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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Mais um ano, mais um olhar para o novo cinema

Saiba como foi a abertura da Mostra Cinema Conquista com a animação Ritos de Passagem.
 
por Maria Eduarda Carvalho
 

O clima pesado pela chuva torrencial que tem caído nos últimos dias talvez tenha prejudicado em números o público de ontem. Mas para quem se arriscou a sair de casa, São Pedro foi caridoso e a chuva só caiu durante as exibições, não atrapalhando a chegada e saída de quem foi prestigiar a grande noite de estreia. E a noite foi bonita. Deve existir uma mágica que envolve o cinema e faz de toda exibição por menor que seja um momento especial.

Foi assim, envolto nessa mágica e na grande expectativa dos presentes que começou ontem a oitava edição da Mostra Cinema Conquista, sem dúvidas, o maior evento de audiovisual do sudoeste do estado.

Para 2012 a Mostra reservou homenagens à própria cidade, comemorando os vinte anos do Janela Indiscreta com a exposição sobre o projeto no hall do Centro de Cultura e celebrando também 100 anos da presença do cinema em Vitória da Conquista.

A noite de abertura começou com as honras do cerimonial e representantes das duas entidades responsáveis pela realização da Mostra, Paula Flores e Ricardo Marques, respectivamente Uesb e prefeitura. Ricardo, prefeito em exercício, salientou a importância dessa parceria e em semana de comemoração de aniversário da cidade lembrou de outras atividades que vão acontecer nos próximos dias (você confere essa lista no nosso guia de feriadão).

Dando seguimento à programação da noite, o curador João Sampaio entregou a Esmon Primo e Milene Gusmão o prêmio em homenagem ao Janela Indiscreta. Milene, muito emocionada relembrou a trajetória do projeto que, assim como a maioria dos projetos culturais no nosso país, passou e passa por dificuldades para se manter ativo.

Milene também ressaltou a importância de Esmon nesse processo. O organizador da Mostra é também um dos principais nomes do fazer cultural na cidade hoje, e se destaca pelos esforços na construção de oportunidades de contato com o cinema na cidade, como acontece com a Mostra, Semana Glauber, o próprio Janela Indiscreta entre outros projetos.

O terceiro homenageado da noite foi o cineasta Chico Liberato, representado por seu filho João Liberato que também se destaca por ter composto, ao lado do conquistense João Omar, a trilha sonora do longa de animação "Ritos de Passagem".

Formalidades terminadas, a sessão de abertura ficou por conta de produções de animação e, nesse caso, especialmente voltadas a temáticas sertanejas como o curta Dia Estrelado de Nara Normande.

Na história a luta de uma família em busca de água em meio a seca nordestina. Apesar da ligeira pane no meio da exibição o filme conseguiu transmitir o seu recado e chamou atenção para os efeitos bem trabalhados e as cores fortes, produzidas "em massa de modelar".
 
Ritos de Passagem, segunda animação da noite, cruza as histórias dos dois grandes mitos sertanejos, Antônio Conselheiro, o Santo, e Lampião, o guerreiro. O filme promete levar o público "às questões das mais fundamentais ao ser humano, quando na passagem da vida para a morte: o que fiz da minha/nossa vida? Quais foram as consequências dos meus atos?" e, para isso, o enredo se pauta nas principais indagações que envolvem a história desses mártires: injustiça social, fé, luta pela sobrevivência e abandono (e muitas vezes maus tratos) por quem deveria proteger, o próprio governo.

A noite acabou e céu de novo suspendeu a chuva para que as pessoas pudessem pudessem ir embora.
“Sem dúvida essa semana é uma das mais especiais do ano, é sempre bom vir à Mostra e, de preferência, assistir quase tudo o que ela tem a oferecer, bom ou ruim. Os filmes têm sempre algo a acrescentar”, argumenta a estudante de arquitetura Daiane Freitas que, pelo terceiro ano consecutivo, acompanha a programação da Mostra.

E se você quer saber mais sobre animação não perca hoje a o primeiro Papo de Cinema com o tema “A animação e sua construção pela artesania” a partir das 15h no Centro de Cultura.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Mostra Itinerante Jorge Cine Amado

Foto: Lucas Oliveira Dantas

Como parte da comemoração dos cem anos do legendário escritor baiano, a iniciativa aproxima a obra de Jorge Amado de estudantes de escolas públicas de diversos municípios do estado.

Por Lucas Oliveira Dantas


Integrando exibição de filmes com palestras e debates, a Mostra Itinerante Jorge Cine Amado abriu suas atividades em Los Angeles, no mês de julho. Segundo o ator e diretor baiano Caco Monteiro, idealizador e supervisor geral, o evento tem sido frutífero desde o início.

