sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Bandas locais marcam território no primeiro dia de Rock Cordel

Por Rafael Flores

Público durante o show da Ladrões de Vinil/ Foto: Rafael Flores
Começou ontem na praça Barão do Rio Branco em Vitória da Conquista, o Festival Rock Cordel, realizado pelo Banco do Nordeste em parceria com o Suíça Bahiana Coletivo/Circuito Fora do Eixo. Conquista é uma das poucas cidades do interior do Nordeste, e única cidade baiana, a receber o festival, cuja primeira edição ocorreu em Fortaleza em 2007. Agora no segundo semestre, ele ainda ocorre em Teresina (PI), Recife (PE) e Maceió (AL), fazendo parte das ações de comemoração dos 60 anos do Banco do Nordeste. 

Segundo Gilmar Dantas, produtor cultural do Coletivo Suíça Bahiana, Vitória da Conquista foi escolhida para sediar o festival, por conta de sua localização estratégica e de sua história musical recente de produções autorais que já possui um público formado pra esse tipo de evento. Ainda segundo a produção a curadoria do evento priorizou a escolha das bandas locais, mas sem esquecer que as trocas feitas com os artistas de outras regiões do país também são importantes para o avanço da cena.

Nessa terra a dor é grande, a ambição pequena

Por Mariana Kaoos

Foto: Mayana Morbeck
Em Ilhéus as coisas parecem não funcionar. De fato, a impressão que o Festival Amar Amado vem causando é de que o descaso da própria cidade, bem como da produção do evento, superam qualquer tentativa de fomentar a cultura popular local e de exaltar o centenário do escritor grapiúna.

A programação do Festival se divide entre dois locais principais: o centro histórico, que compreende a Casa Jorge Amado, a Casa dos Artistas e o Teatro Municipal e o outro ponto, Centro de Convenções, que fica mais afastado, localizado precisamente no fim da Avenida Soares Lopes (orla e principal avenida da cidade). Sim, há espaços interessantes que começam no período matutino e se estendem até as 22h, quando ocorre o encerramento com shows de bandas da terra e uma atração principal a nível nacional, mas, pela distância dos locais escolhidos para sediar o evento, torna-se difícil poder acompanhar os atrativos que acontecem um seguido do outro. O Cabaré Literário (parte da programação de cunho voltado para a literatura), tampouco foi divulgado nas escolas e ambientes acadêmicos. Ele ficou inserido no Centro de Convenções, o que acabou atraindo pouquíssimo público para a grandiosidade das mesas, debates e rodas de conversa propostos. Por que não tê-lo colocado no Bataclan, localizado na 2 de julho e mais próximo ao centro histórico?

Poesia depois da lida, poesia além da Lida, poesia depois do trampo


Por Jéssica Lemos

11º Sarau Pós Lida em Salvador.
Foto: Débora Melo
O Pós Lida (um recital de Poesia e alguma prosa) teve sua 11ª edição nessa quinta-feira (9) de forma comemorativa no Sebo Praia dos Livros, Porto da Barra em Salvador. Um dos pratos principais da festa, o escritor Saulo Dourado, era o aniversariante do dia.
O condutor da noite, James Martins, iniciou o sarau recitando trechos da obra “Tendas dos Milagres”, saudando Jorge Amado, que completaria os seus 100 anos na sexta- feira (10). “O objetivo do Pós Lida é realizar um evento regular, em torno da poesia. Em torno da palavra em si, poesia, prosa, ensaio” afirmou James, que é também produtor e idealizador do evento. 
Em uma época em que as pessoas estão cada vez mais ligadas à internet, o “Pós Lida” contempla esse mundo virtual, trazendo sempre uma participação online de algum artista. E essa foi a vez do cantor e compositor Lucas Santtana, que via Skype, discutiu um pouco sobre as letras de suas canções, e apresentou ainda ao publico o clip da música “Samba Cubano”.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Coração de eterno flerte

Por Mariana Kaoos


“A benção a Caetano, meu irmão, mestre do meu barco. Você que confiou à minha voz sua primeira canção...”

Caetano Veloso/ Foto: Divulgação
Essa é uma das tantas falas emocionadas da cantora Maria Bethânia no seu DVD chamado “Tempo Tempo Tempo Tempo”, em que ela faz uma homenagem aos seus 40 anos de carreira. A música em questão se refere à “De Manhã”, primeira composição do artista Caetano Veloso e lançada logo no início da década de 1960 na voz da irmã. Nessa gravação específica, a melodia toma espaço como plano de fundo. A voz rasgada de Bethânia ecoa por toda a canção rememorando o real significado de suas palavras. É realmente possível imaginar o cenário da música, bem como sentir parte de todos aqueles sentimentos que, supostamente, estiverem presentes na sua criação.

