sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O Rebucetê Entrevista: Luís Caldas

Foto: Divulgação
Por Mariana Kaoos e Rafael Flores

O friozinho conquistense já estava de férias, nem o vento de início de madrugada aliviava o abafamento. Esperávamos a chegada de Luís Caldas na porta de seu camarim enquanto aguentávamos o cheiro dos banheiros químicos e o chatíssimo hit sertanejo "Ai se eu te pego",   tocado com empolgação pela Orquestra Fred Dantas.

Pouco antes do horário marcado para o show, o dono dos primeiros hits do Axé-Music chegou à Praça Barão do Rio Branco. Alguns poucos minutos para a acomodação do artista e logo fomos chamados.Saímos de lá com a energia leve, como o axé propõe, e com as mãos cheias de salgadinhos e latinhas de Red Bull.

Pra quem não se ligou, Luís Caldas é aquele da nega que lhe deu um tapa no lugar do beijo e não gosta de pentear o cabelo duro. Ele veio à Vitória da Conquista participar do Natal da Cidade, projeto da Prefeitura Municipal. No show, além de cantar seus sucessos, como "Fricote" e "Tieta", Luís Caldas cantou Pe. Zezinho e fez um cover da banda britânica Dire Straits.

O Rebucetê: Da última década pra cá, a gente tem notado que o Carnaval de Salvador se rendeu muito ao apelo comercial. E grandes nomes do axé e do carnaval, como você, Armandinho, Moraes Moreira, tem saído muito em trios independentes e alternativos ao circuito comercial. A gente queria que você fizesse uma breve análise sobre os destinos do carnaval baiano.

Luís Caldas: Olha, fica difícil de dizer, porque aonde a grana entra a arte sai pela janela. Porque as pessoas querem o retorno dessa grana que elas injetam, entendeu? Infelizmente, os artistas estão reféns de rádios que cobram verdadeiras fortunas pra poder tornarem notáveis músicas que de certa forma nem são interessantes. Ou seja, o velho jabá. Então, isso dificulta bastante, porque você alça pessoas que não tem capacidade de ser ídolo de ninguém. Ídolo que eu digo é ser admirado por sua música, seu trabalho. Pra você ser ídolo você tem que estudar, tem que correr atrás, tal, tal, tal. E o carnaval, infelizmente, tende a estacionar e implodir, entendeu? Ele tá inchando por dentro, vai chegar a hora que vai ter que se resolver. E só vai poder se resolver pelo povo, o povo dizendo o que quer.

OR: E você concorda com esse apelo comercial?

LC: Não.

OR: Você tem passeado por outros gêneros musicais além do Axé. Por quê?

LC: Na verdade eu tô voltando a fazer o que eu fazia nos bailes lá no meu início como músico. Eu tenho encontrado vários colegas daquela época, então a gente tocava um tipo de música mais rebuscada, vamos dizer assim. Mais difícil. Então foi uma faculdade, uma universidade musical pra gente naquela época. Então o que eu eu tô fazendo nesse meu momento musical é revisitando várias etapas da minha carreira e criando o novo a partir disso.

OR: Agora, pra finalizar, pedimos umas dicas de degustações culturais para os leitores nesse verão. Indica um filme, um livro e um disco pra gente?

LC: Jantar dos Malas, um filme francês muito interessante, eu gosto de comédia. Um livro: O Perfume, me diverti bastante. E uma banda pra vocês ouvirem é Ronei Jorge.


1 comentários:

  1. eu espero que luis caldas tenha notado a repórter do rebu durante o show dele, pq na hora que ela gritava "EU NÃO POSSO FICAR SEM CERVEJA!", eu me mijava de rir!! rsrsrs

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