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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O Centeio de Salinger


*para ler ao som de A Day In The Life - The Beatles

Por Mariana Kaoos

Se pudesse elencar as inúmeras datas que sensibilizaram a humanidade como um todo, na certa, o oito de dezembro de 1980 não poderia ficar de fora. Nesse dia, por volta das 23h, o ícone mundial John Lennon, chegava ao prédio em que morava em Nova York, Edifício Dakota, com sua esposa, Yoko Ono, quando um homem se aproximou e disparou cinco tiros contra o cantor. Dos cinco tiros, um atingiu a janela do prédio, três atravessaram o corpo de John e o ultimo perfurou sua artéria aorta, fazendo-o perder cerca de 80% do seu volume sanguíneo. Nesse mesmo dia, o mundo não só recebeu em prantos a notícia da sua morte, como também conheceu o rosto e o nome do seu assassino: Mark David Chapman.

"Girls Generation II ~ Girls & Peace ~" - Girls' Generation

Em seu segundo álbum no Japão, Girls' Generation - a melhor girl band coreana - lançam um maravilhoso álbum de europop cantado em japonês.

Por Lucas Oliveira Dantas


Girls' Generation II ~ Girls & Peace ~
Girls' Generation
Nayutawave/Universal Records

A Hallyu, ou Onda Coreana, transformou o K-Pop em um produto de exportação. Ao serem criados, os grupos já são pensados em lançamentos e promoções além-mar, principalmente nos mercados asiáticos da Indonésia, China, Vietnã e, claro, Japão.

Geralmente, tais inserções no mercado japonês consistem (a princípio) em traduções de hits da terra natal. A depender do sucesso comercial destes, as agências passam a investir em material japonês original e até uma nova identidade para o grupo, o que muitas vezes resulta em conceitos e carreira musicais bem diferentes dos originais coreanos.

Essa nova identidade é necessária porque, apesar de cada vez mais se render à Hallyu, o gosto do público japonês é diferente. Enquanto a Coréia do Sul prefere canções radiofônicas que tendem para o lado “fofo” da força, no Japão a coisa é mais obscura, seguindo tendências da música Dance norteamericana e do Europop.

Girls & Peace

Girls’ Generation é hoje o maior grupo do pop coreano. Criado pela agência SM Entertainment, SNSD (sigla de seu nome coreano: So Nyu Shi Dae) estreou em 2007 e, além de dominar as paradas coreanas, é desde 2011 o grupo coreano que mais vendeu álbuns no Japão.

Lançado na semana passada (28 de novembro), Girls’ Generation II ~ Girls & Peace ~ [Nayutawave/Universal Music, 2012], segundo álbum japonês do grupo, estreou na segunda posição da Oricon. E seguindo a tendência de adaptação do K-Pop ao J-Pop, Girls & Peace é um álbum sonoramente mais maduro que a discografia coreana da banda.

Conectada à atual tendência coreana ao Europop, a maioria do “Girls & Peace” é de hits para pista de dança. Canções como Animal, Reflection e Paparazzi seguem todo o livro de regras de divas ocidentais como Kylie Minogue, Ke$ha e Britney Spears. Já as fantásticas I’m A Diamond e T.O.P trazem uma qualidade R&B/Urban ao Dance, lembrando os melhores momentos do álbum Hard Candy [Warner Bros, 2008] de Madonna.


A tradução do álbum fica por conta de Oh! (lançada originalmente em 2010), uma das faixas mais atemporais do grupo, sendo tão viciante em japonês quanto em coreano. O single oficial do álbum, Flower Power, tem o clima contagiante de um sábado à noite com os toques de bizarrice inerentes ao J-Pop (a harmonização vocal da faixa é um show à parte); e a faixa-título Girls & Peace atinge status de perfeição pop, com uma pegada 1980’s, bem New Wave à lá Cindy Lauper, que (como tudo japonês-coreano-enfim-asiático) estranhamente combina com o grupo.

Enquanto Girls & Peace é um álbum melhor que o debut japonês de SNSD (por não soar como uma mera tradução), ele ainda não é a obra-prima pop que o apelo e qualidade do grupo promete. A grande qualidade de Girls’ Generation é de terem seu próprio estilo e classe, mesmo quando seguem tendências; contudo, o problema de seus álbuns é a coerência entre as faixas, soando menos como uma obra completa.

Neste álbum existe uma linha coesiva, em termos de sonoridade, estilo e desempenho; porém, apesar da maturidade de performance das “nove divinas”, poucos riscos são tomados, entregando um trabalho que, mesmo excelente, poderia ser de qualquer estrela pop.