Meio que como num encaixe de coincidências, no último domingo, cinco de agosto, Caetano Veloso cita, em sua coluna semanal para o jornal O Globo, justamente a música “De manhã”. Ao analisar o novo disco de Tom Zé, o “Tropicália Lixo Lógico”, ele traça para si mesmo um paralelo entre a tropicália e seus desejos, condutas e escolhas perante o movimento. Nessa coluna ele afirmou que “Quando compus ‘De Manhã’, embora me tivesse deixado levar pelo modalismo nordestino (tão em moda sobretudo por causa de Edu Lobo), eu mais resignei-me a aceitar essa tendência do que a achei dentro de mim. Ao contrário, eu queria poder ter feito algo que mantivesse a natureza do samba de roda, nunca modal, sempre pensado em termos de tônica/dominante/subdominante”. No fim, deixa-se confessar, “o modalismo de ‘De Manhã’ me aparece mais entranhado do que eu supunha. E eu o encontro mais próximo da Tropicália do que sempre cri”.

domingo, 5 de agosto de 2012

Amar Amado!

Da Redação

Moraes Moreira, que se apresentou sábado (04/08),
 na Catedral de São Sebastião.
Foto: Dusty Veloso.
Começou ontem, em Ilhéus, o Festival Amar Amado, evento que irá durar ate o próximo domingo, 12 de agosto, com o intuito de homenagear o escritor da terra, Jorge Amado, que, se vivo, estaria completando 100 anos.

Na primeira noite do Festival houve uma cerimônia de abertura no Teatro Municipal de Ilhéus que contou com a presença de autoridades como o prefeito local, Newton Lima, Maurício Corso, da Fundação Cultural de Ilhéus (Fundaci) e Jorge Amado Neto, neto do legendário autor. Logo após, a Orquestra Afro Sinfônica da Bahia se apresentou, encantando a todos ao interpretar “O Porto” de Dori Caymmi. Em seguida foi a vez de Moraes Moreira se apresentar, com um show mais intimista e leve, rememorando músicas antigas.


sábado, 4 de agosto de 2012

O Rebucetê Entrevista: Fábio Cascadura

Por Ana Paula Marques e Rafael Flores

Banda Cascadura/ Foto: Rafael Flores
Vitória da Conquista foi a primeira cidade fora de Salvador a receber a turnê “Aleluia”, fruto do homônimo novo álbum da banda Cascadura e que marca os vinte anos do grupo. Além de Fábio Cascadura (voz e guitarra) e Thiago Trad (bateria), dupla fixada na banda há dez anos, a formação conta ainda com Du Txai nas guitarras e Cadinho no baixo.

Abraços e fortes apertos de mão precederam a entrada no palco quente do Viela-Sebo Café, os integrantes da banda fizeram questão de emanar boas vibrações entre si para o início da nova empreitada. Feira de Santana, Camaçari e Brasília já são alguns dos destinos programados para a continuidade da turnê.

Após a agitação dos fãs, maravilhados com a apresentação, ter diminuido um pouco, conversamos com Fábio Cascadura. O papo teve como principal tema o processo de composição do recém-nascido “Aleluia”. O disco, que tem como principal fonte de inspiração a cidade e os personagens de Salvador, foi indicado como melhor álbum em um dos mais badalados prêmios de música brasileira, o Video Music Brasil – VMB, antes mesmo de ter um formato físico (foi disponibilizado para escuta em stream e download no blog da banda). Confiram:

"O cinema como instrumento de transformação social” - O Rebucetê Entrevista: Marcos Mitidiero

Da Redação

Marcos Mitidiero. Foto: Arquivo Pessoal
A sétima arte como instrumento de transformação social encontra-se distante das grandes telas comerciais, mas se mantém viva em festivais, mostras e eventos afins como o Festival do Rio, Festival de Cinema Latino-Amerciano de São Paulo, por exemplo. Em Vitória da Conquista, o evento intitulado “1º de maio no cinema”, ocorrido recentemente, trouxe a exibição de filmes e documentários como “Terra e Liberdade”;“A Revolução dos Cocos”; “O Dia em que Dorival Encarou o Guarda” e “O Carteiro”.  Os chamados “filmes militantes”, por vezes produzidos de forma independente, buscam trazer roteiros bem elaborados, engajados politicamente, utilizando da arte para um fim social, participando da construção da consciência do povo.   

Produções relativamente afastadas dos modelos comerciais - diferente dos modelos americanos - causam estranhamento ao grande público. Mas por que isso acontece? O cinema pode ser instrumento de transformação social? Em entrevista ao O Rebucetê, Marcos Mitidiero, Prof Dr. da Universidade Federal da Paraíba (UFPA) e pesquisador das relações do estado e capital, respondeu tais questionamentos, falou sobre o resgate histórico que o cinema faz, e ainda comentou sobre o momento transformação das ações de contestação, protesto e revolução que estamos vivendo. O resultado desse bate-papo você confere agora: