sábado, 8 de dezembro de 2012

[#FSB2012] Respeita os loco de Conquista

A primeira noite do Festival Suíça Bahiana - #FSB2012 foi marcada por um ótimo desempenho das bandas locais e uma Cone Crew Diretoria que deixou a desejar.

Por Mariana Kaoos e Maria Eduarda Carvalho

Complexo Ragga/ Foto: Luiza Audaz

Tendo chegado à sua terceira edição, o Festival Suiça Bahiana, que esse ano ocorre na Arena Miraflores, apostou em um misto de atrações locais com grupos de fora. Quem compôs a noite de sexta feira foi o sambista Achiles Neto, seguido pelo grupo soteropolitano de pop rock Scambo, os regueiros do Diamba, Complexo Ragga e o grupo de rap carioca Cone Crew Diretoria.

De acordo com o produtor cultural do evento, Gilmar Dantas, “o critério de escolha das atrações foi de acordo com o que, de fato, está em evidência na cena cultural da cidade e do país. Um retrato do que é a cena nacional. O rock perdeu espaço e por isso não foi nosso foco esse ano. Resolvemos dar vazão para os estilos que têm potencial inovador como o hip hop e o ragga”.

Achiles Neto ainda passava o som quando os portões foram abertos para o público, por volta das 21h. As cervejas (a um preço de R$3,00 a lata) e as comidas (salgados, pizzas e espetinhos) já estavam no ponto, só não a produção do festival, que pareceu meio dispersa com essa questão de horários, mal informando ao público que o primeiro show ainda não havia começado.

Achiles Neto/ Foto: Henrique de Eça
Sanado esse problema, Achiles e sua banda abriram a noite com chave de ouro. Com músicas autorais e fazendo referência a grandes artistas como João Bosco, Gonzaguinha e Dorival Caymmi, o cantor emocionou as pessoas presentes, como também as fez tirar o pé do chão. A qualidade e concretude do seu trabalho é visível através de músicas como “Cocoa”, “João do BNH” e “Dafé”. Ele, sem dúvidas foi uma das melhores surpresas da noite.

Logo após sua apresentação, foi a vez de Scambo subir ao palco. Podia-se notar grande contingente de fãs, que ocuparam toda a frente do espaço dançando e pulando ao som de músicas autorais da banda, como “A Carne dos Deuses” e “Janela”, e conhecidos covers como “Muito Romântico”, de Caetano Veloso.

Pedro Pondé, vocalista da Scambo, com sua interpretação visceral, arrepiou a todos com “Carcará”, composição de João do Vale e Zé Keti. Em entrevista exclusiva para O Rebucetê, em agosto desse ano, Pedro explicou de onde vem a sua ótima performance no palco. “Minha formação é de teatro e até hoje eu encaro a música como teatro, até pra compor, pra cantar, e isso tá muito impregnado. Eu me sinto mais ator até do que cantor, eu acho que sou um ator cantando e não um cantor atuando”.

Diamba foi a terceira banda a tocar na noite. Muito energético, o vocalista Duda Sepúlveda balançava orgulhosamente seus dreads, cantando seu reggae com letras de conscientização e, como o próprio Duda define, “de mensagem que faz vibrar positivamente”. A banda fez um show em sua maior parte autoral, tocando canções do quarto álbum de estúdio, “Fraternidade Musical”, além de covers internacionais.

Entre meia noite e uma hora da manhã, os meninos do Complexo Ragga chegaram com tudo, incendiando a pista, colocando todo mundo para se remexer. Ao longo desse ano, o grupo vem ocupando todos os espaços da cidade, que vão desde a grandes festivais como o Festival da Juventude, às ditas “periferias”.

Supremo MC, JG Black e o Loroo Voodo, fizeram um show focando na essência dos mesmos, abordando em suas músicas fatos do cotidiano de cada um. “Sensimilla” e “Poder da Palavra” foram alguns dos hits que eles tocaram. Decididamente, o Complexo foi o melhor da noite, pela qualidade do som e pela humildade e boa energia com que eles levaram toda a apresentação.

Encerrando a noite, a atração mais esperada, Cone Crew Diretoria subiu ao palco e surpreendeu. Infelizmente a surpresa foi negativa, “os muleque” chamaram mais atenção pelas pérolas soltadas no palco do que pela música em si. O discurso que incluía ofensas a música sertaneja, atingiu até a própria presidenta da república num suposto ato de rebeldia que na verdade mostrou um discurso vazio com muita agressividade e pouco conteúdo.

