sábado, 30 de junho de 2012

O Rebucetê Indica: Do fantástico mundo de Os’asco para o mundo

Assessoria/Agencia Vocevê


Fernando Anitelli, vocalista d'O Teatro Mágico, concede entrevista à Assessoria de Imprensa e fala sobre carreira, influências musicais e expectativas para o show em Vitória da Conquista.

Foto: Divulgação
Bonecas bailam nos ares, enquanto músicos tocam caracterizados de palhaços. Assim é O Teatro Mágico, banda paulista, que nasceu em Osasco. Há oito anos na estrada, acumulando números expressivos de CDs e DVDs vendidos e obras baixadas via download gratuito, a trupe d’O Teatro Mágico se consolida no cenário musical brasileiro e suas turnês são cada vez mais requisitadas. Fãs apaixonados lotam as casas de shows e cantam, a um só coro, os sucessos da banda que misturam ritmos fundamentalmente brasileiros com pop moderno e sofisticado.

A vontade de fazer um sarau amplificado inspirou o músico e compositor Fernando Anitelli a criar a banda. Os grupos dominicais de uma igreja no interior paulista consolidou ainda mais seu gosto pela música e despertou o sentimento pela coletividade, já que o aprendizado de um era compartilhado entre todos. Dos primeiros acordes ao primeiro show, muitos tons de sons foram tocados até que todos os instrumentos estivessem afinados para, enfim, se consolidar em um projeto grandioso, que, além da música, unia “numa coisa só” a poesia, a literatura e as artes circenses.

Em uma entrevista, concedida à Assessoria de Imprensa, assinada pela agência vOceve Multicomunicação, Anitelli fala sobre a banda, as influências musicais, o movimento da cultura livre e a satisfação de tocar para os baianos. Prepare o picadeiro, abra as cortinas que o espetáculo vai começar!



Assessoria de Imprensa – Com oito anos de estrada, qual é a mágica desse Teatro para continuar encantando tanta gente?


Fernando Anitelli – Não tem uma mágica. Tudo acontece quando você se dedica e se dispõe a fazer aquilo em que acredita. No caso de O Teatro Mágico, ele surgiu porque eu frequentava muitos saraus. Nestes saraus se tem contato com um monte de manifestações artísticas, um diz uma poesia, outro canta uma música, outro faz um número e O Teatro Mágico é reunião de todas essas manifestações. Acreditamos também na cultura livre, debatemos a música livre, a produção cultural e as pessoas acabam de identificando com o projeto.


Assessoria – No primeiro CD, as canções eram mais sentimentais, intimistas... Desde “O Segundo Ato”, a trupe vem apresentando um trabalho mais questionador, com letras engajadas, um verdadeiro retrado da vida cotidiana, dos problemas sociais e conflitos interpessoais, sem deixar de lado o lirismo. E agora, com o terceiro álbum, quais as mudanças?



FA – “A Sociedade do Espetáculo” se dispõe justamente a ser essa união do lirismo do primeiro CD com o questionamento do “Segundo Ato”. É o endurecimento sem perder a ternura. Falamos da Primavera Árabe, da questão da agricultura familiar, mas também falamos das relações humanas. Esse foi o primeiro álbum que trabalhamos com um produtor musical, o Daniel Santiago, que hoje também está na trupe. Daniel trouxe um novo olhar e ouvido sobre nossa sonoridade. Ele tem um trabalho bem consolidado na música instrumental e toca e produz musicalmente nomes como o Hamilton de Hollanda. Juntos a gente pesquisou bastante sobre música e trouxemos pro álbum coisas desde o Clube da Esquina até a guarânia gaúcha. “A Sociedade do Espetáculo” é um álbum mais maduro musicalmente e nas letras também procurei escrever diferente dos outros, sem muitas aliterações e de uma forma diferente, também com bastante pesquisa e busca de referências. 


Assessoria – Como questionaria o também músico Pedro Luís, “a inspiração vem de onde”?


FA – A inspiração pode vir de tudo, de qualquer coisa. Não existem coisas específicas que nos inspiram. Muitos se inspiram nos sentimentos, na natureza, mas o homem que tá ali na rua catando papelão também pode ser uma inspiração. Ela vem e pode ser de qualquer direção. Como diria Mário Quintana, não importa o que fala o poeta, estará sempre falando de amor.

Assessoria – O escritor alemão Herman Hesse influenciou na escolha do nome da banda. Já o título do último disco de vocês é baseado no célebre livro de Guy Debord. Até que ponto a literatura ecoa no Teatro Mágico?



FA – A literatura está sempre presente. Traduzir o universo em palavras é essencial pro nosso entendimento de tudo que nos cerca. Sempre procuro fazer referência às obras literárias que nos marcam, assim como temos várias letras onde está ali Quintana, Pessoa, Lispector... A literatura está na música e vice-versa. São formas diferentes de uma mesma coisa.


Assessoria – O grupo sempre optou pelo trabalho independente, sem o auxílio de uma gravadora. A internet foi a grande parceira do Teatro Mágico desde os primeiros passos. No balanço desses anos de carreira, o projeto “MPB - Música para Baixar”, deu certo?


FA – Sim, está dando certo! Conseguimos reunir vários artistas na luta pela música livre, expandir o debate e criar ações concretas que fortificam o movimento da cultura livre. O MPB dá certo porque é simplesmente a forma mais fácil do artista estar próximo do público. A rede tira o atravessador cultural, cria um meio eficaz.  Fizemos um ato no Congresso Nacional, no último dia 26 de abril, e foi incrível. Fizemos um pré-festival de Música Livre na cidade de Pouso Alegre, onde tivemos o Leoni e o GOG (rapper, um dos pioneiros do movimento rap no Distrito Federal) conosco e já estamos organizando um grande festival para o próximo semestre.


Assessoria – Em meio a tantas cores, ritmos, aromas e sabores peculiares à Bahia, como é tocar para os baianos?

FA – É sempre uma delícia tocar na Bahia! O público é “arretado” (risos). As pessoas são calorosas e levam sempre uma superenergia pra gente. É sempre com boas expectativas que aterrissamos na Bahia!



Foto: Divulgação
Assessoria – Pela terceir a vez em Vitória da Conquista, onde vocês têm público cativo e apaixonado, o que terá de novidade para este show?

FA – Percorremos o Brasil inteiro com "Entrada para Raros" e "Segundo Ato". É muito bom poder revisitar lugares e ver a receptividade das pessoas. Agora nós chegamos com “A Sociedade do Espetáculo” em Conquista. O que posso dizer é que é um show com músicas que estão no último disco, algumas que nos trouxeram até aqui e algumas que O Teatro Mágico não gravou, mas vão estar no show. Temos novidades na sonoridade das canções e no circo também! Aguardem pra ver! 

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