não é fácil pra ninguém! Por isso, se alguma banda ou artista conquistense dessa nossa geração, ainda não é uma referência nacional, isso não é por falta de gabarito. Os ventos são de toda parte, uma hora sopra aqui, outra acolá.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

"Lotus" - Christina Aguilera


Com Lotus, Christina Aguilera melhora mas não se revigora, sendo mais um atestado de como a artista norte-americana se esforça demais.

Por Lucas Oliveira Dantas

"Lotus"
Christina Aguilera
RCA
De todas as artistas Pop, Christina Aguilera é única que eu realmente sinto algo próximo de “pena”. Por mais que ela tente e se esforce (muitas vezes genuinamente), ela sempre acaba soando como uma copycat - imitadora.

Neste novo álbum, Lotus, além de Madonna (duh!), ela tenta ser, Florence and the “Boring” Machine, indie pop, mas, o pior (ou “melhor”, se preferir) é quando ela vira copycat de si mesma.

Não há exatamente um problema nisso; grandes divas do Pop estão o tempo inteiro se auto referenciando em seus trabalhos - a já mencionada Madonna, desde seu álbum American Life (2003), volta para si mesma em temas e sons. Só que dessa auto reflexão, geralmente, saem interessantes resultados e novas perspectivas não só sobre a artista, mas também seu contexto na cultura pop (novamente, Madonna, em 2008, voltou a falar de sexo e pistas de dança em seu álbum Hard Candy, gerando uma discussão, para melhor ou para ruim, sobre o comportamento da mulher de 50 na sociedade do século XXI).

Só que a mente de Christina Aguilera, infelizmente, é bem menos brilhante do que ela faz parecer e ainda menos do que seus fãs gostariam.

Lotus

Ela inicia o álbum com uma intro que soa promissora: vocais editados e multiplicados dão o efeito etéreo do conceito da flor que nasce da lama pantanal; a gaita de fole contribui para o processo. Mas a coisa que deveria ser uma introdução, começa a dar loops entediantes, não se comparando em nada com a precisão eficiente de outras introduções, como Stripped Intro, de 2002.

A auto indulgência continua com Army of Me (quem viajou-na-maionese que seria um cover do clássico de Björk põe a mão aqui!). Em miúdos, “Army of Me” é igual a Fighter (2002) - ela, obviamente, cita a canção no refrão. Mas, por alguma razão, a música é boa e você consegue esquecer, depois de algumas audições, a chatice da letra.

Aliás, essa mania das atuais divas pop de soarem oh tão profundas e inteligentes é que tem sido meu principal problema com o mainstream Pop atual.

Se você vai falar o quão fodona você é, me diga de forma interessante - seja com versos longos e truncados a lá Alanis Morissette, ou com figuras de linguagem ricas como as de Björk. Ou até com a simplicidade direta de Madonna e Cyndi Lauper. Senão, mantenha-se à sua ignorância a lá Britney Spears.

Mais para frente tem o mimimi de baladas longas demais, gritadas demais e, bem... chatas demais. Sing for me é a cereja do sundae das pobres e solitárias divas pop, tão maravilhosas, ricas e amadas, mas coitadas, solitárias... você já está golfando?

Tem mais, Blank Page tem a mesma vibe. É uma piano-balada com uma pegada folk nos vocais que, felizmente, não é recheada de melismas insuportáveis. Aliás, ainda bem que Aguilera chutou Linda Perry para este trabalho, o mundo não aguentaria outra tentativa de Beautiful.

E falando em folk, ela atinge total status “country strong” em Just a Fool, dueto com seu colega de The Voice Black Shelton - provavelmente a melhor faixa de todo o álbum, por ser uma balada simples e honesta.

O ponto alto, só que ao contrário, é quando ela canaliza a teatralidade de Florence and the Machine, em Cease Fire e sua bateria em ritmo marcial, mas morre na praia do tédio assim que a canção chega ao refrão.

Mas, na realidade, Lotus é um bom álbum. Não chega aos pés de suas obras-primas - o debut de 1999 e Stripped - mas é infinitamente melhor que seu último esforço solo, Bionic (2010).

Pelo menos em Lotus ela manteve-se próxima a compositores e produtores que seriam capazes de dar-lhe bons hits (Max Martin, Shellback, Sia Furler e Steve Robson), ao invés de fazê-la soar como uma patricinha abestalhada tentando ser bebona e junkie (oi, Ladytron e Le Tigre?).

Apesar das baladas enjoadas e da presunção generalizada, Christina Aguilera consegue ser divertida na maior parte do álbum, como no lead-single Your Body e em faixas como Red Hot Kinda Love, Let There Be Love e Circles. E, como de costume nos lançamentos do Pop atual, as faixas mais interessantes são lançadas na versão deluxe - Light Up The Sky e Empty Words.