Os problemas com a banda se estenderam ao backstage. A Cone Crew, que no palco canta a plenos pulmões “foda-se a tv”, restringiu o acesso e somente a emissora MTV, que acompanhava o grupo, pode fazer o seu trabalho. O show, como todo o resto, deu a sensação de que não passava de um grande circo midiático onde meia dúzia de meninos aprontava gracinhas para a câmera da tevê. Uma pena.

A primeira noite de Festival Suíça Bahiana foi sem dúvida brilhante por conta das atrações locais. Achiles Neto e a banda Complexo Ragga mostraram no palco um trabalho de qualidade igual ou superior as ditas atrações nacionais.

Scambo/ Foto: Luiza Audaz

O festival encerra os trabalhos do Coletivo durante o ano e na noite de sexta-feira mostrou bem um resumo do que viveu a cena alternativa de Vitória da Conquista. Ano de mais espaço para as culturas do rap, hip hop, sem dúvida memorável para o ragga e com uma forte presença das bandas soteropolitanas, como Scambo e Diamba.

Se em 2011 a aposta era os novíssimos baianos entitulados pelas bandas Maglore e Os Barcos, 2012 foi o ano do dancehall. Mas não acabou ainda, hoje tem muito mais na Arena Miraflores com Pouca Vogal, Vivendo do Ócio, Shadowside e Na Terra de Oz.

[#FSB2012] O Rebucetê Entrevista: Complexo Ragga

Só os sábios fazem a meditação. O Rebucetê está na Arena Miraflores acompanhando tudo do Festival Suíça Bahiana 2012. Já já o Complexo Ragga sobe no palco da Arena Miraflores, mas já conversamos com eles. Confira!

Por Mariana Kaoos


Foto: Divulgação

Para quem já está no clima do verão, é só chegar junto! A primeira noite do Festival Suíça Bahiana 2012 (FSB2012) está bombando e ainda tem mais.

Quem chega com tudo agora é o Complexo Ragga, grupo conquistense que vem agitando a cidade, ocupando espaços que vão desde a periferia aos grandes festivais - como o Festival da Juventude, ocorrido em maio desse ano.

No backstage da Arena Miraflores nós conversamos com eles sobre 2012 e o fim do mundo.

#boomboomclap

***

O Rebucetê: Esse ano o Complexo Ragga saiu da “música de gueto” para ocupar outros espaços da cidade, como o Festival da Juventude e aniversário da cidade. Como vocês estão se sentindo?

Complexo Ragga: A essência do gueto nunca se perde. Seja onde for, nós levamos nossa cultura do gueto. Então é muito bom a gente tá tendo esse contato com outros tipos de público, podendo levar a nossa essência mais pura.

OR: O que faz a música de gueto ser tão atraente e estar dominando toda a cidade?

CR:  A originalidade. A verdade exposta em cada verso, em cada beat que selecionamos para tocar. Na verdade, a música vai além da ideia de tocar pra boy ou pra favela, ela não tem esse limite. Nós cantamos a nossa realidade e muitas pessoas, independente de classe social acabam se identificando. Nosso propósito é a diversão sempre.

OR: 2012 foi ano de decisões políticas. Os candidatos exibiram suas propostas, inclusive no âmbito cultural. Como vocês, produtores e consumidores de cultura avaliam os investimentos culturais até agora? O que está faltando e o que pode melhorar?

CR: Acreditamos que em nível nacional e de Bahia a coisa pode melhorar muito. Vitória da Conquista vem dando vários passos à frente de outros lugares, inclusive pelas bandas que a prefeitura se propõe a trazer. Não são apenas bandas de divulgação massiva em rádio, mas com qualidade, com algo a mais.

OR: Hoje vocês tocam no Festival Suíça Bahiana e no sábado tocam à tarde, em um espaço perto da Dilly Calçados. Por que é qual a importância de descentralizar os eventos dentro de Vitória da Conquista?

CR: Tudo que a gente fala são coisas da nossa vivência, nosso cotidiano. Acreditamos que a galera se identifica com as mesmas idéias e por isso deu certo. A gente faz som onde é necessário. Levamos a nossa música independente de ser em clube, em praça ou em periferia.

OR: Em 2011, vocês estiveram aqui n Festival apenas enquanto público. Agora em vocês sobem aos palcos para mostrar um pouco do som de vocês. O que mudou para o grupo de um ano pra cá? 

CR: O trabalho da gente dando resultado. Qualidade e humildade são a base de tudo.

OR: E esse fim do mundo, vai rolar? O que o Complexo Ragga está planejando?

