sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Poesia depois da lida, poesia além da Lida, poesia depois do trampo


Por Jéssica Lemos

11º Sarau Pós Lida em Salvador.
Foto: Débora Melo
O Pós Lida (um recital de Poesia e alguma prosa) teve sua 11ª edição nessa quinta-feira (9) de forma comemorativa no Sebo Praia dos Livros, Porto da Barra em Salvador. Um dos pratos principais da festa, o escritor Saulo Dourado, era o aniversariante do dia.
O condutor da noite, James Martins, iniciou o sarau recitando trechos da obra “Tendas dos Milagres”, saudando Jorge Amado, que completaria os seus 100 anos na sexta- feira (10). “O objetivo do Pós Lida é realizar um evento regular, em torno da poesia. Em torno da palavra em si, poesia, prosa, ensaio” afirmou James, que é também produtor e idealizador do evento. 
Em uma época em que as pessoas estão cada vez mais ligadas à internet, o “Pós Lida” contempla esse mundo virtual, trazendo sempre uma participação online de algum artista. E essa foi a vez do cantor e compositor Lucas Santtana, que via Skype, discutiu um pouco sobre as letras de suas canções, e apresentou ainda ao publico o clip da música “Samba Cubano”.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Coração de eterno flerte

Por Mariana Kaoos


“A benção a Caetano, meu irmão, mestre do meu barco. Você que confiou à minha voz sua primeira canção...”

Caetano Veloso/ Foto: Divulgação
Essa é uma das tantas falas emocionadas da cantora Maria Bethânia no seu DVD chamado “Tempo Tempo Tempo Tempo”, em que ela faz uma homenagem aos seus 40 anos de carreira. A música em questão se refere à “De Manhã”, primeira composição do artista Caetano Veloso e lançada logo no início da década de 1960 na voz da irmã. Nessa gravação específica, a melodia toma espaço como plano de fundo. A voz rasgada de Bethânia ecoa por toda a canção rememorando o real significado de suas palavras. É realmente possível imaginar o cenário da música, bem como sentir parte de todos aqueles sentimentos que, supostamente, estiverem presentes na sua criação.

Meio que como num encaixe de coincidências, no último domingo, cinco de agosto, Caetano Veloso cita, em sua coluna semanal para o jornal O Globo, justamente a música “De manhã”. Ao analisar o novo disco de Tom Zé, o “Tropicália Lixo Lógico”, ele traça para si mesmo um paralelo entre a tropicália e seus desejos, condutas e escolhas perante o movimento. Nessa coluna ele afirmou que “Quando compus ‘De Manhã’, embora me tivesse deixado levar pelo modalismo nordestino (tão em moda sobretudo por causa de Edu Lobo), eu mais resignei-me a aceitar essa tendência do que a achei dentro de mim. Ao contrário, eu queria poder ter feito algo que mantivesse a natureza do samba de roda, nunca modal, sempre pensado em termos de tônica/dominante/subdominante”. No fim, deixa-se confessar, “o modalismo de ‘De Manhã’ me aparece mais entranhado do que eu supunha. E eu o encontro mais próximo da Tropicália do que sempre cri”.

domingo, 5 de agosto de 2012

Amar Amado!

Da Redação

Moraes Moreira, que se apresentou sábado (04/08),
 na Catedral de São Sebastião.
Foto: Dusty Veloso.
Começou ontem, em Ilhéus, o Festival Amar Amado, evento que irá durar ate o próximo domingo, 12 de agosto, com o intuito de homenagear o escritor da terra, Jorge Amado, que, se vivo, estaria completando 100 anos.

Na primeira noite do Festival houve uma cerimônia de abertura no Teatro Municipal de Ilhéus que contou com a presença de autoridades como o prefeito local, Newton Lima, Maurício Corso, da Fundação Cultural de Ilhéus (Fundaci) e Jorge Amado Neto, neto do legendário autor. Logo após, a Orquestra Afro Sinfônica da Bahia se apresentou, encantando a todos ao interpretar “O Porto” de Dori Caymmi. Em seguida foi a vez de Moraes Moreira se apresentar, com um show mais intimista e leve, rememorando músicas antigas.


sábado, 4 de agosto de 2012

O Rebucetê Entrevista: Fábio Cascadura

Por Ana Paula Marques e Rafael Flores

Banda Cascadura/ Foto: Rafael Flores
Vitória da Conquista foi a primeira cidade fora de Salvador a receber a turnê “Aleluia”, fruto do homônimo novo álbum da banda Cascadura e que marca os vinte anos do grupo. Além de Fábio Cascadura (voz e guitarra) e Thiago Trad (bateria), dupla fixada na banda há dez anos, a formação conta ainda com Du Txai nas guitarras e Cadinho no baixo.