Lotus é um álbum que, como muito da carreira de Christina Aguilera, tem elementos interessantes e promissores, mas o produto final é bem menos que a expectativa gerada.

Christina Aguilera tem dito por aí em entrevistas que Bionic será um álbum aclamado no futuro; mas, ela deveria parar de tentar justificar seus tropeços e focar em cuidar do bom trabalho que tem em mãos.

Afinal, é devido a essa mania de grandeza em ser extremamente relevante para a produção musical e história do Pop que ela abocanha mais do que pode e Lotus, então, não é mais do daquilo que promete.

Nota: 3/5
Destaques: Your Body, Army of Me, Red Hot Kinda Love, Just a Fool, Light Up The Sky

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Por Que K-Pop? #2 - Fábrica de Semideuses

DBSK em sua formação original

Dizer que o K-Pop se leva a sério é quase um eufemismo; é óbvio que estes jovens altamente competitivos se levam a sério demais. Mas, como não, se você é criado e programado para ser um semideus?

Por Lucas Oliveira Dantas

O nome do maior grupo da história do K-Pop, DBSK (ou TVXQ!, como é melhor conhecido mundo afora) é um acrônimo de Dong Bang Shin Ki, algo como “os grandes deuses do Oriente” em português. Lançados em 2003 pela SM Entertainment (SMe - a maior de todas as agências de talento/entretenimento da Coréia do Sul), os cinco membros originais do DBSK foram os principais responsáveis pela expansão da Hallyu - “Onda Coreana” - para além dos mares asiáticos; só na Coréia e no Japão, segundo dados da Gaon Charts e da Oricon (espécies de Billboard sul-coreana e japonesa, respectivamente), até outubro deste ano DBSK vendeu mais de 11 milhões de cópias de álbuns, singles e DVDs por toda sua carreira.

Desde seu debut, os rostos, corpos e performances de DBSK fazem parte do mercado publicitário, do imaginário e da cultura pop coreana de maneira definitiva, sendo celebrados ao ponto do endeusamento (como o próprio nome do grupo sugere). Os cinco garotos trabalhavam intensamente para manter essa celebridade que, como expliquei no artigo anterior, são os responsáveis pelo mercado K-Pop. Até que no verão (coreano) de 2009, três deles abriram juntos um processo no Tribunal do Distrito Central de Seul contra a SMe para determinar a validade dos contratos com a agência.

Um dos maiores escândalos da indústria Pop coreana, a corrente briga judicial entre JYJ (novo grupo formado pelos três integrantes “rebeldes” do DBSK) e SMe é um dos principais alarmes de realidade do maravilhoso mundo do K-Pop.

K-Pop Idol

Madonna: ídolo global
A diferença crucial entre ídolos “normais” do pop e os do K-Pop é que, geralmente, os ídolos do ocidente adquirem tal status após sucessões de trabalhos critica e comercialmente aclamados. Mesmo sendo produtos industriais, para artistas chegarem a tal ponto, eles passam por um processo de reconhecimento que requer, especialmente, longevidade e relevância cultural que ultrapassem a ideia/estereótipo de que são apenas manufaturas.

O K-Pop não é completamente diferente, mas a ordem das coisas é diferenciada. Ao contratarem os jovens (trainees), as agências investem na formação de seus talentos para criarem grupos performáticos de excelência praticamente olímpica. 

Nestas "academias" artísticas proporcionadas pelas agências, são identificados e desenvolvidos os diversos talentos dos trainees que variam do canto e dança, às artes dramáticas e modelagem. Muitos desses jovens, não estreiam apenas como membros de um grupo, como também participam de doramas (séries/novelas coreanas), são modelos e até mesmo apresentadores de shows de variedade na televisão.

Como, muitas vezes, o processo de treino também é publicizado e comercializado (através de reality shows na TV, Youtube), ao estrearem, os idols já são apresentados como seres de outro mundo, dotados de qualidades especiais, superiores às nossas que, portanto, devemos idolatrá-los (ou seja, consumir avidamente tudo que eles produzem).


Kim Young-min
Segundo o CEO da SMe, Kim Young-min, o custo de descoberta e treinamento de uma das garotas do Girls’ Generation (o maior girl group da atualidade do K-Pop) foi de $2,6 milhões de dólares (mais de R$5 milhões). Deste ângulo, a pressão para o sucesso comercial do grupo é compreensível e o rígido controle das agências sobre os idols se faz óbvio.

Hierarquia

Outro ponto importante para entender o funcionamento da cultura de idols do K-Pop é compreender as relações pessoais coreanas, mesmo que apenas o básico.