CR: Tacar fogo!!!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Movimento pró-saia - Tirem suas saias do armário!




O coletivo Sou Diversidade promoveu hoje, em parceria com a Enecos (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação), o ato do Movimento Pró-saia, no restaurante universitário da UESB. O movimento está sendo realizado em diversas universidades do Brasil em memória a Lucas Fortuna, jornalista de 28 anos encontrado morto no dia 28 de novembro em uma praia de  de Calhetas, em Cabo de Santo Agostinho (PE). Acredita-se que por motivação homofóbica.

Lucas criou dentro da Enecos o movimento pró-saia, construiu junto com outros militantes LGBT o ENUDS ( Encontro Nacional sobre Diversidade Sexual) e fundou também, em sua cidade, o coletivo Retalhos, além de organizar diversas paradas da diversidade. Confira abaixo a carta lida pelo Coletivo Sou Diversidade durante o ato.



Carta do coletivo Sou Diversidade: Tirem suas saias do armário! 

O grupo Sou Diversidade, surgiu com o intuito de estudar os mais variados aspectos da diversidade sexual e de formular ações práticas para a modificação do status de “anormal” dos LGBT na sociedade. Entendemos que o padrão heteronormativo é um dos principais agentes responsáveis pela homofobia – interna e externa – que ligado ao machismo e influência político-cultural de fundamentalistas religiosos, constitui uma forte ameaça à vida (civil e física) dos LGBT. Obviamente contextualizada nos conflitos e contradições da luta de classes.

A heteronormatividade considera as relações heterossexuais como a norma, e todas as outras formas de conduta e comportamento que estejam fora desse padrão como desviante. Ao contrário do que muitos pensam, a imposição da heteronormatividade não atinge apenas o homossexual, os próprios heterossexuais também o são. Afinal, a norma não está ligado apenas a sexualidade, mas também ao comportamento perante a sociedade. Ou seja, ao homem lhe cabe ser viril, másculo e a mulher dócil, feminina, sendo suscetível a variadas formas de punições sociais ao romper com essas normas.

A noção também impõe uma ligação errônea entre sexo-gênero-sexualidade, os quais não têm relação direta. Nascer com o órgão sexual masculino ou feminino não significa que pertencerá ao gênero masculino e feminino respectivamente. Sua sexualidade não é definida pelo órgão sexual com o qual nasceu, nem pelo seu gênero. A normatização desses padrões nos leva ainda hoje a inúmeros preconceitos ligados a homofobia, lesbofobia, transfobia, misoginia, entre outros. Quebrar com esses padrões faz parte da luta por uma sociedade mais justa e que respeita a diversidade sexual e de gênero.

O movimento pró-saia vem no intuito de desmistificar essas construções e propor uma transgressão do gênero e a quebra da ligação desse com o sexo e a sexualidade, lembrando-nos da construção social  ao qual nossa sociedade infelizmente está sedimentada. A saia, é por convenção , uma peça utilizada exclusivamente por pessoas do sexo feminino e, por consequência, uma forma de expressar sua feminilidade. Dessa forma, o uso da peça por pessoas do sexo masculino, no contexto sócio-cultural em que estamos inseridos, torna-se uma quebra do padrão e, ao mesmo tempo, abrindo mão da sua condição viril, os homens mostram-se abertos a desconstrução de práticas socialmente construídas que levam a vários tipos de preconceito. Essa quebra vem no sentido de elucidar que existem indivíduos que não se encaixam em tais normas e são por elas marginalizadas. Viemos através desse ato reivindicar que respeito e direitos iguais se estenda aos indivíduos de todos os sexos, sexualidades e gênero. Na luta por um mundo sem homofobia, lesbofobia, transfobia, misogonia e qualquer outra forma de preconceito!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

[#FSB2012] O Rebucetê Entrevista: Achiles Neto


  • Por Rafael Flores

    Festival de Música da Bahia/ Foto: Rafael Flores
    Achiles Neto talvez tenha sido um dos nomes mais comentados da cena independente de Vitória da Conquista este ano, inclusive por aqui n'O Rebucetê. Neste período, o cantor, junto com Marcus Marinho (violão) - com quem divide o palco e as composições - ganhou diversos prêmios, dentre eles o primeiro lugar no Festival de Música da Bahia.

    Encerrando o ano de muitas novidades, a dupla se prepara para subir ao palco do Festival Suíça Bahiana nesta sexta-feira (07). O show será baseado no disco Pandora, gravado em janeiro deste ano no interior de Minas Gerais. Em entrevista, Achiles nos adianta o que preparou para a apresentação e os planos para o próximo ano.