Nota: 4/5

Destaques: Flower Power, Paparazzi, I’m A Diamond, T.O.P, Girls & Peace, Reflection
Pule: Not Alone
Para: quem não resiste ao culpável prazer de ouvir e gostar de girl groups. Quem curte Pop/Dance.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Diamante Fake: "Unapologetic" - Rihanna

Rihanna é uma das cantoras pop mais produtivas desta geração. O que nem sempre significa qualidade. Em seu novo trabalho, "Unapologetic", Rihanna supera a farofa do álbum anterior, mas ainda precisa tirar férias.

Unapologetic (Def Jam, 2012)
Rihanna

Por Lucas Oliveira Dantas


Está na Bíblia: “a cada doze meses a terra será assolada por mais um lançamento de Rihanna.”

Juro que adoraria passar um ano acompanhando Rihanna para todos os lados. A profusão de álbuns a sair da cachola dela é impressionante; apesar de não ser do meu gosto enquanto fã de música, fico ao menos curioso em saber desse processo criativo.

Pois, se há algo que me incita nessa linha de produção, é o quanto Rihanna muda a cada álbum, mas mantém-se perfeitamente reconhecível.

Claro que nem sempre ela é bem sucedida: ano passado, por exemplo, ao lançar “We Found Love” (Talk That Talk, Def Jam, 2011) sua colaboração com o (agora) badaladíssimo DJ e produtor britânico, Calvin Harris, parecia que ela manteria o ritmo grandioso e excitante do álbum anterior. Mas, quando o conjunto da obra [o álbum] se revelou uma grande bagunça enjoada, a pergunta era inevitável: será que Rihanna não deveria tirar umas férias?

Unapologetic

Mas não! Óbvio que em 2012 Rihanna lançaria outro álbum e Unapologetic (Def Jam, 2012) não exclui a pergunta acima, mas é bem melhor que seu esforço do ano passado.

“Unapologetic” soa emocionalmente mais honesto, se aproximando de seu maravilhoso Rated R (Def Jam, 2009). Mas, em termos musicais, é como se Rihanna ainda não conseguisse encontrar a unidade e equilíbrio em seu modus operandi de produção. Enquanto há momentos interessantes - em que ela se permite a uma experimentação (mesmo que fake, por se tratar de imitações apropriações) -, há outros bem decepcionantes.

A grande característica de toda Diva Pop é sua capacidade de copiar e se moldar aos estilos propostos a cada trabalho.

Se formos analisar o quesito “apropriação”, Rihanna é a MELHOR Diva Pop desta geração. Ao contrário de outras tantas mainstream afora (*COF* Lady Gaga *COF*), ela assume estilos musicais e os torna dela. Talvez porque, sabiamente, escolhe estilos mais alheios ao conhecimento geral.

Quando ela usa, neste álbum, a atmosfera sexual, tensa e sombria do rapper indie canadense The Weeknd, ela dá os melhores momentos do álbum, como em “Loveeeeeee Song” e “Jump”.

Aliás, The Weeknd deve ter sido o santo pelo qual Rihanna rezou todos os dias enquanto produzia esse álbum.

Depois, ela vai lá e caga tudo com porqueiras genéricas como “Right Now” (alguém POR FAVOR mate a carreira de David Guetta!), “What Now” e “Fresh Off The Runway”. Esta última, por exemplo, começa com um BANG e se arrasta com um FUEN! Muito parecido com o álbum no geral.

“Nobody’s Business”, o famigerado dueto com Chris Brown – o namorado que lhe desceu o cacete (trocadilho intencional)  – é a MELHOR música de todo o álbum. A pegada house dos anos 1990 é maravilhosa, lembrando de longe o trabalho de Madonna em 1992 (Erotica, o álbum) e outros de Michael Jackson, como “Remember The Time” e a icônica “Keep It In The Closet”; e a performance de Brown é tão maravilhosa (e infinitamente superior à de Rihanna) que você se sente meio culpado por estar gostando. (Sim, é difícil perdoar, mas “it ain’t nobody’s business”).

Mas, se você sabe um pouco da cena Pop de 2011 para cá (além dos grandes palcos dos quais Rihanna faz parte), conhece o trabalho de Azealia Banks e como ela tem ressuscitado e soprado divinamente vida neste gênero musical. Então, PALMAS para Rihanna por canalizar tão bom trabalho, mas Azealia e todos aqueles que já conhecem o seu e outros trabalhos estão dando risocas irônicas por dentro.