Por mais que globalizar a Hallyu seja um dos objetivos-mor do K-Pop - e, por isso, as referências do pop coreanos são globais - a indústria do entretenimento coreana se comunica primária e principalmente com e para coreanos.

Na Coréia do Sul, uma pessoa se torna adulta aos vinte anos. Mesmo adultas, elas são subjugadas a regras de comportamento e hierarquia, tão bem definidos que fazem parte até da estrutura da língua coreana (flexões, conjugações e todo o tipo de palavras estão diretamente ligados a níveis hierárquicos).

Elenco da SMe em coletiva de imprensa da SMTown em Nova York.
Grupos presentes: KANGTA, BoA, TVXQ!, Super Junior, Girls' Generation, SHINee e f(x)

Quando assinam um contrato com uma agência, estas crianças e adolescentes passam tanto tempo entre a escola (que costuma também ser financiada pela agência) e os treinamentos, que seus colegas de agência se tornam como irmãos e os CEOs das agências, pais. Então, se um jovem normal da Coréia do Sul tem sua vida controlada por e reportada a pais e familiares mais velhos, um jovem trainee reporta à família, ao CEO e, posteriormente, ao público.

Eis que, dentro da lógica voraz do capitalismo cultural no qual o K-Pop é inserido, estes produtos têm que ser altamente vendáveis e estas peças da engrenagem devem estar em perfeito funcionamento para, assim, valerem o investimento que lhes foi empregado.

Portanto, idol groups estão sempre subjulgados àquilo que mercadologicamente é necessário para manter a base de fãs fiel e consumidora. (Aliás, os fãs de K-Pop são outro ponto de estudo que será explorado exclusivamente em outro artigo.)

Arte X Mercado

A “arte” de cada grupo é totalmente controlada pela agência que, além de definir o concept (conceito) sob o qual grupo é criado, determina as mudanças de estilo musical e visuais, comportamentos performáticos, tempo de câmera e trabalhos paralelos etc, tudo baseado no mercado/público alvo (principalmente jovens/adolescentes).

AOA (Ace of Angels), concept: anjos que, além de idols,
fazem parte de banda instrumental (AOA Black)

O concept no K-Pop é algo de suma importância, principalmente para diferenciar os boy/girl bands coreanos dos ocidentais. O conceito estético de um grupo coreano determina toda a imagem e trabalho do grupo; é aí que acontece a magia criativa do K-Pop pois, ao invés de apenas cantores, ou dançarinos, os membros de um grupo fazem parte de uma ideia, como se fossem personagens de uma peça, que pode se tornar um nicho dentro do mercado altamente competitivo do K-Pop.

Cada grupo é composto por um líder que, geralmente, é também o vocalista ou rapper principal, um ou dois vocalistas de base, um dançarino principal, um visual ou face - aquele que geralmente é o rosto publicitário do grupo - e um maknae. Em tradução simples para o ocidentalismo, maknae é o membro mais novo de um grupo; só que na cultura coreana isso significa muito mais, devido às questões hierárquicas já citadas.

A grande maioria dos grupos atuais de K-Pop seguem essa fórmula, com pouquíssimas variações, como lideranças rotativas e substituições gradativas de membros.

BigBang: um dos grupos mais vendáveis do K-Pop atual.
G-Dragon (quarto da esquerda para a direita) é um dos mais bem sucedidos
rappers e produtores dentre os idols K-Pop
Poucas agências dão liberdade artística aos grupos e seus membros. Alguns grupos e artistas - como BigBang (YG Entertainment) e BoA (SMe) - detêm participação e poder maior nas decisões de suas carreiras e trabalhos, pelo menos no tocante à música que produzem; tais espaços foram galgados, principalmente, devido ao sucesso comercial que tornou seus nomes em marcas de peso para as agências.

Enquanto isso, há também agências menores como Woolim Entertainment (do grupo Infinite) e a Stardom Entertainment (EvoL e Block B), além da FNC Music - subsidiária da Mnet Media (grande companhia de entretenimento coreano) -, que são reconhecidas por treinarem seus idols para que eles tenham maior participação no processo produtivo dos grupos.

Exceções dentro de um universo perfeitamente programado e controlado, como a linha de produção de uma fábrica.

Por se subjugar assim a padrões rígidos de produção e vendagem, o K-Pop (assim como o Pop em geral) sofre o preconceito de ser uma arte de baixo escalão, por estar principalmente ligada à lógica de mercado e consumo, ao invés das reflexões e transformações estéticas.

O que, sob este ponto, é verdade. Mas, ao descartá-lo, negligencia-se a excelência performática destes artistas, assim como a de compositores e produtores responsáveis pelas canções e, principalmente, as possíveis expressões da indústria cultural e midiática.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Por que K-Pop? #1 - Negatchê Tchalagá!