    O Rebucetê: O seu trabalho em parceria com Marcus Marinho colheu bastantes frutos durante o ano de 2012. Conte-nos primeiro como se iniciou o processo de reconhecimento na cidade?

    Achiles Neto: O processo de reconhecimento na cidade iniciou a partir de nossas tentativas de inserir nossa música, ainda sem uma identidade determinada e segura à época (meados de 2009), nos festivais de música e eventos culturais da universidade e da cidade como um todo. Daí nossa participação no FestUesb em 2009, bem como no "Por isso é que eu canto", edição 2010. A partir deste último evento, começamos a participar de iniciativas como o saudoso "Fechando o Beco", bem como de espaços culturais em simpósios, palestras, movimento estudantil, entre outros. No entanto, o nosso trabalho autoral veio conquistar respeito mesmo depois de nossa vitória do II Festival de Forró Pé-de-Serra do Periperi. Naquele instante, sem disco, sem gravações, "Agonília" conseguiu nos inserir no rol de artistas conquistenses reconhecidos.

    Show "A caixa de Pandora"/Foto: Thaminy Brito
    OR: Além do reconhecimento local, vocês também já ganharam prêmios de renome estadual e nacional. Qual o tamanho disso para vocês?

    AN: Nossa participação em Festivais fora daqui sempre partiu do preceito maior de divulgação de nossa música. E em pouco mais de 1 ano participando destes eventos, o saldo que acumulamos foi e está sendo extremamente positivo. Ademais, o festival pode ser um caminho para o artista independente angariar recursos para a promoção de sua arte. E para nós o próximo disco só é uma realidade devido aos prêmios que recebemos este ano. Então, os festivais, apesar de todas as críticas merecidas, conseguem nos manter como artistas, tanto na divulgação como na manutenção de nosso trabalho.

    OR: Durante o prêmio Suíça Bahiana, Achiles comentou sobre transformar o atual trabalho em um projeto. Ainda há essa intenção? Se sim, por quê?

    AN: Eu realmente divulguei o nome de nosso projeto, que inicialmente receberá o nome de 
     CAIM. Levar o trabalho que temos feito para este formato em grupo é priorizar a parceria entre Marquinhos e eu, evidenciando o nosso processo criativo, que sempre foi realizado conjuntamente. Estaremos mais livres para publicizar as coisas que temos criado, desvinculados de expectativas outras em torno de uma hierarquia musical entre voz e instrumento. Nossa perspectiva é justamente corrigir este erro histórico que limita o entendimento da música como um todo em prol de uma centralização das atenções em torno dos cantores. 

    OR: O que prepararam para o show de sábado no Festival Suíça Bahiana?

    AN: O show de sábado no Suíça Baiana está relacionado ao nosso primeiro disco, PANDORA, e manteremos a estrutura de shows que foi realizada até então com este projeto. A maioria das músicas do disco estarão presentes, além de releituras de outros compositores que gostamos. Evidenciaremos, no entanto, os sambas registrados no trabalho, a fim de compatibilizá-lo com a proposta estrutural do Festival. 

    OR: Após o festival, a próxima apresentação será no Natal da Cidade, projeto o qual você já participou quando venceu o concurso Por Isso Que Eu Canto, também organizado pela Prefeitura Municipal. Qual sua avaliação sobre as políticas públicas para a cultura em Vitória da Conquista? Estamos no caminho?

    AN: Sempre comentamos que Vitória da Conquista consegue se destacar no cenário baiano no que diz respeito às políticas públicas municipais direcionadas à cultura, e torcemos para que estas iniciativas consigam acolher de forma mais ampla as diversas manifestações culturais existentes. Além do espaço proposto por estas políticas, é importante que consigamos construir novas tendências, novos diálogos e novas concepções a respeito da música feita aqui. É preciso situar o discurso do regional de forma menos purista a fim de atender aqueles que não se encaixam neste circuito tradicional. Mas acreditamos que estamos no caminho... 

    OR: E para 2013, já temos algo em mente?

    Marcus Marinho no Festival de Música da Bahia
    AN: 2013 é ano de CAIM. Estamos com as maiores e melhores expectativas possíveis! Nos preocupamos em fazer um projeto ousado, original e irreverente, primando pela musicalidade, preocupações artísticas e políticas que nos dizem respeito. Espero que consigamos realizar na prática a estética discursiva na música e efetivar a função social de nosso trabalho, qual seja, a de emancipação. Estaremos acompanhados de amigos que participarão das gravações do projeto e que abrilhantarão CAIM com o talento que possuem. Acho que com CAIM as pessoas compreenderão de fato nossas influências e a musicalidade de meu amigo gênio, máquina de ritmos, compositor foda, que é Marcus Marinho. E mesmo sendo suspeito para falar, eu tenho conhecimento de causa.

Parem de matar Elisa!

Mesmo morta, Elisa Samúdio continua perdendo de goleada

Por Daniela Novais

Foto: Eliza Samúdio


Terminou neste mês de novembro o que poderia ser o “1º tempo” do júri popular do caso Eliza Samúdio. No dia 23, no Fórum de Contagem, em Minas Gerais, saiu a condenação dos dois primeiros réus julgados, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, que pegou 15 anos de prisão, e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do goleiro Bruno, condenada a 5 anos.

Depois de todo o rebucetê, nesse nefasto “campeonato”, quem segue perdendo de goleada, mesmo depois de morta, é Elisa Samúdio, que não teve a denúncia acolhida na delegacia de mulheres, foi sequestrada e vilipendiada e perdeu na “prorrogação” por morte súbita e com o corpo jamais encontrado, nunca teve um ritual de sepultamento qual seja. Enquanto “o jogo” segue, ela perde o crescimento do filho além de ser invertida de vítima para algoz pelos que atacam a “moral” da moça, seja dizendo que ela está viva, seja dizendo que “ela procurou esse destino”, com seu comportamento de “Maria chuteira” e até alegando que “ela fazia filmes pornôs” como se qualquer desses argumentos, justificasse a violência cometida contra ela.

O campeonato continua sem ela e o goleiro vem se mostrando o favorito. Mesmo após a confissão de Macarrão, Bruno nega o crime. Ele será julgado em março do ano que vem, por conta de sua catimba que deu certo e ele conseguiu, mais um adiamento. Vale lembrar que este foi mais um, afinal nos dois anos e cinco meses subsequentes ao fim do inquérito e desde o indiciamento do goleiro, a defesa conseguiu uma série de adiamentos, fazendo com que 892 dias se passassem até o primeiro dia do júri.

Se fosse futebol, talvez Bruno perdesse por WO, ou pudesse ser julgado à revelia. Como estamos falando de um dos judiciários “mais vazados”, com sua estratégia ele vem conseguindo pequenas vitórias, goleando Eliza que já está fora do campeonato há tempos.

Fair play 

O jogo de Bruno não pode nem ao menos ser adjetivado, porém afasta qualquer possibilidade de fair play o que ficou ainda mais patente após a confissão feita por Macarrão, que hoje joga no próprio time e que pode ser incluído no programa de proteção às testemunhas se estiver vivo, após cumprir a pena que lhe coube.

Macarrão disse ter levado de carro a ex-amante do jogador até um local indicado pelo goleiro, em Belo Horizonte, onde a jovem entrou em um Palio. “Ele ia levar ela para morrer”, disse. Ainda segundo ele, não sabia o que iria acontecer com Eliza, mas "pressentia" que a jovem seria morta. Perguntado pela juíza se estava mais aliviado, Macarrão respondeu: "Eu guardei tudo isso. Eu não aguentava mais, eu não sou esse monstro que todo mundo colocou [...] Se tem alguém aqui que acabou com a vida, foi ele que acabou com a minha vida".

Como se fosse uma jogada ensaiada, a ex-namorada do goleiro Bruno, Fernanda, confirmou boa parte do depoimento de Macarrão. Ela alegou inocência das acusações de sequestro e cárcere privado de Eliza e de Bruninho, e confirmou que Macarrão usou seu carro, um Gol, por cerca de 20 minutos na noite do crime. Fernanda ressaltou que não desconfiou do destino trágico que Eliza teria, “pela calma que ela apresentava” durante o tempo que esteve em Minas. “Só tive conhecimento verdadeiro de que a Eliza foi executada ontem pelas declarações de Luiz Henrique [Macarrão]”, afirmou.

Pênalti 

Durante o intercurso desde o desaparecimento de Eliza até agora, o goleiro com seu “jogo sujo” cometeu diversas penalidades máximas. No futebol ele teria recebido tantos cartões vermelhos, que o impediriam de tentar jogar de novo algum dia, como ainda é seu sonho, segundo o agora ex-advogado dele Rui Pimenta. Ele tentou derrubar a justiça brasileira diversas vezes, mas os que jogam com ele em seu time não deixaram por menos.