Abraços e fortes apertos de mão precederam a entrada no palco quente do Viela-Sebo Café, os integrantes da banda fizeram questão de emanar boas vibrações entre si para o início da nova empreitada. Feira de Santana, Camaçari e Brasília já são alguns dos destinos programados para a continuidade da turnê.

Após a agitação dos fãs, maravilhados com a apresentação, ter diminuido um pouco, conversamos com Fábio Cascadura. O papo teve como principal tema o processo de composição do recém-nascido “Aleluia”. O disco, que tem como principal fonte de inspiração a cidade e os personagens de Salvador, foi indicado como melhor álbum em um dos mais badalados prêmios de música brasileira, o Video Music Brasil – VMB, antes mesmo de ter um formato físico (foi disponibilizado para escuta em stream e download no blog da banda). Confiram:

"O cinema como instrumento de transformação social” - O Rebucetê Entrevista: Marcos Mitidiero

Da Redação

Marcos Mitidiero. Foto: Arquivo Pessoal
A sétima arte como instrumento de transformação social encontra-se distante das grandes telas comerciais, mas se mantém viva em festivais, mostras e eventos afins como o Festival do Rio, Festival de Cinema Latino-Amerciano de São Paulo, por exemplo. Em Vitória da Conquista, o evento intitulado “1º de maio no cinema”, ocorrido recentemente, trouxe a exibição de filmes e documentários como “Terra e Liberdade”;“A Revolução dos Cocos”; “O Dia em que Dorival Encarou o Guarda” e “O Carteiro”.  Os chamados “filmes militantes”, por vezes produzidos de forma independente, buscam trazer roteiros bem elaborados, engajados politicamente, utilizando da arte para um fim social, participando da construção da consciência do povo.   

Produções relativamente afastadas dos modelos comerciais - diferente dos modelos americanos - causam estranhamento ao grande público. Mas por que isso acontece? O cinema pode ser instrumento de transformação social? Em entrevista ao O Rebucetê, Marcos Mitidiero, Prof Dr. da Universidade Federal da Paraíba (UFPA) e pesquisador das relações do estado e capital, respondeu tais questionamentos, falou sobre o resgate histórico que o cinema faz, e ainda comentou sobre o momento transformação das ações de contestação, protesto e revolução que estamos vivendo. O resultado desse bate-papo você confere agora:

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Brasília perde a linha em Taguatinga

Por Giovana Gomes

Foto: Perde a Linha
Para quem não sabe, O Distrito Federal é composto por 31 Regiões Administrativas (RAs). Cada uma é a expressão do multiculturalismo local, com eventos e artistas que representam a mistura que a capital se tornou. Uma delas é Taguatinga, onde o bicho pega nas férias da Universidade Católica de Brasília, que também se situa na região. Nas quintas feiras de julho e dezembro, o Coletivo Perde a Linha convida atrações do circuito musical independente para agitar o América Rock Club, local fixo do evento.

A ideia surgiu no início de 2009, idealizada por Nilton Junior, Julio Dutra (DJ Juru) e Igor Severo (DJ Severo). Logo mais, a iniciativa agregou outros colaboradores como Thiago Henrique (Geléia) e Mário Márcio (Magrelo) e hoje, o coletivo convida nomes de peso do cenário musical. Já passaram pela pista do Perde a Linha renomados músicos, como: os DJs do Criolina: Barata, Pezão e Oops; Sacassaia, Soundbrothers, Butter music com os Djs Wash e Neeto. Além das atrações nacionais como Dj Lucio K (RJ), Dj Incidental (PE), Sacal (PB) e De leve (RJ).

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O Rebucetê Indica: Raul Seixas - O Início, o fim e o meio

Por Rafael Flores

Raul Seixas! É só lembrar do seu nome e milhões de imagens se formam na minha e nas milhares de cabeças de fãs Brasil afora.  Afinal ele foi um dos primeiros brasileiros que importou a alma roqueira, pouco se lixava pra linha evolutiva da música popular brasileira e ironizava a tal da canção de protesto. O cara também conseguiu deixar rastros comparáveis aos do seu ídolo Elvis Presley, como exemplo os milhares de sósias e covers que resistem por aí. E pros mais ortodoxos, um show que não responde ao onipresente “Toca Raul”, não merece muitos aplausos. 

Este ano foi especial para os raulseixistas por conta da estreia do filme “Raul Seixas – O início, o fim e o meio”, dirigido por Walter Carvalho (Budapeste).  Do roqueiro descarado ao alcoolatra inconsequente, o documentário consegue mostrar, sem muitas delongas, todos os principais percursos do canceriano sem lar. Confesso que fiquei esperando uma inovação na narrativa seguindo a não ordem cronológica proposta no título, mas talvez seria meio piegas.