2NE1

Em junho de 2011, um quarteto sul-coreano chamado 2NE1 lançou um single – I Am The Best – que seria o grande divisor de águas do meu gosto, apreço e até devoção pela música e cultura Pop.

Por Lucas Oliveira Dantas

A minha maior dificuldade em falar e escrever sobre o K-Pop (Korean Pop) era responder à pergunta um tanto idiota (com o perdão pela honestidade brutal): “por que gostar de K-Pop?” Não sou dos que pregam que gosto não se discute: tudo pode ser discutido, desde que se saiba de antemão que há limites.

Eu ainda não sabia explicar meu limite com o K-Pop. Porque veja bem, à primeira vista/audição, o “K” do K-Pop não passa de um preciosismo, já que musical e visualmente o Korean Pop é muito parecido/igual ao Pop ocidental, seguindo as mesmas tendências norte-americanas e europeias, ao invés de defini-las e influenciá-las, como o Pop japonês foi capaz há alguns anos.

Se as semelhanças são tantas, eu não entendia o motivo do escárnio presente na pergunta; não entendia porque o gosto pelo pop sul-coreano estava renegado à caixa dos prazeres culposos – daqueles que você admite pra poucos ou apenas pro seu analista. Porque, se gosto não se discute, quem você pensa que é para questionar meu gosto por algo?

Eu já fui um desses espíritos de porco questionadores do nada. Até que ao final do ano passado eu caí na raia maravilhosa de uma batida - muito parecida com as club-bangers/floor-filler de Britney Spears - cantada numa língua estranha, mas com um refrão tão infeccioso que se sentia universal, seja lá o que quisesse dizer, não conseguia parar de cantar: NEGATCHÊ TCHALAGÁ!

Linha de Produção

Largar de babaquice e me assumir como um fã de K-Pop demorou um tempo. De lá para cá, tento acompanhar os lançamentos em enchentes desta indústria.

A grande singularidade do K-Pop está intimamente ligada à sua forma de produção. Em suma, a indústria mainstream do Pop coreano não está à busca de talentos auto formados que, por sua vez, buscam em algum momento da carreira um contrato com a alguma gravadora para a maior distribuição de seu trabalho.
Girls' Generation

De maneira resumida, no K-Pop há agências de talentos que estão sempre fazendo audições e contratando jovens. Estes, geralmente, são contratados ainda na infância (a partir dos 12 anos, alguns até mais novos) - tornando-se trainees - e são treinados em diversas áreas das artes performáticas: dança, canto, cênicas e até modelagem.

Os setores criativos das agências têm ideias e criam conceitos para algum grupo a ser lançado no mercado e selecionam, dentre esses trainees, os que melhores se encaixam nesses conceitos. Da audição à estréia, alguns jovens passam até mais de dez anos em treinamento. Essa é a fórmula geral para a criação de um grupo pop na indústria do K-Pop.

Mas como produtos tão manipulados conseguem ter tanto sucesso comercial e estético? As experiências ocidentais nos idos e fins dos anos 1990 não foram muito frutíferas: Spice Girls, Backstreet Boys, N’Sync e muitos outros tiveram grande sucesso comercial e cultural mundo afora, mas todos sucumbiram e desapareceram; fosse porque apenas um ou dois membros se destacavam (Justin Timberlake) ou simplesmente porque o interesse do público mudava para as divas teens (Britney, Christina Aguilera etc).

A eficiência e sucesso dos produtos do Pop coreano têm tudo a ver com a cultura rígida e disciplinada do Oriente. Se há algo que, para nós ocidentais, não precisa de muito estudo para perceber, é que orientais têm um senso de disciplina e conjunto centenas de vezes superior ao nosso.

São culturas milenares que resguardam muitas tradições e práticas, mesmo passando e acompanhando as milhares de mudanças das sociedades.

Então, os membros de um grupo coreano são apenas peças de um produto que não os pertence. Os conceitos, canções e imagens dos grupos não pertencem a seus membros e, sim, às agências; poucas são as agências que dão liberdade artística a seus grupos e poucos são estes que conseguem liberdades neste processo.

Resumindo, tudo é mercadologicamente pensado, programado e manufaturado para te conquistar e possuir.

Negatchê Tchalagá = Naega Jeil Jal Naga = I Am The Best

Óbvio que a música e até mesmo o pop coreanos não se resumem ao K-Pop - tudo na vida tem seu "alternativo". Mas, para os amantes da cultura Pop em geral, o K-Pop é um prato cheio e suculento. Especialmente por causa de seu tempero, a estética cultural sul-coreana obcecada pela perfeição.

Super Junior
Nos MVs (video clipes) de K-Pop, grupos de quatro a nove - às vezes treze, acredite - jovens cantam e dançam em perfeita sincronia, coreografias truncadas mas que, assim como os refrões chiclete das canções, contêm elementos fáceis, altamente copiáveis.

Todos os grandes hits do K-Pop no Youtube, como I Am The Best (2NE1), Gee (Girls’ Generation), Gangnam Style (PSY) etc seguem essa fórmula em algum nível, tornando-se sucesso porque cativaram o público com coreografias fáceis e icônicas.

Essa combinação de canções grudentas e coreografias cativantes, executadas por grupos de jovens terrivelmente belos, atraentes e talentosos fazem dos grupos de K-Pop superiores a qualquer coisa parecida feita pelo ocidente.

Ao comparar um vídeo de performance dos Backstreet Boys com qualquer um de Shinee (vídeo), você tem pena, sério, dos Backstreet Boys, por mais que se reconheça sua qualidade e talento.


Como dizem os Nerds/Hipsters, K-Pop é um nível de Pop que é “só para os fortes”. Pode-se apreciar as batidas, uma e outra melodia fácil, mas daí a mergulhar no maravilhoso mundo caramelizado e esteticamente simétrico do K-Pop requer um gosto muito grande pelo gênero.

Ainda assim, como o nome do grupo 2NE1 significa por extenso “to anyone” - “para qualquer um” -, o K-Pop é produzido para ser fácil e palatável aos olhos e ouvidos de todos, sem muitas pretensões filosóficas. Compreender a beleza e extrair a filosofia disso tudo que é o grande barato.


domingo, 21 de outubro de 2012

Então me ajuda a segurar essa barra que é gostar de você


Por Mariana Kaoos


Desde pequena, um dos pilares da minha criação enquanto ser humano foi a música. Quando criança, meu pai me ninava com as histórias de pescador que Dorival Caymmi contava nas suas canções, bem como o “Chululu” de Gal Costa e “Lígia” de Tom Jobim. Lembro como se fosse hoje o dia em que ele viajou e trouxe de presente para mim o disco Eu, Tu, Eles, de Gilberto Gil e isso me marcou profundamente. Depois foi uma coletânea de Cazuza, “Livros” de Caetano Veloso e aí vieram tantos outros que posso classificar a minha educação auditiva como algo um pouco diferenciado do que meus amigos na época ouviam.

Sim, por muito tempo dancei É O Tchan, pulei atrás do trio nos carnavais de Ilhéus ao som de Netinho, ia nas barracas de praia e me submetia a ouvir coisas como Só Pra Contrariar. No almoço, por conta da moça que trabalhava em minha casa, Tina, acabava aprendendo a letra de uma ou outra música de Leandro e Leonardo. Mas de fato, todos esses eventos eram esporádicos.  Nunca tive um forte apreço por esse segmento musical considerado pela minha mente pseudo cult (que de cult não tem nada) como “brega”. Quando “adolesci” a intolerância só aumentou. Era rock clássico, reggae, eternamente bossa nova, nunca arrocha. Pagode romântico então, nem pensar.

Pra ser bem sincera, sempre foi muito confortável me colocar numa posição superior por ouvir sons mais refinados e discriminar os outros tantos mortais que se submetiam a ouvir essas músicas e adoravam. Essas pessoas geralmente colocavam faixinhas no cabelo com o nome da banda ou ídolo, no quarto tinham pôsteres colados na parede e constantemente participavam de fã clubes. Decididamente jamais passaria por minha mente, um dia, delirar ouvindo essas mesmas coisas que eu tanto reneguei.

Mas meu coração está preso a você...

Há pouco mais de dois anos, meu pai foi fazer mestrado em Santa Catarina. Como sempre fomos apegados, foi uma época difícil tanto para mim, quanto para minha mãe, que possui um grau de sensibilidade emocional muito mais elevado que o meu. Triste, chorona, cada vez mais calada, ela se trancava no quarto e dormia o fim de semana inteiro. Meu pai se preocupava, sentia saudades e constantemente vinha nos visitar. Em um desses encontros, não lembro qual especificamente, ele olhou para mim e com olhinhos brilhantes afirmou: “eu gosto tanto de sua mãe e fico preocupado com ela. Ela é minha namorada”. Em seguida começou a cantar Vida Cigana, de Raça Negra, e admitiu considera-la uma das mais bonitas músicas que já ouviu.

Naquele mesmo dia li a letra com atenção, ouvi a melodia de olhos fechados e sorri. Da mesma forma que Raça Negra era poesia para meu pai, também virou pra mim. Vida Cigana entrou para o setlist do meu mp4 e até hoje está lá.

Não deixe a chama se apagar...


Raça Negra é um grupo paulista formado em 1983. Seu primeiro álbum, porém, só foi lançado em 1991. A partir de então, eles se tornaram um ícone do pagode romântico. Suas inúmeras músicas fizeram sucesso por décadas e perduram até hoje. “Cheia de Manias”, “Doce Paixão”, “Quando te Encontrei”, “Quero ver você chorar”, “Jeito felino”, são algumas, dos inúmeros sucessos da banda. Recentemente, foi lançado um disco tributo aos ícones da música romântica, o disco Jeito Felindie. Artistas como Letuce, Nevilton, Lulina e Amplexos são alguns dos nomes que compõem o tributo. Cada qual trouxe uma versão muito particular, utilizando das composições originais, mas transformando-as em novas músicas, bonitas e subjetivas.

Todas as composições de Raça Negra tem como foco o amor. Relacionamentos que não deram certo, saudades de algo ou alguém, dificuldades de se envolver com outra pessoa. Transformar em rock esses sentimentos pode ate ter dado um novo ar para a maneira como se fala, mas no fim das contas, a mensagem continua sendo a mesma.

De maneira impressionante, 2012 foi o ano dos tributos. Até agora já rolou homenagem a  Los Hermanos na coletânea Re-Trato; The Strokes com Is This Indie; Caetano Veloso e seus 70 anos de carreira em homenagem internacional A Tribute to Caetano Veloso, isso sem falar nos vários artistas nacionais contemplados na coletânea Brasileiros. O de Raça Negra veio para aumentar esse número. Mas diferente dos outros, Jeito Felindie logo se tornou pop e atingiu distintos segmentos de públicos.

Quero te deixar você não quer...

Atualmente Raça Negra é uma das minhas bandas favoritas. A simplicidade de como as coisas são ditas, os sentimentos que as melodias me causam. Tomando uma cerveja numa tarde ensolarada ou com fones de ouvido no trabalho, venho aprendendo nos últimos tempos a beleza de ser “brega”, de poder cantar bem alto e me assumir romântica. As versões do Tributo, bem como as originais, vem embalando meus maiores momentos de sorriso e sim, hoje quando me percebo como as pessoas que tinha preconceito, me divirto com isso. Estou até pensando em colar um pôster no meu quarto. Quem sabe, quem sabe...

Ouça no blog Viver de Chamego o streamming na íntegra da coletânea. 

domingo, 26 de agosto de 2012

O Rebucetê Entrevista: Leoni

Por Thaís Pimenta

A juventude pode ser compreendida como período das inciações, em que  se vivencia e experimenta as primeiras formas de  amor. As músicas a compor a  trilha sonora de cada um vêm refletir acerca dos lugares e significados que são  atribuidos à vida amorosa. Histórias de amor, romance e desilusão são temas que não se encerram e estão sempre abertos para novas versões. E assim, o modo de conceber o amor se torna a maior aposta dos grandes compositores. Leoni, principal compositor do grupo Kid Abelha e que segue carreira solo desde 1993, não foge a regra. Músicas como "Garotos" e "Educação Sentimental", cantadas para uma geração anterior, transcendem o tempo e se tornam atuais para os novos jovens.

Século XXI. Os amores  passam a transitar entre o real  e o virtual. Mas não é só o amor que passa a ter uma configuração diferente a partir dessa digitalização do mundo, as práticas de compartilhamento de músicas também são modificadas.  Leoni vem transgredir nesse sentindo também, se adaptando às novas relações estabelecidas pela internet, hoje é um dos principais artistas que debate e discute temas como download de músicas e Ecad. E todos os seus singles  são disponibilizados com link para download gratuito e para venda no Itunes.

No dia 21 desse mês, Leoni lançou seu mais novo trabalho, o EP "Parcerias". Como o nome sugere, no projeto há a participação de grandes nomes da "velha-guarda" como Ivan Lins e de uma galera mais nova no cenário musical, como Móveis Coloniais de Acaju e Fernando Anitelli do grupo Teatro Mágico. Hoje (26), Leoni se apresenta no palco  principal do Festival de Inverno Bahia, em Vitória da Conquista, onde também se apresentam a dupla Jorge e Mateus e o grupo de Axé Music Ása de Águia. Essa já é a terceira apresentação do cantor na cidade. O Rebucetê conversou com Leoni sobre a atemporalidade de suas canções, sobre o debate do download livre e Ecad e sobre as antigas e novas parceiras. O resultado dessa conversa compartilhamos com você agora!