Horas após a confissão de Macarrão, um boato dava conta de que, decepcionado com o amigo, Bruno Fernandes teria tentado suicídio na Penitenciária Nelson Hungria. Após certa tensão e algum tumulto, que levou o julgamento chegou a ser interrompido por cerca de 20 minutos pela juíza Marixa Fabiane, no momento em que Fernanda depunha. A confusão passou, depois que a Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais e o diretor-geral do presídio, Luiz Carlos Danunzio, confirmarem que Bruno está bem. A secretaria disse que Danunzio chegou a ir até o pavilhão onde o atleta está para verificar seu estado de saúde.
Foto: Bruno e Macarrão

Do lado de fora do tribunal, jornalistas cercaram o advogado Lúcio Adolfo, novo defensor do goleiro, para saber informações sobre o caso. Mais tarde ele disse que o atleta ficou “decepcionado” ao saber das declarações dadas por Macarrão, mas foi compreensivo com a situação do amigo. “[Ele] reagiu com tristeza, mas entendeu que Macarrão está pressionado. [Ele] ficou chateado, decepcionado, pela amizade que existia entre os dois”.

Apito final 

Caso a catimba de Bruno não protele ainda mais, no segundo tempo do Júri popular, o responsável pela acusação, promotor Henry Wagner Vasconcelos de Castro, pretende denunciar, ainda em dezembro deste ano, o ex-policial civil José Lauriano de Assis Filho, conhecido como Zezé, por envolvimento na morte de Eliza, para reforçar as argumentações dele para buscar a condenação de Bruno, em março de 2013. “O júri reconheceu que houve sequestro, cárcere privado e o homicídio. Bruno não vai escapar da condenação e com o agravante de mando, de as vítimas serem o filho dele e a mãe do filho dele”, conta.

Em depoimento, o primo do goleiro, que está inserido em programa de proteção à testemunha, descreveu que Eliza foi deixada com um homem alto e negro antes de morrer, o que faz parte da fisionomia de Zezé. Para Castro, o ex-policial Zezé era amigo de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que deve ser julgado em 2013 junto com o goleiro. Zezé teria usado o cargo de policial para obter informações sobre a investigação e beneficiar os réus do caso. “É plausível que ele, como policial que ainda era na época dos fatos, para ter acesso a alguma informações privilegiada sobre a investigação”.

Isso porque há indícios de que alguém avisou Macarrão da movimentação da polícia. “Sabemos, de concreto, que a Polícia Civil só não achou o filho de Eliza no sítio do goleiro Bruno porque Dayanne fora alertada pelo Macarrão, que determinou a ela que deixasse a casa, às pressas, com o nenê. Instantes antes, Macarrão recebera de Bola, ex-policial e amigo de Zezé, uma mensagem telefônica em formato SMS alertando Macarrão sobre a movimentação da Polícia Civil”, disse Castro que contou ainda que na noite da morte de Eliza, Zezé esteve na companhia de Bola e depois também, além de vários contatos telefônicos entre os dois.

De acordo com o promotor Henry Wagner Vasconcelos de Castro, com a condenação de Macarrão, a Justiça reconhece a morte de Eliza, mas um gol nunca deverá ser marcado: a localização do corpo da ex-modelo. “A Justiça reconhece que Eliza foi morta em 10 de junho de 2010, uma vez que a sentença seja transitada em julgado. [...] “O júri, sabiamente, entendeu que, com relação ao réu Macarrão, não tem elementos que o liguem a ocultação do cadáver [...] quem ocultou [o corpo de Eliza] foi Marcos Aparecido dos Santos. Só o Bola sabe onde está”, disse.

O promotor afirmou ainda que vai pedir novas investigações e a quebra de sigilo bancário de Bruno, para tentar comprovar o saque de dinheiro para pagar a execução de Eliza.

Torcida 

A torcida de Eliza Samúdio não tem o que comemorar. Neste jogo, mesmo que Bruno e os demais sejam condenados, presos, cumpram a pena e tudo o mais, Eliza perdeu de goleada. O primeiro gol marcado contra ela foi feito pela delegacia das mulheres no Rio de Janeiro, que negou acolher a denúncia que ela tentou fazer contra o goleiro, porque ela “era amante” e no julgamento da delegada, não tinha direito de ser defendida pela Lei Maria da Penha.