Linearidade vocal

Pop bitches têm a necessidade de lançar baladas que, muitas vezes, são apenas para demonstrar seu potencial vocal. O que pode ser uma armadilha, pois geralmente a potência vem com uma performance tão genérica em termos musicais e bem meia-boca em termos vocais. Você ouve as notas serem alcançadas, mas com entrega emocional pífia.

Só que Rihanna sempre foi uma artista inteligente, escolhendo e produzindo canções que se melhor encaixavam em suas limitações, estilo e, principalmente, no trabalho que lançava. Suas baladas não saíam dessa lógica, sendo sempre fantásticas em atmosfera – basta escutar canções como “Skin” (Loud, 2010) e a icônica “Russian Roulette” (Rated R, 2009).



Assim como como em seu álbum de 2009, o primeiro single de “Unapologetic” foi uma balada, “Diamonds”. Composta pela nova queridinha das divas pop americanas, a australiana Sia, a canção é mais uma perfeita imitação de Rihanna. Ela imita Sia com maestria e perfeição e se, a princípio, o resultado é decepcionante (ainda mais se você já conhece o trabalho da australiana), com o tempo a coisa fica até agradável.

A principal balada do álbum é “Stay” e é nela que Rihanna escorrega. Enquanto a letra carrega bela força emocional sobre um relacionamento conturbado e destrutivo, a força emocional fica por conta de Mikky Ekko - co-autor e vocalista convidado da faixa -, pois Rihanna mantém uma linearidade vocal insípida. Ou seja, a balada se faz completamente desnecessária no conjunto da obra.

Como mencionei acima, o grande trunfo de Rihanna é que, de todas as suas contemporâneas, ela é que soa mais verdadeira a cada álbum, mesmo que suas experimentações soem deslocadas e forçadas. Porém, em “Unapologetic”, ela entrega um bom produto, no qual ao invés de descartar pela pressa em produzir e lançar (Talk That Talk), você genuinamente deseja que ela tivesse se permitido mais tempo para o cozinhar e burilar melhor.

Nota: 3,5/5
Destaques: Loveeeeeee Song, Jump, Diamonds, Love Without Tragedy-Mother Mary, No Love Allowed.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

"Lotus" - Christina Aguilera


Com Lotus, Christina Aguilera melhora mas não se revigora, sendo mais um atestado de como a artista norte-americana se esforça demais.

Por Lucas Oliveira Dantas

"Lotus"
Christina Aguilera
RCA
De todas as artistas Pop, Christina Aguilera é única que eu realmente sinto algo próximo de “pena”. Por mais que ela tente e se esforce (muitas vezes genuinamente), ela sempre acaba soando como uma copycat - imitadora.

Neste novo álbum, Lotus, além de Madonna (duh!), ela tenta ser, Florence and the “Boring” Machine, indie pop, mas, o pior (ou “melhor”, se preferir) é quando ela vira copycat de si mesma.

Não há exatamente um problema nisso; grandes divas do Pop estão o tempo inteiro se auto referenciando em seus trabalhos - a já mencionada Madonna, desde seu álbum American Life (2003), volta para si mesma em temas e sons. Só que dessa auto reflexão, geralmente, saem interessantes resultados e novas perspectivas não só sobre a artista, mas também seu contexto na cultura pop (novamente, Madonna, em 2008, voltou a falar de sexo e pistas de dança em seu álbum Hard Candy, gerando uma discussão, para melhor ou para ruim, sobre o comportamento da mulher de 50 na sociedade do século XXI).

Só que a mente de Christina Aguilera, infelizmente, é bem menos brilhante do que ela faz parecer e ainda menos do que seus fãs gostariam.

Lotus

Ela inicia o álbum com uma intro que soa promissora: vocais editados e multiplicados dão o efeito etéreo do conceito da flor que nasce da lama pantanal; a gaita de fole contribui para o processo. Mas a coisa que deveria ser uma introdução, começa a dar loops entediantes, não se comparando em nada com a precisão eficiente de outras introduções, como Stripped Intro, de 2002.

A auto indulgência continua com Army of Me (quem viajou-na-maionese que seria um cover do clássico de Björk põe a mão aqui!). Em miúdos, “Army of Me” é igual a Fighter (2002) - ela, obviamente, cita a canção no refrão. Mas, por alguma razão, a música é boa e você consegue esquecer, depois de algumas audições, a chatice da letra.

Aliás, essa mania das atuais divas pop de soarem oh tão profundas e inteligentes é que tem sido meu principal problema com o mainstream Pop atual.