O Rebucetê: Em suas composições temas como amor e romance sempre foram presentes. Leoni cantou isso pra juventude anterior e essas músicas se fazem presentes para os jovens de hoje. Gostaríamos que você nos falasse um pouco sobre esse processo de composição atemporal:

Leoni: As pessoas são muito parecidas, né? Então quanto mais a gente fala da gente,mais a gente se comunica com as pessoas. Quando eu fazia essas canções, principalmente no começo do Kid Abelha, " Educação Sentimental",era realmente um aprendizado com o público, de relacionamento.Quando a gente colocava dificuldade nesses problemas de alguma forma a garotada se identificava com o que tava acontecendo. E quem não era garoto na época já tinha passado por isso. E é isso que acontece com as músicas que falam desse período, inclusive era um período em que o Renato Russo elegeu se concentrar. Ele falava que o Renato Manfredini pessoalmente iria envelhecer, mas o Renato Russo nunca passaria de 27 anos, porque o assunto da Legião Urbana era esse: O mundo que eu tô vendo não é um mundo que eu vivo;queria me adaptar nesse mundo mas eu não consigo;queria mudar o mundo mas não dá. Essa vontade de  mudar e dificuldade de se adaptar é um assunto muito interessante para diversos escritores e compositores. Então eu acho que é por isso que essas músicas continuam. Sempre tem gente passando por esse processo a vida inteira. Temos a ilusão que em determidado momento nossa vida vai tá resolvida, que vamos ter uma carreia bacana, estável, a familia também, e as coisas nunca são assim. Então de alguma forma  nós estamos sempre passando por isso.

OR: Em seus trabalhos você sempre trouxe grandes parcerias. No passado com Cazuza, Hebert Viana, agora com Moveís Colonias e Teatro Mágio, entre outros. Como se estabelece essa relação entre você e esse seus "parceiros"?

Leoni e Móveis no Festival da Juventude/ Foto: Ayume Oliveira
Leoni:Eu sou um cara inviel com os meus parceiros, sempre gostei disso. Eu continuo compondo com o pessoal da minha geração. Eu gosto muito de compor com Frejat, Paulinho Moska, mas tem inúmeros artistas novos que eu tenho vontade de copor  também. E agora eu tô lançando um EP só  de parceiras recentes. É o primeiro volume de Eps com parcerias. Nesse tem  Movéis Coloniais, Teatro Mágico, mas tem com Paulinho Moska e  tem Ivan Lins, da geração anterior.Que me deixa um bocado honrado, Lins é um artista que eu admirava quando era adolescente. Eu gosto dessa conversa, colaboração. E não quero parar com isso não, sempre encontro com um artista interessante quero mais do que ficar amigo, quero virar parceiro.

OR: Todos seus trabalhos recentes são agora disponibilidados para download livre e também à venda no Itunes. Qual a importancia de disponibilizar as duas possibilidades?

Leoni: Eu boto a venda porque pode ser que alguém queira comprar, não vou desperdiçar essa oportunidade. Mas, o mais importante pra mim é que as pessoas baixem minhas músicas e as divulguem, pois isso vai gerar mais shows, um contato maior com as pessoas, eu vou conseguir mostrar o meu trabalho.Já que é muito dificil entrar nas grandes rádios, nos grandes programas de tv sem você ter uma gravadora, pelo menos eu chego na casa das pessoas através do download. Quando alguma pessoa baixa uma música no meu site, gosta muito, envia para um amigo, que aí envia pra outro e a música vai circulando dessa forma. Mas de qualquer forma está lá a venda no Itunes. Alguns artistas nos Estado Unidos que dão e vendem músicas descobrem também que eles vendem mais quando dão mais. Tem um artista famoso nos EUA que ele colocava no site duas canções com o link para download gratuito e o link para comprar no Itunes, quando ele tirou o link gratuito pra fazer um teste, as vendas no Itunes caíram, como as pessoas não conheciam as músicas porque não tinham o download gratuito acabam não comprando.

OR: Falando agora um pouco sobre o Escritório Central de Arrecadação de Direitos Autorias - Ecad, que este ano passou por mais uma CPI. Você acha que hoje a classe artistica está mais organizada para lidar com a questão dos direitos autorais?

Leoni: Não, eu não acho. Mas já tem uma parte da classe que está mobilizada pra isso e que entende que o direito autoral como ele é hoje ele engessa a circulação de informação e de cultura. Ele foi criado em uma epoca que não havia digitalização, compartilhamento e aí eu fico meio revoltado de ver que os estudios de cinema e as gravadoras conseguiram inventar o termo pirataria digital. Pirataria é uma coisa muito violenta, né? Piratas são aqueles que entravam, saquevam, roubavam, matavam. Quem compartilha da música da gente é porque gosta, faz por carinho. Não existe pirataria digital, existe compartilhamento. Meu fã não é pirata. Quem gosta de mostrar minhas música pros amigos não está me roubando, pelo ao contrário,ele tá me ajudando, tá distribuindo  minha música de graça, eu tenho que ser grato, eu não tenho que condenar esse cara, ir pra justiça, proibi-lo de fazer isso. E os artistas estão começando a perceber que  tem que ser repensado o direito autoral, do jeito que tá é um mal pra todo mundo, é um mal pro artista e pra sociedade.