Outra chuva de gols foram marcados contra ela pelos réus que jogaram no time do goleiro e ajudaram na execução classificada pela juíza Marixa como “meticulosamente arquitetada”. Por fim marcam inúmeros gols contra ela a cada vez que questionam o caráter, moral, profissão e o que quer que seja da vítima, transformando-na em uma Geni, que “é feita pra apanhar e é boa de cuspir”. O fim do campeonato? Ela não poderá assistir.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A Arte Ainda se Mostra Primeiro

Por Mariana Kaoos




Era uma vez uma família muito grande que convivia todos os dias. Era pai, mãe, avó, tio, tia, primos de todas as idades e um monte de crianças. Nessa família tinha gente de tudo quanto era tipo: tinha mergulhador, dentista, professora e até político. Apesar das confusões diárias, eles eram muito unidos. Os pequenos principalmente. Eles almoçavam juntos, brincavam juntos, usavam as mesmas roupas, dormiam na mesma hora e aos poucos, foram vivendo diversas aventuras.

No meio de toda essa criançada, haviam duas irmãs em especial, mas que nada se pareciam uma com a outra. Dudu, cinco anos mais velha, era um pouco mais reservada. Brincava com suas bonecas ou com os primos da sua idade. Era sonhadora, tinha um mundo para si própria. Lelé, como o nome já diz, era lelé da cuca. Doidinha, corria para lá e para cá, subia nos pés de manga, aprontava com os tios.

Então, no meio dessa família bonita e maluca, elas foram crescendo assim como todos os outros. Dudu se apaixonou por um fazendeiro, começou a namorar e como todos esperavam, se casou. Depois de algum tempo, teve dois filhos, um menino e uma menina. Já Lelé, mais adiante, encontrou um árabe de olhos verdes e também se apaixonou. Casaram em seguida e tiveram dois filhos, um galego dos olhos azuis e um moreno dos olhos verdes. Foi a partir desse momento que elas, além de irmãs, se tornaram “comadres” e consequentemente mais amigas, pensando até em projetos juntas.

Apesar de Dudu e Lelé terem virado gente grande, seus corações sempre conservaram a magia e a beleza da infância. Convivendo com meninos e meninas de todas as idades e, após terem criado a Brinquedoteca* em Ilhéus (cidade em que moram), perceberam uma na outra a vontade de aumentar esse contato com as crianças, proporcionando a elas aprendizado, não só pela educação, mas pela arte e cultura. Foi assim que surgiu a Escola Vila Verde, para crianças de dois a dez anos, cheia de cores, brincadeiras e magia.

Os frutos do cata-vento.

No dicionário brasileiro, o significado de cata-vento é de uma bandeirinha, geralmente de ferro ou lata, enfiada numa haste e colocada no alto dos edifícios, para indicar a direção dos ventos que a movem. Ele também pode ser o lugar a bordo, ocupado por quem dirige a manobra, ou fazer referencia a um ventilador ou até mesmo a algo em constante movimento.

Pensando nisso, foi que Dudu, que tinha se transformado em Dusty Veloso e Lelé, que passou a ser Alessandra Fontes criaram há cinco anos o cata-vento das artes, “movimento artístico, cultural, onde se pode ver e sentir todas as letras e todas as sensações de um mundo mais bonito”. O evento é o lugar onde essas crianças apresentam os trabalhos realizados ao longo do ano através do teatro, das artes plásticas, da música, da dança.


Esse ano, o tema do Cata-vento das Artes foi o “Lá no Nosso Quintal...” abordando as brincadeiras infantis se contrapondo com esse novo mundo, passando por releituras dos jardins de Monet aos girassóis de Van Gogh, “dos cozinhados e cozinheiros infantis à tecnologia dos alimentos e pratos, dos encantadores dinossauros à fantasia dos Super Heróis, dos animais da fazenda à nova TV, DVD, Games. Tudo junto e misturado”. Explica Dusty.


Na verdade, o Cata-vento das Artes sempre teve como um dos objetivos apresentar artistas conceituados e traze-los ao universo infantil. No seu primeiro ano o escolhido foi Romero Brito, onde, através de sua inspiração, as crianças produziram telas e esculturas. A segunda edição teve como foco as obras do artista plástico ilheense Goca Moreno, principalmente em uma de suas artes chamada DIÁLOGO. Eles conheceram o ateliê do artista e a partir dai produziram artes tridimensionais. No ano seguinte, o tema central foi “Pirlimpimpim, um eu aqui e outro ali”, que abordou a temática da identidade pessoal de cada um e também do “faz de conta”. Ano passado, as crianças exploraram o universo teatral com o “Teatrando na Vila”.