Se você vai falar o quão fodona você é, me diga de forma interessante - seja com versos longos e truncados a lá Alanis Morissette, ou com figuras de linguagem ricas como as de Björk. Ou até com a simplicidade direta de Madonna e Cyndi Lauper. Senão, mantenha-se à sua ignorância a lá Britney Spears.

Mais para frente tem o mimimi de baladas longas demais, gritadas demais e, bem... chatas demais. Sing for me é a cereja do sundae das pobres e solitárias divas pop, tão maravilhosas, ricas e amadas, mas coitadas, solitárias... você já está golfando?

Tem mais, Blank Page tem a mesma vibe. É uma piano-balada com uma pegada folk nos vocais que, felizmente, não é recheada de melismas insuportáveis. Aliás, ainda bem que Aguilera chutou Linda Perry para este trabalho, o mundo não aguentaria outra tentativa de Beautiful.

E falando em folk, ela atinge total status “country strong” em Just a Fool, dueto com seu colega de The Voice Black Shelton - provavelmente a melhor faixa de todo o álbum, por ser uma balada simples e honesta.

O ponto alto, só que ao contrário, é quando ela canaliza a teatralidade de Florence and the Machine, em Cease Fire e sua bateria em ritmo marcial, mas morre na praia do tédio assim que a canção chega ao refrão.

Mas, na realidade, Lotus é um bom álbum. Não chega aos pés de suas obras-primas - o debut de 1999 e Stripped - mas é infinitamente melhor que seu último esforço solo, Bionic (2010).

Pelo menos em Lotus ela manteve-se próxima a compositores e produtores que seriam capazes de dar-lhe bons hits (Max Martin, Shellback, Sia Furler e Steve Robson), ao invés de fazê-la soar como uma patricinha abestalhada tentando ser bebona e junkie (oi, Ladytron e Le Tigre?).

Apesar das baladas enjoadas e da presunção generalizada, Christina Aguilera consegue ser divertida na maior parte do álbum, como no lead-single Your Body e em faixas como Red Hot Kinda Love, Let There Be Love e Circles. E, como de costume nos lançamentos do Pop atual, as faixas mais interessantes são lançadas na versão deluxe - Light Up The Sky e Empty Words.


Lotus é um álbum que, como muito da carreira de Christina Aguilera, tem elementos interessantes e promissores, mas o produto final é bem menos que a expectativa gerada.

Christina Aguilera tem dito por aí em entrevistas que Bionic será um álbum aclamado no futuro; mas, ela deveria parar de tentar justificar seus tropeços e focar em cuidar do bom trabalho que tem em mãos.

Afinal, é devido a essa mania de grandeza em ser extremamente relevante para a produção musical e história do Pop que ela abocanha mais do que pode e Lotus, então, não é mais do daquilo que promete.

Nota: 3/5
Destaques: Your Body, Army of Me, Red Hot Kinda Love, Just a Fool, Light Up The Sky

domingo, 11 de dezembro de 2011

“Lioness” – Maravilhosa Amy


Por Lucas Oliveira Dantas

Da tragédia anunciada, à degradação crônica e, finalmente, à redenção musical. Como o álbum póstumo de Amy Winehouse é uma verdadeira honra àquilo que sempre deveria ter sido noticiado e celebrado: seu talento.

A morte de Amy Winehouse, em 23 de julho desse ano, veio repentina, ao passo que sem surpresas. Talvez uma das tragédias midiáticas mais perturbadoras, desde que cruzou oceanos com o single “Rehab”, em 2006 – que falava de sua relação íntima e conturbada com a depressão, bebida e drogas –, sua morte fora prevista e anunciada tantas vezes que o público em geral mal pôde evitar a confusão.

domingo, 4 de dezembro de 2011

I Kissed a Girl ... Like a Dude

Por Verônica Alcântara

Há pouco tempo tive contato com “Who You Are”, álbum da cantora britânica, Jessie J. Passei um mês ouvindo-o e uma semana escutando. Durante meu período de escuta, uma música chamou minha atenção: “Do it Like a Dude”, single de estréia da artista no mercado pop. Logo que escutei a canção de J., lembrei imediatamente da música “I kissed a girl” da americana Katy Perry e foi inevitável não relacioná-las.

Número um na Billboard Hot 100 e disco de Platina no Brasil, “I Kissed a Girl”, debut de Perry na indústria fonográfica, foi e continua sendo apontada como um hino lésbico:



“I Kissed a Girl” está muito longe de ser um hino lésbico. A melhor definição para o conjunto da obra (música e videoclipe) é a de mais um produto subjetivador da homossexualidade feminina.