O Rebucetê Indica:

Conheça a parceria entre Leoni e Paulinho Moska, que está presente no EP Parcerias:

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Rebucetê Entrevista: Agridoce

Por Ana Paula Marques


Foto: Divulgação
Inspirados na melancolia das canções de artistas como Nick DrakeJeff Buckley, Velvet Underground e Iron&Wine, Pitty e seu guitarrista Martin Mendonça resolveram se jogar numa nova experiência sonora. O projeto Agridoce, o qual surgiu inicialmente sem nenhuma pretensão, imediatamente ganhou uma repercurssão positiva. A dupla fechou com o selo Vigilante e partiu para a Serra da Cantareira, onde montaram um estúdio caseiro, batizado de "Agridocelândia", para gravar o primeiro material audiovisual. Entre indicações para um dos principais prêmios da música brasileira e shows por todo o país, a turnê do Agridoce chega em Vitória da Conquista nessa sexta-feira (24), trazendo um show diferente daquele que o público "pittymaníaco" está acostumado a ver. Antes de começar a se aquecer para a noite conquistense que promete ser uma das mais frias da estação, confira a entrevista que a dupla nos concedeu, para falar um pouco sobre o projeto e a expectativa para a apresentação de mais tarde, na abertura do Festival de Inverno Bahia 2012.

O Rebucetê - Vocês deram um "time" para se dedicarem ao projeto Agridoce, que é bastante diferente do som que vocês apresentaram ao longo desses últimos anos além da banda Pitty (Inkoma, Cascadura, Martin & Eduardo) e do que o público estava acostumado a ouvir. Para vocês, como está sendo essa experiência?

Martin – Tem sido um grande aprendizado e uma diversão. O show do Agridoce é uma experiência de palco muito distinta da que estávamos acostumados, tanto no formato quanto na sonoridade, e temos que estar mais focados pois existe um espaço muito maior para cada elemento, forçando-nos a sermos mais cuidadosos e comprometidos com os arranjos. O contexto todo é muito diferente e tenho achado massa poder circular por outros meios e pessoas.

Pitty - Pra mim tem tanto o contexto de aprendizado intenso que Martin mencionou quanto o de aventura. É uma descoberta e uma quebra de paradigmas pessoal, um reinvento. Tocar com o Agridoce foi se colocar como uma criança diante de algo que ainda não se sabe direito, e ir seguindo a intuição, e se permitir uma novidade. E isso tudo traz muita adrenalina e excitação diante do desafio.

OR - Vocês ficaram surpresos com a repercussão do Agridoce, que no início não possuía nenhum tipo de pretensão?

M - Sim. Na verdade cada novo desdobramento do projeto como fazer shows,  conceder entrevistas ou ser nomeado em premiações é uma surpresa. É interessante também ver como esse projeto bateu para pessoas e de formas bem diferentes das que estávamos acostumados com nossos trabalhos anteriores, e como isso tem gerado novas experiências e diálogos.
P - Fomos seguindo o fluxo, e cada coisa que acontecia nos impulsionava para um próximo passo. Primeiro as demos na internet, depois a decisão de gravar um disco, depois de levar isso pro palco... a despretensão foi boa nesse sentido, de intensificar a surpresa com a receptividade e com a amplitude que as coisas foram tomando.

OR - Vocês pensam em extender o projeto ou ele será apenas um registro dessa fase de descoberta musical?

M - A gente não sabe. O projeto vai durar o quanto durar e se depois dessa turnê pintar a vontade de continuar e gravar outro disco a gente grava. No Agridoce a gente segue a bússola da vontade e a única coisa não fazemos são planos a médio/longo prazo.

P - O que vale mesmo é que de qualquer forma é uma experiência que fica entranhada na alma, e tudo o que for feito depois disso estará irremediavelmente permeado por essa vivência.

OR - Qual a expectativa de apresentar o Agridoce no palco do Festival de Inverno, um pouco menos de quatro anos depois de trazer o show do álbum "Anacrônico"? O que o público conquistense já pode esperar do show?

Foto: Divulgação
M - Tocamos o disco na íntegra, canções inéditas e algumas versões. Estamos numa fase de bastante entrosamento no palco e super empolgados por participar de um festival tão plural.

P - Exato. E do lado de cá, esperamos que estejam abertos a essa nova experiência, a partilhar desse novo universo com a gente. É um show bastante sensorial e lúdico, diferente de um show de rock que é mais físico.