O projeto, realizado sob a Lei de incentivo à cultura e patrocinado pela Vale e Ferrovia Centro-Atlântica, tem como objetivo principal a formação de público - não só para o cinema brasileiro como também para a obra de Jorge Amado. Por isso, seu público-alvo principal são educadores e estudantes do ensino médio de escolas públicas do estado.

O projeto já passou por Porto Seguro, Lençóis, Aratuípe, Nazaré das Farinhas, Santo Amaro e, nesta semana (06 e 07/11), Vitória da Conquista. Além de quatro adaptações cinematográficas da obra "amadiana" - Capitães de Areia (2011), Quincas Berro D'Água (2010), Dona Flor e seus Dois Maridos (1976) e Tieta do agreste (1996) - foram exibidos os documentários Jorge Amado (1997), de João Moreira Salles, e o praticamente inédito Jorjamado no Cinema (1977), de Glauber Rocha.

Adaptações

Jorge Amado é o autor brasileiro mais adaptado para a televisão e cinema. Recentemente, foi exibido o remake da clássica novela de 1975, Gabriela; a nova adaptação foi criticamente aclamada por sua pelas inovações no formato, especialmente técnico, da teletramaturgia brasileira, mas, seu sucesso (tanto no passado, como agora) se deu principalmente por conta do carisma das personagens de Jorge.

A jornalista soteropolitana Amanda Auad, que fomentou os debates após as sessões no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, afirma que o principal motivo é a proximidade da obra de Amado com a realidade baiana.

"Ele mostra a verdadeira face do povo brasileiro. Ele fala daquilo que as elites não falam, do povo das ruas, do Pelourinho, do Recôncavo e sul da Bahia. Sempre defendendo que a miscigenação que era o bom; ele gostava de reportar em suas histórias a mistura de raças e grande variedade de culturas," afirma.

Autodenominado um "contador de causos", Jorge Amado tirava suas histórias das ruas, por isso a identificação popular para com suas personagens. Para Auad, o interessante de projetos como a mostra itinerante – assim como da nova adaptação de Gabriela para a televisão – é justamente o resgate, para as gerações mais jovens, do trabalho de Jorge, não apenas para assistir as adaptações como para também direcionar a leitura das obras.

sábado, 4 de agosto de 2012

"O cinema como instrumento de transformação social” - O Rebucetê Entrevista: Marcos Mitidiero

Da Redação

Marcos Mitidiero. Foto: Arquivo Pessoal
A sétima arte como instrumento de transformação social encontra-se distante das grandes telas comerciais, mas se mantém viva em festivais, mostras e eventos afins como o Festival do Rio, Festival de Cinema Latino-Amerciano de São Paulo, por exemplo. Em Vitória da Conquista, o evento intitulado “1º de maio no cinema”, ocorrido recentemente, trouxe a exibição de filmes e documentários como “Terra e Liberdade”;“A Revolução dos Cocos”; “O Dia em que Dorival Encarou o Guarda” e “O Carteiro”.  Os chamados “filmes militantes”, por vezes produzidos de forma independente, buscam trazer roteiros bem elaborados, engajados politicamente, utilizando da arte para um fim social, participando da construção da consciência do povo.   

Produções relativamente afastadas dos modelos comerciais - diferente dos modelos americanos - causam estranhamento ao grande público. Mas por que isso acontece? O cinema pode ser instrumento de transformação social? Em entrevista ao O Rebucetê, Marcos Mitidiero, Prof Dr. da Universidade Federal da Paraíba (UFPA) e pesquisador das relações do estado e capital, respondeu tais questionamentos, falou sobre o resgate histórico que o cinema faz, e ainda comentou sobre o momento transformação das ações de contestação, protesto e revolução que estamos vivendo. O resultado desse bate-papo você confere agora:

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O Rebucetê Indica: Raul Seixas - O Início, o fim e o meio

Por Rafael Flores

Raul Seixas! É só lembrar do seu nome e milhões de imagens se formam na minha e nas milhares de cabeças de fãs Brasil afora.  Afinal ele foi um dos primeiros brasileiros que importou a alma roqueira, pouco se lixava pra linha evolutiva da música popular brasileira e ironizava a tal da canção de protesto. O cara também conseguiu deixar rastros comparáveis aos do seu ídolo Elvis Presley, como exemplo os milhares de sósias e covers que resistem por aí. E pros mais ortodoxos, um show que não responde ao onipresente “Toca Raul”, não merece muitos aplausos. 

Este ano foi especial para os raulseixistas por conta da estreia do filme “Raul Seixas – O início, o fim e o meio”, dirigido por Walter Carvalho (Budapeste).  Do roqueiro descarado ao alcoolatra inconsequente, o documentário consegue mostrar, sem muitas delongas, todos os principais percursos do canceriano sem lar. Confesso que fiquei esperando uma inovação na narrativa seguindo a não ordem cronológica proposta no título, mas talvez seria meio piegas.