Esse ano Dusty afirma que a escolha do nome foi muito pensada. “lá nosso quintal, no cafundó da nossa infância, eu e Lelé sentíamos o sabor da liberdade, o cheiro da alegria e o calor dos raios do sol! Era o espaço de brincar, um lugar encantado, de areia branca fininha, muitos coqueiros e pés de cajus contorcidos. Vivemos muitas aventuras por lá. Mas e agora, nossos filhos, nossas crianças? Que quintal moderno e contemporâneo oferecemos a eles?”

É o povo na arte, é a arte no povo...

Como diz uma grande artista baiana “o povo não pode gostar do que não conhece. É preciso levar brasilidade para o povo”. A cultura e a arte brasileira são riquíssimas e perpassa por grandes nomes que vão desde as artes plásticas com Lygia Clarck, a dramaturgos de altíssima qualidade como Zé Celso Martinez. A expressão da cultura popular também é grande nos quatro cantos do país e inúmeras obras saem através dela. No entanto, é complicado exigir um conhecimento acerca dessas coisas se elas não são estudadas/estimuladas/produzidas desde a infância, período em que o individuo mais desenvolve seus processos cognitivos e criativos. 

As escolas particulares, em sua maioria, estão preocupadas apenas com a aprovação e o ingresso dos estudantes dentro de universidades esquecendo-se da educação de mundo que eles também precisam ter. Esses "meninos" entram na vida acadêmica cada vez mais imaturos e despreparados, principalmente no que diz respeito as relações humanas e a conhecimentos culturais. Já as escolas públicas(também em sua maioria)...bem, o que dizer das escolas públicas? Por falta de estímulos (inclusive financeiro) aos professores, não há um planejamento educacional que agregue valores culturais e artísticos aos alunos.


Iniciativas como o Cata-vento das Artes deveriam ser oferecidas com mais frequência às crianças do pais. Não só por parte dos educadores, mas por coletivos de teatro, por artistas plásticos, por músicos, por escritores, por todos aqueles interessados em trocar conhecimento e estimular a produção dele, principalmente nessa faixa etária onde as descobertas do mundo são intensas e importantes. O futuro da cultura do Brasil, depende justamente dessas pessoas pequenininhas e do poder de síntese de valor que elas possuirão mais adiante. Que em todos os lugares possam existir não professores, mas mais educadores como Dudu e Lelé.


*Brinquedoteca: espaço de aprendizado para crianças com menos de dois anos.


Final do Por isso é que eu canto


Foto: SecomPMVC/Emanuel Nem Moraes
Por Murillo Nonato

Na noite de ontem (04), aconteceu a última final do concurso musical Por isso é que eu canto. O projeto é promovido pela Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista através da secretária de cultura, turismo e lazer. Há oito anos o projeto vem revelando talentos conquistenses e aquecendo a cena musical local.

Esse ano o vencedor do concurso levou para casa R$ 4 mil, ficando o segundo lugar com o prêmio de R$ 2 mil e o terceiro de R$ 1 mil, além de tocarem no palco principal no Natal da Cidade, na praça Barão do Rio Branco.

A final do concurso foi dividida em dois dias, a primeira ocorreu no dia 3. O resultado do vencedor se deu através da somatória das pontuações acumuladas pelos candidatos nesses dois dias. Os 15 finalistas interpretaram músicas de compositores regionais, no primeiro dia, e no segundo, de artistas da MPB.

Foto: SecomPMVC/Emanuel Nem Moraes
Confira abaixo tabela com a ordem das apresentações, músicas e compositores escolhidos para o último dia de final , além dos vencedores em destaque:

Interprete:                                        Música:                                 Compositor:
Ramilo Andrade                                 Céu de Santo Amaro                Flávio Venturini
Joani Marques                                    O dia, um adeus                       Guilherme Arantes
Rafaela da Silva                                  Falando Sério                           Roberto Carlos
Lucas Sampaio                                   O Trem das 7                           Raul Seixas
Alexandrina                                        Fanatismo                                 Raimundo Fagner
Sussy Dias (2º lugar)                       O dia, um adeus                       Guilherme Arantes
Felipe Viana                                       Sangrando                                Gonzaga
Jadia Filadelfo (1º lugar)                 Muito Pouco                          Paulinho Moska
Cristiano Oliveira                                Rosas não falam                      Cartola
Jessica Magalhães                              Final Feliz                                Alexandre Pires
Igor Julião                                          Matriz ou filial                          Lucio Cardim
Marcele Cilane                                   Ando meio desligado               Mutantes
Vinicius Oliveira                                 Maior que                                Chico Buarque
Marlua (3º lugar)                             Rãzinha                                  Ceumar
George Maia                                     Codinome Beija-flor                 Cazuza